Pecuária
Suinocultores avaliam atividade

Encontros da Coamo discutem alternativas para a redução de custos na suinocultura industrial

Os cooperados integrados ao projeto de Suinocultura da Coamo participaram de um encontro nos dias 12 e 13 de novembro, quando discutiram a atividade e as alternativas para o incremento de resultados. O evento reuniu especialistas no assunto, que apresentaram as novidades em manejo dos animais e controle de doenças na granja. Na busca de soluções para amenizar a crise momentânea do setor, os técnicos também levaram ao conhecimento dos cooperados algumas alternativas, tecnicamente testadas, para diminuição dos custos de produção na suinocultura industrial.

O médico veterinário, Rogério Paulo Tovo, responsável pelo projeto da Coamo, disse que o importante é buscar soluções para ultrapassar as dificuldades. “Muitas vezes o cooperado teria condições de fazer alguma coisa diferente e por falta de informação acaba aumentando o seu custo de produção”, lembra. Tovo afirma que apesar das dificuldades, a suinocultura Coamo caminha normalmente, com boas perspectivas de crescimento.

O projeto está encerrando o ano com um balanço positivo. Setenta cooperados estão integrados à fase de iniciação e hoje são 105 terminadores. Cerca de sete mil matrizes estão alojadas, na produção de leitões, e há 33 mil espaços na terminação. “Isto significa que estamos com aproximadamente 65 mil animais distribuídos em 29 municípios da área de ação da Coamo”, contabiliza Tovo.

“É nas horas difíceis que a gente pensa em soluções”, ressalta o engenheiro agrônomo Nei Leocádio Cesconetto, gerente Técnico da Coamo. Ele diz que as alternativas apresentadas no encontro são possíveis de garantir que o criador mantenha estabilizada a sua produção com um custo menor. As alternativas apresentadas no encontro e que têm total apoio técnico da Coamo são: silagem de milho grão úmido e de mandioca e o uso de cana-de-açúcar picada. Ambas misturadas à ração.

 

Cooperados apostam nas novidades

Diversos produtores já estão tirando proveito das novidades apresentadas durante o encontro de suinocultores integrados ao projeto da Coamo. É o caso do cooperado Antonio Carlos Brunetta, de Engenheiro Beltrão, que é iniciador e terminador no projeto da Coamo. Há cerca de um mês ele tem misturado cana-de-açúcar picada à ração dos animais. A novidade está agradando os suínos e reduziu em quase 30% o consumo de ração nas granjas.

O cooperado explica que na fase de gestação a cana é misturada numa proporção de 20% na ração dos animais. “A cana tem que ser moída com peneiras bem finas, para facilitar a mistura”, ensina. Na parte de terminação, Brunetta fornece uma quantidade de 30% de cana misturada à ração.

O impacto econômico nas granjas de Brunetta tem sido positivo. Num levantamento de 17 dias utlizando a mistura, o cooperado economizou 6.400 quilos de ração.
Proteína em casa – O cooperado Jorge Evaldo Grande, de Pitanga, é produtor de leitões e diz que os encontros são valiosos porque ajudam o cooperado a desenvolver o negócio, ampliando o nível de conhecimento.

O cooperado também está de olho nas novas alternativas para baratear o custo da granja. A silagem de milho em grão úmido foi a opção escolhida para propriedade. “A região de Pitanga tem bons exemplos com a silagem de milho em grão úmido e vamos aproveitar essa experiência dos vizinhos para ampliar as margens da nossa granja”, assegura. Entre as vantagens destacadas por Jorge Grande estão a economia no transporte do milho – que fica armazenado no silo da propriedade; os descontos com impureza e umidade; e a possibilidade de utilizar a própria proteína na alimentação dos animais.


Carlos Brunetta

Jorge Grande



Alternativa:
Mandioca na alimentação de suínos

Além de reduzir custos, fornecimento é facilitado na forma de silagem

A mandioca conhecida de todos os produtores é um alimento de excelente qualidade principalmente se considerarmos os carboidratos, sendo, portanto, fonte de energia de fácil digestão. Na forma indireta é utilizada pelos animais que a transformam em carne e leite. 
Na suinocultura tradicional é muito utilizada pelos colonos de origem européia na engorda do suíno. Hoje, com os altos custos dos alimentos energéticos utilizados em suinocultura, o uso de opções mais econômicas é necessário para viabilizar a atividade de forma econômica, uma vez que 78% dos custos são com a alimentação.

A mandioca ocupa um papel de destaque para diminuição de custos de produção, pelo baixo preço e também pela facilidade no fornecimento que pode ser através da forma de silagem.
Silagem – O processo de ensilagem é feito em um silo tipo trincheira, sem revestimento, sendo colocado lona nas laterais e cobertura e no chão de terra dentro do silo apenas uma camada de capim. Pode ser construído também um silo tipo bunker, ou seja, com a colocação de tábuas nas laterais, e neste caso no chão também vai apenas uma camada de capim.

O silo é feito com no máximo 2 m de largura e não há necessidade de compactar a massa porque esta se compacta sozinha. Somente após o fechamento se coloca sacos de areia ou sacos de terra sobre a lona. O silo é feito num período máximo de três dias e com 30 dias abre-se o mesmo.

Utilizar para moer a raiz de mandioca um triturador ou de preferência uma ensiladeira destas que possuem uma correia transportadora do material para o picador da mesma. Colocar protetores laterais de chapas de ferro ou madeira. A máquina forrageira chega a fazer até 60 toneladas por dia. Deve ser reduzida a rotação normal do picador da ensiladeira é feito a diminuição de tubo de saída do material picado, porque deve ser jogado direto para o silo e na máquina forrageira normal este tubo joga a silagem de milho em cima da correta.

A silagem de mandioca pose ser utilizada para quase todas as categorias animais, principalmente animais de crescimento e terminação e porcas em gestação. Existe uma perda de até 30% na massa devido a água que sai. O custo aproximado de ensilagem é de aproximadamente R$ 14,00 a R$ 15,00 por tonelada mais o custo da mandioca.

De preferência adicionar inoculante à massa para facilitar a conservação do material.

Médico Veterinário Olívio Eirich – Detec Campo Mourão. Fonte de informações técnicas: Granja Biribas.