Como tradicionalmente acontece ao final de cada ano, no dia 02 de dezembro, em Curitiba, a Ocepar – Organização das Cooperativas do Estado do Paraná, e Sescoop – Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo, promoveram o Encontro Estadual de Cooperativistas Paranaenses 2005. O evento, realizado no auditório da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), reuniu mais de mil lideranças de várias regiões e cooperativas do Estado. Entre os objetivos do evento estiveram a avaliação do ano e o fortalecimento do sistema cooperativista do Paraná. A solenidade de abertura foi prestigiada pelo vice-governador e secretário da Agricultura, Orlando Pessuti; senador Osmar Dias; secretário estadual da Indústria, Comércio e Assuntos do Mercosul, Virgílio Moreira Filho; pelos deputados federais Moacir Micheletto, Abelardo Lupion, Ricardo Barros e Eduardo Sciarra; deputado estadual Élio Lino Rush; secretário municipal de Abastecimento, Antônio Poloni; presidente do Sistema Fiep, Rodrigo Rocha Loures; Darci Piana, presidente da Fecomércio; entre outras autoridades, lideranças e diretores da Ocepar.

Ano diferente – Para presidente da Ocepar, João Paulo Koslovski, 2005 foi um ano diferente dos anteriores registrando muitas adversidades e uma combinação de fatores como queda da receita nas exportações, aumento dos custos de produção, clima desfavorável e redução nos preços dos produtos agropecuários, que prejudicou o agronegócio e a economia nacional. Koslovski afirma que a redução na renda no agronegócio repercute diretamente nos demais ramos do cooperativismo, seja de crédito, transporte, infra-estrutura, saúde ou trabalho. Segundo ele, devido a expressão do cooperativismo paranaense, o grupo interministerial do governo está estudando as reivindicações do cooperativismo e deverá apontar soluções para diversas questões de interesse das cooperativas, entre as quais o ato cooperativo. “Esse encontro mostra a força do nosso cooperativismo, um setor muito importante para o desenvolvimento da economia do nosso Estado. Agradecemos a todos os cooperativistas pelo empenho e dedicação na construção de um cooperativismo mais sólido”, salienta o presidente do Sistema Ocepar.

Troféu Ocepar – A cada edição do evento são homenageadas personalidades de dentro ou fora do sistema que contribuem de forma relevante para o desenvolvimento do cooperativismo do Paraná. Neste ano, a Ocepar fez duas homenagens entregando o Troféu Ocepar a Lindamir Terezinha Quech, do Banco Regional do Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) e a Luiz Carlos Palmquist, diretor de Administração e Estratégia da Unimed Brasil. Conforme Koslovski, “a homenagem à Lindamir, funcionária do BRDE há 27 anos, foi concedida em reconhecimento à atenção que ela tem dado ao sistema cooperativista”. Em seu agradecimento, Lindamir ressaltou a função social e o desenvolvimento propiciado pelas cooperativas. “Entendo ser o cooperativismo o melhor instrumento de promoção e desenvolvimento econômico e social”, frisa.
Mérito Cooperativo – Ainda durante o encontro, a Ocepar concedeu duas Medalhas do Mérito Cooperativo. Elas foram entregues aos colaboradores Maria Renilda Gavlak Barbosa e Nelson Costa. A Medalha do Mérito Cooperativo foi instituída pela diretoria da Ocepar em 1999, a ser concedida em reconhecimento a pessoas que prestam importantes serviços ao cooperativismo.
Em reconhecimento ao importante trabalho realizado pelos Agentes de Desenvolvimento Humano das Cooperativas, a Ocepar também prestou homenagem a profissionais de três cooperativas do estado. Eles foram indicados através de voto secreto e direto. Antonio César Marini, chefe do Departamento de Seleção e Desenvolvimento de Pessoal da Coamo e representante dos Núcleos Norte e Noroeste, foi homenageado com troféu entregue pelo presidente da Ocepar, João Paulo Koslovski e Sérgio Luiz Panceri, vice-presidente da Coamo e da Ocepar.
A homenagem foi prestada como forma de reconhecimento pela atuação de Marini nas atividades de treinamento e promoção social do Sescoop-PR, consideradas como imprescindíveis para o bom andamento dos programas para formação de milhares de pessoas. Também receberam homenagens Altiva Aparecida Salles (Agrária) e Arlita Terezinha Matté Zanina (Frimesa).
Na Coamo – Somente esse ano, com o apoio do Sescoop-PR, a Coamo promoveu até o mês de novembro, 270 eventos com a participação de 5 mil treinandos. Os eventos foram realizados voltados ao conhecimento, desenvolvimento, qualidade e profissionalização de funcionários, cooperados e familiares. Segundo Antonio Marini, “a Coamo capacita anualmente mais de 10 mil treinandos e o Sescoop tem participado ativamente desse processo”.
Qualidade no atendimento – Investir no desenvolvimento humano faz parte da estratégia da Coamo para ampliar a qualidade de vida do seus funcionários e propiciar uma maior qualidade no atendimento e satisfação dos seus cooperados. O presidente da Coamo, José Aroldo Gallassini, faz questão de manter os projetos que valorizam o profissionalismo, administrando a cooperativa como uma empresa. “Estamos sempre buscando o desenvolvimento e a melhoria gradual e contínua dos nossos funcionários e cooperados. O grande interesse e os resultados demonstrados pelos nossos funcionários e cooperados mostram que estamos no caminho certo na promoção de diversos eventos visando atender as necessidades das diversas áreas da cooperativa. Esses eventos têm o apoio do Sescoop-PR, resultando em benefício direto a milhares de pessoas”, conclui o presidente da Coamo.

