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Órgão de divulgação da COAMO Agroindustrial Cooperativa | Edição 348 | Dezembro de 2005 | Campo Mourão - Paraná

Agricultura

História:

Primeiros experimentos de trigo em Campo Mourão foram implantados em 1969

O ENGENHEIRO AGRÔNOMO JOSÉ AROLDO GALLASSINI, ENTÃO EXTENSIONISTA DA ACARPA, FOI UM DOS RESPONSÁVEIS PELA CONDUÇÃO DA PRIMEIRA CULTURA AGRÍCOLA MECANIZADA NA REGIÃO

Ao contrário do que muitos pensam, a Coamo surgiu em 28 de novembro de 1970 para receber trigo, vindo na seqüência a operar com a soja, hoje o carro-chefe da agricultura das regiões onde a cooperativa está presente no Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul.

Os primeiros experimentos de trigo na região de Campo Mourão foram implantados em Campina do Amoral (hoje distrito de Luiziana), em 1969, pelo engenheiro agrônomo José Aroldo Gallassini, que era extensionista da Acarpa (hoje Emater), em trabalho coordenado pelo Instituto de Pesquisa Agropecuária Meridional (Ipeame). “Realizamos os primeiros experimentos de abril a setembro de 1969 com pesquisa de competição de variedades, adubação, calagem e época de plantio”, relembra Dr. Aroldo Gallassini, presidente da Coamo.

Para o engenheiro agrônomo, Antonio Álvaro Massaretto, na época, diretor do Departamento de Agricultura do município de Campo Mourão, na gestão do prefeito Horácio Amaral, o trigo era uma lavoura que chamava muita atenção pela sua beleza. “Até hoje acho que o trigo é uma das lavouras mais bonitas de se ver, as variedades que tínhamos não eram tão produtivas como as de hoje. Mais olhando o trigo de cima para baixo não mudou muito, é sempre igual”, relembra Massaretto, informando que a variedade BH 1146 era a mais importante entre o final da década de 60 e início dos anos 70, quando os produtores colhiam em torno de 60, 70 sacas por alqueire.”Era uma média muito boa, considerando as condições e a época”, Assegura.

O presidente da Coamo relembra as condições em que se encontravam as terras na região de Campo Mourão. “As terras eram ácidas e fracas, ninguém acreditava nessas terras, não tinha preço nenhum e de repente, passadas mais de três décadas as terras da região estão entre as mais férteis do país. Foi feito nesse período um grande trabalho do ponto de vista técnico, que iniciamos junto com o Massaretto (Antonio Álvaro Massaretto), então chefe do Departamento Municipal de Agricultura, que possuía um plano de incentivo ao plantio de trigo. “A prefeitura fornecia uma saca de semente com devolução de 3 sacas, o que foi também um marco na implantação de trigo na região. E hoje é uma maravilha ver que tudo se desenvolveu rapidamente, com adoção de tecnologias que resultam em excelentes produtividades nas mais diferentes culturas”, afirma Gallassini.

Caracóis na soja:

Coamo e Embrapa divulgam últimos resultados de pesquisa

PRAGA POTENCIAL É ENCONTRADA EM LAVOURAS DE CAMPO MOURÃO E LUIZIANA

Na safra 1995/96, a Coamo constatou a ocorrência pela primeira vez de uma praga secundária, os caracóis da soja, que atacavam as lavouras de maneira intensa, causando grande preocupação aos sojicultores. Na época, a Coamo manteve contato com a pesquisa oficial que veio a região para estudar e resolver o problema. Como resultado prático, foi instalado naquela oportunidade o primeiro ensaio na região da cooperativa para estudar o controle da praga. Porém, os resultados não mostraram eficiência a nenhum dos produtos utilizados.

Nos anos seguintes as ocorrências dos caracóis da soja foram pouco significativas. Até que em outubro, no início da safra 2005/06, portanto, dez anos após o surgimento da praga pela primeira vez na região, o Detec da Coamo constatou novamente a incidência da praga de forma mais severa. Conforme informações da pesquisa, os caracóis da soja causaram prejuízos praticamente em todas as regiões do Paraná. Conhecidos também como “caramujos” ou “moluscos”, os caracóis da soja preferem ambiente úmido tendo sido favorecidos nesta safra pela incidência de chuvas que provocaram a sua multiplicação, representando assim, uma grande ameaça às plantas recém germinadas.

