Pecuária     



GADO LEITEIRO:
Nutrição bem feita, produção garantida

INVESTIMENTO PLANEJADO OFERECE RESULTADOS COERENTES E SATISFATÓRIOS


Na pecuária de leite, o manejo nutricional do rebanho exige cuidados especiais e atenção aos detalhes. Uma boa estratégia alimentar é capaz de garantir resultados altamente positivos, verticalizando a produção e ampliando as margens de ganho do produtor.

A exemplo do período de inverno, o verão também é uma estação em que o pecuarista deve ficar atento com a nutrição da vaca leiteira. O alerta é do médico veterinário Olivio Eirich, do Detec da Coamo, em Campo Mourão, na região centro-oeste do Paraná. Ele lembra que quanto maior for o potencial genético da vaca, melhor será a resposta na produção de leite. “É um investimento planejado que oferece resultados coerentes e satisfatórios”, explica.

A falta de uma boa estratégia nutricional, segundo Eirich, pode representar prejuízos à atividade. “Não adianta o animal ter potencial. Se ele não for bem alimentado não vai alcançar bons níveis de produção. E é justamente aí que entra o bom manejo alimentar”, orienta.

O manejo alimentar e a qualidade desses alimentos são muito importantes para que há uma alta produção. Uma vaca consome ate 4% do seu peso vivo em matéria seca, ou seja, um animal de 500 quilos pode consumir até 20 quilos de matéria seca por dia. É bom lembra que matéria seca não significa 20 quilos de volumoso de capim, mas sim o capim desidratado, apenas a parte seca do alimento. Isso pode significar no fim do dia acima de 100 quilos de volumoso, se transformado em pasto.

De acordo dom Erich, o pico de produção de leite durante a lactação é do segundo ao quarto mês. Esse é o período onde as vacas produzem o máximo, após o parto. Depois disso existe uma queda normal na produção influenciada por vários fatores como: qualidade da alimentação, manejo, condição corporal, época do parto e condição genética. Isso quer dizer que quanto mais a vaca produz durante o período e a queda é menos acentuada, é sinal que ela esta bem alimentada. A observação é feita quando temos o máximo de produção sem uma queda brusca.

“O ideal é fazer um balanceamento dos nutrientes entre o volumoso (capim), mais o concentrado, com alta qualidade. Devem ser observados elementos fundamentais para o desenvolvimento do animal, como, teor de proteína, energia, fibra bruta e fibra em detergente ácido. Esse equilíbrio evita o surgimento de problemas metabólicos, causados pelo excesso de alimentos que possuem determinados tipos de nutrientes, ou a falta deles”, alerta Olivio Eirich.



SUINOCULTURA:

Sarna na alça de mira

COAMO LANÇA PROGRAMA DE COMBATE A SARNA SUÍNA

A produção de suínos tem passado por diversas mudanças desde que evoluiu de uma atividade de subsistência para as modernas unidades de produção. O crescimento mundial e a modernização da indústria suinícola nas últimas duas décadas tornou claro e evidente a necessidade de uma maior e mais detalhada atenção no que diz respeito à saúde dos plantéis.

A Coamo, que ingressou na atividade há 11 anos, quando criou o Projeto de Suinocultura, desde então oferece ao produtor toda infra-estrutura técnica para o bom desenvolvimento do sistema. Sempre preocupada com a qualidade da carne produzida, a cooperativa iniciou recentemente o Programa de Controle, Tratamento e Prevenção da Sarna Suína. O objetivo é eliminar essa ectoparasitose comumente encontrada nas granjas e que tem causado grandes perdas na produção. A sarna caracteriza-se pelo aparecimento de prurido intenso, pústulas (feridas), crostas, queda de pêlo e espessamento da pele nos animais. Normalmente, usa-se a pulverização, banhos de imersão, camas medicadas e aplicações manuais (injetável ou pour-on) de acaricidas, ou seja, sarnicidas, sendo que estes medicamentos devem ser prescritos por veterinários.