Durante a abertura do evento cooperativista, autoridades usaram da palavra para destacar a importância do cooperativismo paranaense como agente de desenvolvimento econômico e social de milhares de pessoas. Em seu pronunciamento, o deputado federal Moacir Micheletto, presidente da Frente Parlamentar da Agricultura, parabenizou a Ocepar pelo trabalho realizado que segundo ele, “a coloca entre as mais importantes entidades representativas do cooperativismo brasileiro”. Micheletto disse também que o momento atual deve ser de reflexão diante dos diversos problemas que o setor do agronegócio vem enfrentando.

Queda do PIB – O senador Osmar Dias falou em nome dos parlamentares presentes. Ela afirmou que a crise que se abate sobre a agricultura culminou com a queda do PIB brasileiro em 1,2% e da agropecuária em de 3,4 %. O senador paranaense apontou a crise política atual como principal responsável pela queda do PIB brasileiro e reclamou da falta de solução a problemas antigos, como a não votação de emenda de sua autoria que considera a mata ciliar integrante da reserva legal para efeito de legislação. Lembrou também das promessas de campanha de Lula quanto à instituição do seguro rural. “Cadê o seguro?”, perguntou. Dias disse ter plantado sua safra sem ter feito o seguro, como tantos agricultores. “Mas se der uma estiagem, vai haver uma quebradeira”, alertou, chamando a atenção para os sérios problemas de preços dos produtos no mercado, especialmente na soja, no milho, muito abaixo do custo de produção. Também no seu pronunciamento Osmar Dias criticou a proibição da exportação de produtos OGMs pelo Porto de Paranaguá, afirmando que “ninguém é maior do que a lei”.
Virtudes e problemas – O vice-governador e secretário da Agricultura do estado do Paraná, Orlando Pessuti, disse aos cooperativistas que o governo tem “problemas e virtudes”. Enumerou entre os benefícios concedidos ao setor produtivo a redução do ICMS do trigo, equiparando a alíquota à estabelecida pelo governo de São Paulo, a redução do tributo para os produtos da cesta básica e da tarifa portuária para internação de produtos, para fazer frente à guerra fiscal promovida por Santa Catarina. No momento em que afirmou que o governo nunca proibiu o plantio de transgênicos o público se manifestou com vaias, desaprovando a afirmativa, já que o governo do Estado coibiu, ameaçou e multou agricultores que plantaram transgênicos, além de ter impedido o seu transporte e exportação por Paranaguá.
