Opinião

Editorial:
Cooperativismo de qualidade e resultados

Engenheiro agrônomo José Aroldo Gallassini, diretor presidente da Coamo

Estamos finalizando o plantio da safra de verão 2001/2002 que deve ter um crescimento de 8% na área da soja e uma redução de 17% na área do milho, seguindo uma tendência nacional. Felizmente, o clima está favorável e as culturas apresentando um desenvolvimento satisfatório com previsão de boas colheitas e produtividades.

Nesta fase final de plantio da safra de verão, fica a nossa expectativa para que tenhamos bons preços na colheita vindoura. Até o momento, comercializamos cerca de 92% da safra passada da soja e 80% do milho.

Dr.Aroldo Gallassini

Estamos acompanhando com preocupação a queda nos preços do dólar, que ao contrário da situação atual, registrou uma elevação no segundo semestre deste ano e foi responsável pelo sucesso na cotação dos preços dos nossos produtos agrícolas. Esperamos que a situação se estabilize e principalmente que os patamares dos preços sejam superiores aos custos de produção e proporcionem renda aos produtores.

Novembro é um mês duplamente especial para todos nós. Mês em que as nossas cooperativas Coamo e Credicoamo completam aniversários de fundação. Motivos para orgulho dos nossos milhares de cooperados, que juntos praticam um cooperativismo de desenvolvimento e resultados. 
A Credicoamo, a nossa Cooperativa de Crédito Rural completou no último dia 17 de novembro, 12 anos de atividades. São doze anos de sucesso, com crescimento notável a cada ano, oferecendo aos seus mais de 3 mil cooperados, produtos e serviços de qualidade visando o atendimento das necessidades. O grande interesse e a consciência cooperativista, aliada à elevada participação efetiva do quadro social, são razões do sucesso da Credicoamo. 

A Credicoamo oferece através dos seus dez Postos de Atendimento Cooperativo (PAC´s), estrategicamente localizados, diversas linhas de modalidades para o financiamento das atividades dos cooperados com taxas compatíveis para remuneração do setor agropecuário, resultando em valor adicional à renda das atividades rurais dos seus cooperados.
E no dia 28 de novembro foi a vez da Coamo comemorar mais um aniversário: 31 anos. Fazendo uma análise do trabalho desenvolvido ao longo destas mais de três décadas, podemos afirmar com certeza, que a Coamo é uma empresa totalmente voltada e comprometida com os interesses dos seus 17 mil cooperados. A nossa missão poderia ser resumida em uma única frase: prestar serviços com qualidade para o fornecimento de 100% das necessidades dos nossos cooperados e também, disponibilizar eficiente estrutura para a armazenagem e recebimento de 100% da sua produção. E para nossa satisfação, felizmente, com apoio maciço dos cooperados, administração profissionalizada de toda a nossa diretoria e efetiva atuação dos nossos funcionários, temos conseguido atingir estes objetivos e até, superar as metas estabelecidas em cada exercício. 

A Coamo presta uma quantidade grande de serviços para o desenvolvimento integral do seu quadro social, que vai desde a orientação para o plantio, com assistência técnica, educacional, social e creditícia, até a comercialização e industrialização da sua produção. São benefícios importantes que muitas vezes são considerados como normais e até, esquecidos por alguns produtores que acham tudo natural e às vezes, até exigem mais e mais. 

Temos a certeza de que a grande maioria dos nossos cooperados entende e valoriza o trabalho que a Coamo disponibiliza para o desenvolvimento sustentável dos nossos cooperados. Cooperados que, além de produzirem alimentos para o país, também estão exportando produtos para a Europa, através de uma comercialização eficiente que coloca o produto Coamo, praticamente na porta dos nossos consumidores europeus. 

Com este trabalho, estamos ajudando a quebrar um tabu mundial de que o Brasil não sabe comercializar, mostrando para os compradores e consumidores mundiais que o Brasil sabe comercializar e muito bem. Também nesse campo, a Coamo é citada como exemplo de organização e eficiência, com uma comercialização moderna e respaldada pela credibilidade no mercado internacional. 

Entendemos que os nossos cooperados devem ter uma visão global e valorizar os serviços prestados pela Coamo, uma cooperativa forte, bem estruturada e capitalizada, para a satisfação dos seus cooperados. Nesta oportunidade, agradecemos a Deus pela energia e sabedoria concedida ao longo desses 31 anos de Coamo e 12 anos de Credicoamo; agradecer aos nossos companheiros de diretoria, membros dos Conselhos de Administração e Fiscal; aos integrantes dos Comitês Educativos e também a nossa equipe de funcionários, pelo trabalho e dedicação, presente no nosso dia-a-dia visando serviços com qualidade e bons resultados nas nossas atividades.