O surgimento dessa praga secundária foi responsável por perdas significativas em algumas lavouras que, não tiveram outra alternativa senão a eliminação por gradagens dos mesmos e o replantio da cultura. Segundo levantamento do Detec, as perdas maiores ocorreram nas áreas mais úmidas do terreno que favorecem uma maior concentração dos moluscos, o que causa distribuição desuniforme da praga nas áreas de plantio.

“Na região de Campo Mourão notamos a ocorrência de forma generalizada, porém em alguns casos, a quantidade de caracóis foi preocupante. Em situação favorável a praga se alimenta os cotilédones e avança sobre o resto da planta causando a redução de stand e perda da área foliar. Em plantas mais desenvolvidas, o dano ocorre diretamente no caule com a raspagem da epiderme, podendo causar a morte da planta, ou retardando o seu desenvolvimento”, explica o engenheiro agrônomo, Gilberto Guarido, do Detec de Campo Mourão.

Pesquisa e Resultados – Ao detectar o aparecimento dos caracóis da soja em lavouras da região de Campo Mourão, a Coamo através da sua assistência técnica, manteve contato imediatamente com a área de pesquisa da Embrapa Soja, em Londrina, visando encontrar solução para resolver o problema de vários cooperados. O pesquisador da Embrapa Soja, Ivan Carlos Corso e equipe da Embrapa vieram a Campo Mourão e juntamente com técnicos da Coamo vistoriou as lavouras prejudicadas e manteve contato com vários cooperados da região.

Na oportunidade, em parceria com a Coamo, a Embrapa instalou um experimento na propriedade do cooperado José Carlos Ramos Pinto, próximo a Luiziana, para análise e acompanhamento da praga, cujos resultados estão apresentados nas tabelas 1 e 2 (anexas). Na tabela 1 está demonstrado o resultado do ensaio de caracóis, 48 horas após a aplicação na safra 1996/97, onde o sal de cozinha obteve 26% de controle; Na tabela 2, está registrado o controle obtido 24 horas após a aplicação de produtos realizada no último dia 11 de novembro, em Luiziana. Os resultados confirmaram 54% de controle pelo sal de cozinha e 52% pelo Engeo Pleno.

Avaliação – Conforme o engenheiro agrônomo Joaquim Mariano Costa, chefe da Fazenda Experimental da Coamo, o resultado da aplicação realizada no experimento do cooperado no dia 11 de novembro demonstrou que todos os produtos tiveram dificuldade de controles e apenas o tratamento com sal de cozinha e com o produto Engeo Pleno conseguiram controles acima de 50%. “Embora não tenham sido totalmente satisfatórios, esses tratamentos são no momento os que sinalizam para uma utilização emergencial até que novas pesquisas revelem alternativas mais eficazes para o controle dessa praga”, conclui Joaquim Mariano.

Embalagens:

Cantagalo orienta cooperados

O entreposto da Coamo em Cantagalo (Centro-Sul do Paraná) realizou no dia 25 de novembro um encontro que reuniu 140 produtores rurais. Eles debateram questões como a devolução de embalagens vazias de agrotóxicos; o manejo dos percevejos da soja e a comercialização de grãos. O evento foi realizado no Salão Paroquial.

O agrônomo Sandro Rodrigo Klein, do Detec da Coamo em Cantagalo, falou sobre a devolução de embalagens vazias de agrotóxicos, abordando a legislação e os cuidados necessários para tríplice lavagem. O manejo de percevejos em soja foi o tema abordado pelo entomologista da Embrapa Soja, Beatriz Corrêa Ferreira. A pesquisadora fez uma exposição sobre amostragem; mudança na metodologia da técnica do pano de batida; tecnologia de aplicação; acompanhamento do nível populacional; rotação de ingredientes ativos no controle químico, controle biológico e armadilhas.

Para falar sobre comercialização de grãos o convidado foi o assessor de Comercialização da Syngenta, João Reis. Ele abordou o comportamento do produtor na hora de comercializar a safra; o mercado futuro; custo de produção; e a comercialização escalonada.

Ferrugem da soja:

Parcerias auxiliam identificação da doença

PROGRAMAS COMO SOS SOJA, DA BAYER; SYNTINELLA, DA SYNGENTA; MINI-LAB, DA BASF E RADAR, DA ARISTA SÃO FERRAMENTAS DISPONÍVEIS PARA QUE O COOPERADO DA COAMO EXECUTE O BOM CONTROLE DA FERRUGEM ASIÁTICA, COM A CERTEZA DE USO DE PRODUTO E DOSE CORRETOS

Mais uma vez a Coamo sai na frente no auxílio aos seus cooperados para a identificação e controle da Ferrugem Asiática da Soja, doença que pode causar até 80% de perdas na produtividade caso não seja prevenida ou controlada rapidamente e com eficiência. Detectada inicialmente na safra 2000/2001, a ferrugem já foi a responsável por perdas de milhões de reais nas lavouras de soja brasileiras nesses últimos anos. Colaborando para reduzir este volume de perdas, a Coamo, em parceria com empresas fornecedoras, implementou programas de monitoramento no campo, que visam a identificação precoce da doença e disponibiliza as informações e ferramentas certas para o controle, com a certeza de uso de produto e dose corretos, respeitando as boas práticas agronômicas.