O médico veterinário José Cristani, professor de suinocultura da UDESC – Universidade de Santa Catarina, em Lajes, esteve recentemente em Campo Mourão, no centro-oeste do Paraná, onde ministrou um treinamento para o quadro de veterinários da Coamo. Cristani repassou importantes informações sobre o tema, que envolve todos o setores da suinocultura, objetivando sobretudo melhorar a qualidade de carcaça.

Cristani destacou que a sarna é um problema que acomete a suinocultura em todo o mundo e as vezes passa desapercebida, uma vez que dificilmente apresenta problemas clínico na propriedade. Entretanto, no momento do abate dos animais as lesões são encontradas na carcaça. “Essas lesões são infinitamente prejudiciais ao sistema de produção. Infelizmente essas carcaças não podem ser exportadas, nem ser vendida como carne in-natura em função da apresentação” explica.

José Cristani adianta ainda que a sarna suína em nível sub-clínico influencia muito no sistema de produção, com relação aos custos, já que a taxa de crescimento dos animais diminuem, além do prejuízo com a conversão alimentar. Mas alerta que todos devem estar envolvidos no processo, que envolve uma série de medidas e visa a melhoria dessa qualidade, desde o produtor, os técnicos e o frigorífico.

AÇÕES DA COAMO - O programa da Coamo será monitorado através do acompanhamento dos abates, que será feito pelos veterinários da cooperativa em parceira com a universidade. Contudo, o trabalho será iniciado na base, nas as Unidades Produtoras de Leitões (UPL’s), que terão um programa específico, a exemplo do ciclo completo e o terminador.

“Certamente o produtor vai ter um custo para implantação desse programa, mas este custo é muito pequeno diante dos benefícios que o programa vai trazer na melhoria da qualidade e do desempenho dos animais. A cooperativa e o produtor final também vão ter um melhor rendimento e apresentação da carcaça, facilitando a exportação do produto e a própria comercialização interna”, garante Rogério Paulo Tovo, médico veterinário responsável pelo Projeto de Suinocultura da Coamo.

O programa, segundo ele, vai trazer outros benefícios para o produtor. O conteúdo envolve toda a parte de produção, limpeza, desinfecção, além de outros índices dentro da propriedade, como: ganho de peso na conversão alimentar e diminui a incidência de doenças.

MANEJO NO VERÃO

Nesta época do ano os suínos sofrem muito. Por isso, o criador deve ficar atento ao manejo dos animais. O alerta é do médico veterinário Rogério Paulo Tovo, responsável pela Projeto de Suinocultura da Coamo. Instalações, transporte e o fornecimento de água e de alimentos aos animais, segundo ele, são questões decisivas durante o período de verão..

A temporada exige um tratamento com água em abundância para manter a limpeza dos animais e controlar o odor e as moscas, que nesta época também aumentam de população nas propriedades. Outra preocupação é que com o calor intenso há risco dos animais perderem peso e morrerem por congestão alimentar e até por stress.

De acordo com o veterinário da Coamo, no caso de fêmeas adultas e animais de terminação, a temperatura ideal oscila entre 18 a 22 graus. No caso de leitões, a variação fica entre 25 a 28 graus. “O suíno é uma espécie que prefere temperaturas baixas. E quando as instalações são cobertas com telhas tipo eternit o ambiente se torna ainda mais quente”, orienta. Tovo recomenda que neste caso o produtor realize pintura na parte superior do telhado com uma mistura de cal com cola. Outra forma de reduzir o calor seria a poda das árvores muito próximas às instalações, o que deve ser feito até atingir a altura do telhado.

E para evitar problemas de stress, de congestão animal e possíveis óbitos, Tovo recomenda que o transporte seja feito nas horas mais frescas do dia (de manhã até às 7 horas e à noite) e com os animais em jejum de no mínimo 12 horas. “Durante o verão o consumo de energia (para manter a temperatura do corpo) não é tão necessário. Portanto, o produtor pode economizar e racionalizar o fornecimento de alimentos energéticos aos suínos”, conclui o veterinário da Coamo.


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