 

Ponto de Vista:

Mais de mil dias

Roberto Rodrigues (*)

A Aliança Cooperativa Internacional (ACI) é uma das mais antigas Organizações Não-Governamentais do mundo. Criada em 1895 para unificar os princípios e valores da doutrina cooperativista e disseminar a idéia da solidariedade pelo planeta, conta hoje com 250 organizações nacionais, regionais ou setoriais de cooperativas de uma centena de países. Seus associados individuais somam 800 milhões de pessoas e, se cada um tiver três familiares, existem 2,4 bilhões de almas abrigadas por uma única filosofia, valores e princípios universalmente aceitos. 
O Brasil filiou-se a ACI por meio da Organização das Cooperativas Brasileiras em 1989, muito depois de diversos países latino-americanos. Mas a importância do cooperativismo brasileiro logo lhe valeu a presidência da Organização Mundial das Cooperativas Agrícolas (Icao), em 1992, a presidência do Conselho Continental da ACI/Américas (1994) e a presidência mundial da entidade, desde setembro de 1997.
Tive a grande honra de representar o País nestas três posições. Foi um período fantástico, e durante os últimos nove anos visitei 79 países de todos os continentes, em mais de mil dias fora do Brasil, discutindo cooperativismo com presidentes, rainhas e reis, primeiros-ministros, líderes de parlamentos e da sociedade civil, acumulando uma instigante experiência.
Tive também o privilégio de participar de eventos das Nações Unidas, de conselhos agrícolas e das negociações na Organização Internacional do Trabalho, na Organização Mundial do Comércio, e na FAO, e de inúmeras reuniões multilaterais e regionais ligadas aos agronegócios e a questões sociais.
Neste interminável aprendizado foi possível constatar o estrago que a exclusão social e a concentração de riqueza - filhas do fatídico casamento entre a globalidade econômica e o liberalismo comercial ocorrido no dia da queda do Muro de Berlim - fazem pelo mundo afora, em especial na contundente ameaça à democracia e à paz.
Compreendi que os governos contemporâneos não conseguem resolver os problemas ordinários de gente comum porque ficaram reféns do fluxo de capitais. Estes sim, sem ideologia, religião ou cor, interessados apenas na acumulação, são os responsáveis pela produção de empregos e pelos investimentos, produtivos ou especulativos. São eles que criam ou destroem esperanças, perspectivas e expectativas. 
Aprendi que os valores fundamentais da eqüidade, responsáveis pela construção de sociedades harmoniosas, como solidariedade, ética, coletivismo, justiça social, são cada vez mais atropelados pela ambição, egoísmo, má-fé, individualismo e corrupção. E que tudo isso se reflete de maneira dramática sobre feitos importantes, como as negociações internacionais de comércio: aí prevalecem a hipocrisia e a distância entre o discurso e a prática. 
Aprendi que o amor é o grande combustível da esperança: só lutamos por um mundo melhor por amor aos familiares, amigos, a nós mesmos, aos nossos ideais... Que os problemas básicos da sobrevivência - oportunidades iguais, emprego e renda, educação e saúde, casa e comida, lazer e justiça, só podem ser solucionados por meio da organização comunitária: no município, no bairro, no cluster. Onde as forças vivas precisam articular-se: prefeitos, câmaras municipais, clubes de serviço, sindicatos, associações, empresas (as cadeias produtivas), poderes constituídos e igrejas. E que neste cluster do bem-estar social, da felicidade mesmo, as cooperativas joguem um papel maravilhoso. Elas podem ser a locomotiva do cluster porque estão embasadas em princípios seculares e universais. São o braço econômico da organização social. Para que o cooperativismo seja a ponte entre o mercado e a felicidade, a esperança, a democracia e a paz, é preciso preparar gente, maciçamente, e estabelecer leis que não marginalizem o setor.

(*) Roberto Rodrigues é engenheiro agrônomo e agricultor, professor de Economia Rural da Unesp/Jaboticabal, presidente da Associação Brasileira de Agribusiness (Abag) e hoje se despede, em Seul, Coréia, da ACI - Aliança Cooperativa Internacional.