As parceiras da Coamo nesta iniciativa são a Bayer, a Basf, a Syngenta e a Arista Life Agroscienses. As empresas estão disponibilizando os programas SOS Soja (Bayer), Syntinella (Syngenta), Mini-Lab (Basf) e Radar (Arista). São ferramentas colocadas à disposição dos cooperados da Coamo para monitorar o comportamento das lavouras de soja; o avanço da ferrugem na região de atuação da cooperativa; épocas mais propicias para o ataque da doença; entre outras informações. “Diante da agressividade da doença e rapidez de disseminação, o controle preventivo e a identificação precoce da doença são fundamentais, bem como o conhecimento da ocorrência de condições climáticas favoráveis para o desenvolvimento da mesma”, afirma o agrônomo Antonio Carlos Ostrowski, supervisor de Assistência Técnica da Coamo.

“A rápida e a correta identificação, através de pessoas treinadas, são serviços prestados aos nossos cooperados através destes programas. Eles geram informações não apenas para o controle da ferrugem da soja, mas também para outras doenças que atacam a cultura, através de equipamentos eletrônicos de última geração”, destaca Ostrowski. Segundo ele, “além dos cooperados, todos ganham com os programas, inclusive a comunidade onde a cooperativa está inserida. Os produtores vão realizar a aplicação quando necessário, utilizando o produto correto, na dose adequada e na forma correta”.

Os programas

SOS Soja – Numa parceria com a Bayer, o programa foi iniciado no ano passado, durante a safra de verão. Foi instalado na Coamo, em Campo Mourão, um laboratório especializado para identificar as principais doenças da parte aérea da soja, especialmente a Ferrugem Asiática. O centro de diagnóstico atende os cooperados de toda a área de atuação da cooperativa. No ano passado, o laboratório analisou 5 mil amostras de folhas de soja. Em todo o País, foram analisadas cerca de 50 mil amostras nos laboratórios do SOS Soja. As informações geradas pelo projeto deram segurança ao produtor rural no momento de decidir sobre a aplicação para o controle da ferrugem. Neste ano, o laboratório está equipado com três microscópios de grande aumento e novos e modernos equipamentos de informática. Os cooperados monitoram as suas lavouras e quando perceberem suspeitas de doenças encaminhar o material para o Departamento Técnico do entreposto onde realiza os seus negócios. Os técnicos da cooperativa enviam o material até o centro de diagnóstico do SOS Soja e depois informam os resultados aos cooperados, em até 24 horas.

Syntinella – No seu terceiro ano, o Syntinella, da Syngenta, consiste no plantio “lavouras cobaias”, 20 dias antes do plantio normal em cada região. Estas áreas serão afetadas primeiramente, no caso de infestação da doença. Assim, é acionado o sistema de alerta para que produtores e técnicos tomem as medidas de controle. Na região da Coamo, são cerca de 30 áreas syntinellas.

Mini-Lab – É um programa da Basf. Trata-se de um equipamento microscópico com uma lupa capaz de ampliar em até 80 vezes o material a ser analisado. Assim, é possível descobrir se há ou não a presença de esporos da ferrugem na folha da soja. O Mini-Lab será instalado pela primeira vez este ano, na Coamo. É, portanto, uma novidade para esta safra e mais uma ferramenta para auxiliar o produtor. Na área de Coamo serão instalados 26 equipamentos, atendendo os principais entrepostos da cooperativa. Os próprios agrônomos do Detec da Coamo foram treinados para operar o Mini-Lab.

Radar – Pelo segundo ano consecutivo a Arista Life Agroscienses disponibiliza, para a região da Coamo, o programa Radar. O sistema utiliza um aparelho eletrônico que lê e mede o tempo de molhamento da folha da soja, por chuva ou orvalho. As informações geradas pelo aparelho vão definir e prever períodos críticos para a ocorrência e disseminação da doença. O programa ajudará a assistência técnica da Coamo e o cooperado a conhecer com antecedência a ocorrência de períodos favoráveis para a infecção e desenvolvimento da ferrugem, para tomar as medidas de controle cabíveis. A exemplo de 2004, para este ano está prevista a instalação de quatro pontos de coleta de dados, na área de atuação da cooperativa.

