EDITORIAL:
Os altos e baixos da nossa agricultura
ENGENHEIRO AGRÔNOMO JOSÉ
AROLDO GALLASSINI, DIRETOR PRESIDENTE DA COAMO
Fazendo uma retrospectiva deste ano
que se finda, podemos dividi-lo em dois momentos. O primeiro, marcado
por preços elevados das commodities, principalmente na soja.
Preços estes que estiveram altos até meados deste
ano, motivados pela estiagem na colheita brasileira e frustrações
das safras americana e européia, e a forte demanda, principalmente
do mercado chinês. Incremento de preços que não
se verificava no agronegócio brasileiro desde 1986.
O segundo
momento deste ano, considerado atípico para a nossa agricultura,
foi a frustração de safra provocada pela estiagem,
chuva na colheita e geada no milho safrinha e trigo. Uma frustração
severa e preocupante que não ocorria há 18 anos. O
cenário foi prejudicado principalmente pela queda inesperada
nos preços da soja, milho, trigo,café e algodão.
Uma redução drástica ocasionada em face das
previsões otimistas de boa safra nos EUA e na Europa, e também
pelos problemas políticos e econômicos travados com
a China através dos embargos à soja brasileira.
Outro fator que preocupou a agricultura brasileira em 2004 foi a
alta exagerada nos preços dos insumos. No caso dos herbicidas,
inseticidas, fungicidas, sementes e adubos, a majoração
variou de 7 a 40%. Também tivemos aumento nas taxas de juros,
com a criação da taxa mista, ou “mix”,
como foi chamada, com juros de mercado, que elevou a média
anual de juros para 15% ao ano, ao invés dos 8,75% do crédito
rural, além da queda. Fatores que reduziram sobremaneira
as margens de lucro dos produtores brasileiros.
Enfim, relembrando 2004, podemos afirmar que a agricultura brasileira
registrou um ano diferente do sonhado pelos agricultores, que semearam
suas lavouras esperando repetir o desempenho dos últimos
3 anos, que foram excelentes para a nossa agricultura com grandes
safras e bons preços, sendo de verdadeira bonança.
Como escrevemos várias vezes neste espaço, ficou claro
novamente este ano que os produtores, na sua grande maioria, não
comercializam suas produções quando os preços
estão em alta. Não vendem aos poucos para conseguir
uma boa média, para pagar seus custos de produção.
Preferem apostar na subida dos preços para comercializar
cada vez mais e melhor. Neste ano, muitos não fixaram suas
produções quando os preços estavam girando
em torno dos R$ 52,50 e nem quando reduziram a patamares de R$ 40,00
a saca. Perderam então excelentes oportunidades para realizar
bons negócios e amenizar as perdas da safra, tendo em vista
o alto custo de produção.
Esta breve retrospectiva está recheada de problemas e situações
indesejáveis para os agricultores brasileiros. Mas é
uma realidade da qual não podemos fugir. Por outro lado,
os agricultores estão cumprindo seu papel com muita competência,
plantando com modernas tecnologias e seguindo as recomendações
técnicas na esperança de colher altas produtividades
e obter preços satisfatórios na comercialização
da sua produção. Confirmamos que nenhuma safra é
igual a outra e que a agricultura é realmente cheia de altos
e baixos.
Mas, mesmo diante das dificuldades enfrentadas, semeamos a safra
2004/2005 torcendo pelo seu bom desenvolvimento visando uma colheita
de bons resultados, acreditando em um 2005 muito melhor que este
ano, com bons preços nas commodities e estabilidade nos insumos
para a satisfação dos produtores cooperados.
Bons resultados que a Coamo terá novamente ao final do exercício
de 2004. Prova disso são as sobras que estão sendo
antecipadas aos nossos 19 mil cooperados no valor total de R$ 22,5
milhões. As sobras da Coamo são muito esperadas principalmente
num ano como este de altos e baixos, sendo motivos de alegria e
satisfação para cooperados e familiares. As sobras
representam um importante benefício, um presente para os
cooperados da Coamo que, acreditando no cooperativismo e na força
da sua cooperativa, participam efetivamente cada vez mais e com
isso, têm mais satisfação e melhores resultados.
São consideradas uma espécie de décimo terceiro
salário do agricultor, e para nossa satisfação,
certamente promoverá nos lares dos nossos cooperados e familiares
um Natal e Ano Novo com mais felicidade e harmonia.
Estamos concluindo mais um ano e é momento de agradecer.
Primeiramente a Deus pela força, sabedoria e energia concedida
ao longo de mais um ano; agradecer aos nossos cooperados pela confiança,
fé, trabalho e entusiasmo, que determinaram novamente uma
expressiva participação na vida da sua cooperativa;
agradecer aos nossos companheiros de diretoria, membros dos conselhos
de Administração e Fiscal; aos nossos funcionários
e cooperados, comitês educativos; clientes e fornecedores,
desejando a todos um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo,
com muita paz, saúde e prosperidade com a renovação
da energia e fé, trabalhando sempre para alcançar
boas produtividades e bons resultados.
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