Agricultura
Um negócio de pai para filhos

A união da família Croceta, de Arapuã, tornou-se mais sólida com a diversificação das atividades na fazenda

Renato Croceta e os filhos Eliane, Evandro e Edilson: família com vocação agropecuária
Sono Tranqüilo. É o que diz o sugestivo rótulo de uma enorme garrafa de cachaça logo na entrada da estrada que leva à propriedade dos Croceta, no município de Arapuã, região de Ivaiporã. E no caso deles, a cachaça é motivo de orgulho. Foi com ela que o cooperado Renato Ghizoni Croceta – o patriarca da família, começou a vida, logo após receber do pai dele um pequeno alambique, no estilo colonial. “Troquei dez alqueires de
terra, oferecidos como herança, pelo gosto de produzir cachaça”, lembra.

A produção praticamente artesanal rendia ao cooperado perto de 50 litros de cachaça por dia. “Vendíamos o que sobrava nos armazéns e bares da região”, brinca. Mas a verdade é que o negócio foi crescendo, junto com a família de Renato Croceta, e prosperando. E como não havia como ampliar a produção, a solução encontrada foi a compra de cachaça de outras destilarias para engarrafar e vender na região. Sistema de trabalho que permanece até hoje, apesar da ampla destilaria mantida na comunidade, cuja capacidade é de 20 mil litros por dia.

Apesar da fidelidade à cachaça – produto que alavancou a vida dos Croceta, a família demonstrou grande vocação para outros ramos da agropecuária, explorando outras alternativas na propriedade de 200 alqueires, dividida em diversos sítios, na região de Alto Lageado. E com uma diferença muito grande: o cooperado conseguiu agregar os filhos ao diversificado sistema de produção da fazenda. “Na verdade eles cresceram acompanhando o nosso trabalho e a decisão de buscar uma formação superior e voltar para a propriedade para exercer a profissão e ajudar a desenvolver os negócios da família foi deles. O que, sinceramente, me agradou muito”, comenta Renato Croceta, ao lado da esposa Maria de Lurdes.

São cinco os filhos do casal e apenas um não mora na propriedade. O mais velho, Edson, trabalha na cidade. Os outros quatro estão perfeitamente integrados ao trabalho na fazenda, cada um intensificando os resultados nas diversas atividades da família.

Edílson, que também é cooperado, é veterinário e cuida das granjas de suínos, uma vez que a família faz o ciclo completo da atividade. Eliane é zootecnista e está à frente do trabalho com o rebanho de bovinos de leite e corte. Ethiane é formada em processamento de dados e fica com a parte de administração dos negócios da família. E Evandro, outro cooperado, é engenheiro agrônomo e cuida das cultivo das lavouras – principalmente a cana-de-açúcar, e também ajuda o pai a administrar a destilaria de cachaça. Juntos, eles formam a base de sustentação dos negócios da família, com o total apoio dos pais.

Na opinião dos quatro jovens, a idéia de permanecer na fazenda, exercendo a profissão, foi naturalmente concebida. “Nem mesmo a área que cada um iria seguir foi planejada. Fomos decidindo com o passar dos anos, de acordo com a vocação de cada um”, conta Eliane. Na verdade, segundo Evandro, a possibilidade de dar continuidade ao trabalho dos pais e a vontade de desenvolver ainda mais os negócios da família também pesaram no momento de decidir pelo retorno à fazenda. “E acho que acertei a minha decisão, assim como meus irmãos, uma vez que todos estamos trabalhando no que mais gostamos e o que é melhor: perto da nossa família. É o que muitos jovens como nós gostariam de estar fazendo”, comparou.

 

UNIÃO E EFICIÊNCIA
O cultivo da soja tem ajudado a recuperar o solo das áreas de cana.
A destilaria dos Croceta possui capacidade para produção de 2,5 mil litros por hora. No entanto, para atender a crescente demanda, a família está trabalhando na ampliação da estrutura, buscando ampliar a produção para 3,5 mil litros por hora. O projeto é para dois anos e já começou a ser implantado.

Dez por cento da cachaça produzida é engarrafada na própria fazenda.

O restante é comercializado com outras engarrafadoras, que distribuem o produto dos Croceta em diversos estados brasileiros e até mesmo outros países.

Agricultura – Da área total da fazenda, 40% é mecanizada para a agricultura. A cana-de-açúcar para a produção de cachaça é a cultura principal da propriedade dos Croceta, ocupando cerca de 50% das áreas mecanizadas. No restante da área, eles cultivam soja, milho e feijão, em esquema de rotação. A produção de cana chega a render 300 toneladas por alqueire. A alta produtividade é motivada pelos sucessivos investimentos na fertilidade do solo. A própria rotação com outras culturas, como a soja e o milho, ajudam a equilibrar os nutrientes do solo para a exploração racional da cana.

O esquema adotado pelos Croceta é de há cada seis anos de cana, a mesma área recebe soja ou milho por dois anos. A estratégia tem refletido em bons resultados também para as outras culturas. Na última safra a média da soja foi de 110 sacas por alqueires; do milho 320 e de feijão 98 sacas por alqueire. Parte da adubação das lavouras e das pastagens é feita à base de compostos de cana-de-açúcar e dejetos de suínos.

Pecuária – O restante da área é destinada a pastagem cultivada e reservas. A pecuária é outra alternativa bem explorada pelos Croceta, com a bovinocultura de corte e leite e suinocultura.
Os bovinos de corte são provenientes de cruzamento industrial. A família adota a exploração do ciclo completo, com um total de 406 animais, contando com as vacas leiteiras, das raças holandês, gir e jérsei. No caso dos animais de corte, a linha materna é de nelore e os touros são das raças marchigiana. A meta dos Croceta é utilizar as matrizes F1 frutos deste cruzamento e incorporar uma terceira raça ao rebanho, a limosin, para produzir os bezerros tri-cross.

A produção de leite na fazenda gira em torno de 500 litros dia. Com uma bem montada estrutura e cuidados permanentes com higiene, a produção entregue alcança o tipo B. Hoje são 52 vacas em lactação.

Já com os suínos, a fazenda mantém 150 matrizes em produção e engorda um total de 300 leitões por mês.