Clima pode favorecer ataque da ferrugem

FLORESCIMENTO É A FASE DA LAVOURA ONDE HÁ MAIOR ATAQUE DA DOENÇA

Devido às condições climáticas satisfatórias a maioria das lavouras vêm apresentando um bom desenvolvimento. E esta condição, na opinião do engenheiro agrônomo Luiz César Voytena, do Detec da Coamo em Campo Mourão (Centro-Oeste do Paraná), certamente irá refletir numa boa produtividade das culturas, sobretudo a soja. “No entanto, para atingir tal objetivo, não basta apenas um clima favorável. Temos também que nos preocupar com o controle das invasoras, pragas e doenças. E a mais importante doença do momento é a já conhecida Ferrugem Asiática, que apresentou uma expansão significativa em nossa área de atuação nos últimos dois anos”, lembra Voytena.

Segundo o técnico da Coamo, a ferrugem é causada por um fungo muito agressivo. Em condições de temperaturas amenas (entre 16 e 24 graus Celsius) e molhamento (entre 4 a 6 horas de chuva ou orvalho) ela completa seu ciclo num intervalo de 7 a 10 dias. Sendo assim, em pouco mais de uma semana o produtor rural pode ter uma nova geração do fungo na lavoura e, consequentemente, uma nova infecção.

Fase crítica – Nos últimos dois anos, devido basicamente à seca, no geral os ataques não foram tão severos quanto eram esperados. Isto porque o período mais favorável para a infecção das folhas pelo fungo da ferrugem ocorre à partir do florescimento, estágio em que se encontrava a maioria das lavouras atingidas pela estiagem. “Portanto, a fase de florescimento é a mais crítica para a lavoura de soja. Sendo assim, o monitoramento é o melhor caminho para que o produtor possa sair na frente no controle da doença”, garante Voytena.

Por ser um patógeno, que além da soja infecta outros hospedeiros, sendo disperso pelos ventos, os técnicos concluem que o fungo da Ferrugem Asiática se encontra nossa região da Coamo. “A doença já foi identificada no Mato Grosso do Sul e em algumas regiões do Paraná, aguardando apenas o momento mais propício para se manifestar”, revela o agrônomo da Coamo. “Como nesta época já temos muitas lavouras em floração, a recomendação é que os cooperados fiquem atentos. Felizmente temos ótimos produtos disponíveis para seu controle (tanto curativos quanto preventivos). No entanto recomendamos ao produtor um efetivo monitoramento na lavoura, pois a ferrugem é uma doença rápida e agressiva, não permitindo erro no momento de controle”, completa Voytena.

Café:

Cooperados preparam safra “cheia”

Neste ano a grande maioria das lavouras de café estão preparadas para uma safra “cheia”. As plantas produziram o máximo possível de flores e a alta carga de frutos vai exigir do solo uma grande quantidades de nutrientes. Para atender esta demanda, o solo deve estar devidamente adubado para oferecer os minerais necessários para a formação dos frutos.

O agrônomo João Roberto Juliani, responsável pelo Detec da Coamo em Araruna (Centro-Oeste do Paraná), diz que além da adubação, o produtor também deve ficar atento para o aspecto fitossanitário das lavouras. “Nesse período é necessário que as plantas estejam livres de pragas e doenças”, comenta, preocupado com a “praga mineira”, que realiza a ovoposição na face inferior das folhas. A eclosão dos ovos dá origem a uma larva que penetra na folha, ocasionando a queda das folhas. O ataque ocorre principalmente entre os meses de setembro e março, sendo preferencial os períodos de temperaturas elevadas, associados à estiagem.

Outra praga preocupante, segundo Juliani, é a “broca dos frutos”, que ataca o fruto depois de formado, perfurando os grãos para postura de ovos e alimentação, afetando drasticamente a qualidade e o rendimento do produto final. O ataque ocorre principalmente entre os meses de dezembro e março.

Ferrugem – E dentre as doenças que infestam os cafezais, a “ferrugem” é a mais severa. Os sintomas do ataque são pústulas, de cor alaranjada, na face inferior da folha. Com o ataque, ocorre a queda das folhas que implicará diretamente na formação dos frutos. A principal via de disseminação do fungo, de uma área para outra, é o vento. Os sintomas aparecem de 7 a 15 dias após a penetração. Temperaturas baixas inibe o desenvolvimento do patógeno.

“O sistema adensado apresenta condições mais favoráveis à ferrugem em comparação com o plantio tradicional. Devido ao microclima, também há grande diferença de suscetibilidade conforme a região cafeeira”, alerta o agrônomo Givanildo Roque Furlanetto, do Detec da Coamo em Araruna. Ele diz que durante o ciclo produtivo anual do café, há períodos mais ou menos favoráveis à ferrugem. “No inverno e primavera, devido às condições climáticas e a menor suscetibilidade das folhas à penetração do fungo, a doença se mantém sobre controle. A partir de dezembro este quadro se inverte e a ferrugem inicia a infestação nas folhas novas. Em janeiro a infecção evolui geometricamente atingindo a infestação máxima no outono (se não for feito o controle). Este quadro pode variar de acordo com o ano e a região cafeeira. É bom lembrar que os cafeeiros ficam muito mais suscetíveis à ferrugem em anos de alta produção. Isto se deve ao deslocamento das reservas da planta para a frutificação”, preconiza.

O prejuízo causado pela ferrugem, segundo os técnicos da Coamo, ocorre pela redução da área foliar provocada pelas lesões e principalmente pela queda de folhas, o que reduzirá a produtividade. O prejuízo é maior na safra seguinte pelo reduzido pegamento de flores e frutos. Na mesma safra podem ocorrer perdas (principalmente se o ataque for precoce e intenso) pela redução do tamanho dos frutos e aumento dos frutos chochos e mal granados, o que também trás prejuízos à qualidade do café. A desfolha deixa as plantas muito mais suscetíveis ao dano da geada, pois os ramos, onde se localizam as gemas que darão origem aos frutos, ficam mais desprotegidos.

Milho:

Preservando a qualidade na colheita

CUIDADOS BÁSICOS GARANTEM MAIOR REDIMENTO DO TRABALHO E EVITA DANOS AO GRÃO

Na região da Coamo, o trabalho de recolhimento da safra de verão começa a partir do final de janeiro. O milho é a primeira lavoura a ser colhida. Com as máquinas à campo, todo o cuidado é pouco para preservar a qualidade dos grãos e garantir a recompensa por tanta dedicação com a cultura. A falta de cuidados básicos durante a colheita do cereal pode prejudicar o rendimento do trabalho e facilitar o ataque de fungos, por danos causados aos grãos.

Para o engenheiro agrônomo Marcílio Yoshio Saiki, responsável pelo Detec da Coamo em Campo Mourão (Centro-Oeste do Paraná), a manutenção da qualidade intrínseca do grão é o objetivo de uma boa colheita. “A mecanização da colheita é um grande benefício para o agricultor. Porém, uma regulagem inadequada do maquinário ou falta de profissionalismo do operador pode causar danos ao produto. E esta condição pode servir de porta de entrada de doenças no grão”, orienta Saiki. Ele diz, ainda, que “se o grão for destinado a produção de semente, haverá redução da germinação; se for para a indústria, dependendo do tamanho da quebra, o mesmo será considerado impureza (pois não é possível separar das impurezas) e, com isto, não sendo remunerado e às vezes gerando um custo maior para o beneficiamento do produto”.

No caso do milho, a quebra de grãos produzirá resíduos de vários tamanhos e alguns grãos que permanecerem inteiros poderão ter o pericarpo (casca da grão) rompidos. Assim, eles se tornam vulneráveis a doenças indesejáveis para o consumidor final de milho. “Sabemos que doenças como o Aspergillus e Fusarium, são indesejáveis no produto final, pois podem causar doenças nos animais que consumirão o produto. Já o milho quebrado, conhecido como ‘quirera’, terá um deságio no seu preço. Dependendo do tamanho da quebra, o produtor poderia evitado este deságio com uma boa regulagem da colheita”, salienta Saiki.

Regulagem – Para preservar a qualidade do produto no momento da colheita um dos passos mais importantes é a regulagem adequada da colheitadeira. Uma das causas mais freqüentes da quebra de grãos é a rotação excessiva do cilindro, aliado a pouca abertura do côncavo. Isto facilita a debulha, mas prejudica a qualidade.

Armazém de campo – A cultura do milho, quando atinge a maturação fisiológica, já completou o enchimento de grãos e se não fosse a alta umidade do grão, seria o momento da colheita, uma vez que a partir deste momento o produto fica armazenado no campo para a perda de água. “Mas não podemos deixar muito tempo no campo, pois pode haver quebra de plantas e ataque de pragas que prejudicam a colheita e a qualidade do produto”, afirma o agrônomo.