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Órgão de divulgação da COAMO Agroindustrial Cooperativa | Edição 348 | Dezembro de 2005 | Campo Mourão - Paraná

Opinião

Editorial:

2005, ano atípico na agricultura brasileira

ENGENHEIRO AGRÔNOMO JOSÉ AROLDO GALLASSINI, DIRETOR-PRESIDENTE DA COAMO

Fazendo uma retrospectiva desse ano que se finda, podemos concluir que este foi um dos períodos mais difíceis enfrentados pela agricultura brasileira, resultando em uma da piores crises do agronegócio ao longo dos últimos dez anos.

As dificuldades foram grandes, prejudicando drasticamente a receita dos agricultores, motivadas por quatro fatores. O primeiro deles foi a queda significativa dos preços das comoddities nos mercados interno e externo. A Bolsa de Chicago caiu de US$ 10,60 por bushel para US$ 4,60 no pior período e agora, chegou ao patamar de US$ 5,80 representando um redução de mais de 50% nos preços dos produtos no mercado internacional.

A desvalorização do dólar foi o segundo fator determinante para a difícil situação que estamos vivendo; no auge dos excelentes preços obtidos pela soja no ano passado com R$ 52,00 a saca, o dólar esteve cotado a R$ 4,00 e depois caiu vertiginosamente para patamares de US$ 2,16, a exemplo do preço da soja, para níveis de R$ 23,50 com perdas de 50% no valor em real.

São perdas significativas que provocaram a descapitalização dos produtores brasileiros, já que plantamos nossas lavouras com custos de dólar a US$ 3,15, US$ 3,20 e quando colhemos nossa produção a moeda norte-americana estava cotada a US$ 2,16, US$ 2,30, fato este que provocou queda violenta nos preços de mercado e, conseqüentemente, redução direta na comercialização da produção com perda de renda, em razão da política econômica praticada pelo governo.

Outro problema enfrentado pela agricultura brasileira ao longo deste ano que também colaborou decisivamente para a gravidade da situação atual foi a forte estiagem da safra 2004/05 que, já no ano passado, foi responsável por perdas expressivas na colheita, que somente foram compensadas pelos altos preços da commodities, a soja atingido picos de R$ 52,50, jamais vistos na história da nossa comercialização. E mesmo assim, muitos produtores não fixaram suas produções, deixando de vender na hora certa acreditando que os preços seriam ainda mais altos.

Desta forma somando-se todos esses fatores, o cenário atual apresenta produtores descapitalizados e por extensão, a existência de graves problemas que estão afetando diretamente toda a cadeia produtiva do agronegócio brasileiro.

A Coamo por sua vez, sempre atenta as necessidades dos seus cooperados, intensificou o seu trabalho de defesa reivindicando soluções ao governo e entidades, logrando êxito na locação de recursos do FAT que possibilitaram a prorrogação das dívidas dos cooperados para pagamento num prazo de 2 anos. Foi uma grande conquista da Coamo que beneficiou os cooperados que estavam com necessidades e que mais uma vez encontraram na sua cooperativa o suporte indispensável para apóia-los e resolver seus problemas. Este benefício só foi conseguido pela Coamo em razão da sua situação de estabilidade econômica-financeira, podendo assim, repassar esse crédito aos seus cooperados, principalmente, num momento tão preocupante como o que o nosso setor está enfrentando.

O que sabemos fazer é plantar e isso nós já fizemos nessa safra; agora, precisamos torcer por chuvas regulares para um bom desenvolvimento das lavouras e esperar por boas colheitas para que possamos superar os problemas com uma retomada da nossa agricultura no Ano Novo.

Em 2005 a agricultura praticamente virou de cabeça para baixo, não só a agricultura, diga-se de passagem, mas o agronegócio como um todo. Tivemos problemas não só nos grãos, mas também no algodão e mais recentemente, o setor pecuário foi surpreendido com a confirmação da febre aftosa nos estados do Mato Grosso do Sul e no Paraná, que está afetando diretamente a comercialização de carne bovina, suína e de frango, tendo em vista os embargos dos países compradores que resultam em grandes prejuízos para os pecuaristas e economia nacional.

Enfim, estamos encerrando 2005 com problemas de toda ordem, um verdadeiro desastre. Este é um ano que os produtores e a agricultura brasileira querem esquecer, com a esperança de voltar o mais breve a conviver com um outro cenário, repleto de produtividades e renda.

Mesmo com todas essas graves dificuldades que certamente provocará reflexos ainda nos próximos anos, não podemos desanimar, mas sim fazer a nossa parte e torcer para boas safras e preços satisfatórios, pois como sempre afirmo, uma boa safra pode resolver todos os nossos problemas. Então vamos continuar sendo otimistas e torcer também para que no Ano Novo o governo mude a sua política econômica em benefício da cadeia produtiva para solucionar todos os entraves que prejudicaram a nossa agricultura neste ano atípico..

E neste momento em que as famílias se unem para celebrar o ano que está preste a se encerrar e desejar boas-vindas ao Novo Ano, com satisfação tivemos o privilégio de mais uma vez, como aliás tem sido ao longo dos 35 anos da Coamo, proporcionar um pouco mais de alegria à família Coamo com a distribuição de R$ 15,5 milhões como antecipação das sobras do exercício 2005. As sobras são dinheiro extra, bem-recebido, especialmente num ano de dificuldades como este, que faz a diferença para os cooperados da Coamo, exemplos de participação e dedicação no cooperativismo e agronegócio brasileiro.

Por tudo isso, temos mais motivos para agradecer do que pedir. Agradecer primeiramente a Deus pela fé, sabedoria, força e energia concedida ao longo de mais um ano; agradecer aos nossos cooperados pela confiança, união, trabalho e entusiasmo na vida da sua cooperativa; agradecer aos nossos companheiros de diretoria, membros dos Conselhos de Administração e Fiscal, e Comitês Educativos; aos nossos funcionários pela dedicação e qualidade nos serviços realizados; aos nossos clientes e fornecedores; enfim, a todos que de uma forma ou de outra colaboraram para o sucesso da Coamo em 2005, desejando-lhes um Feliz Natal e um Ano Novo com muita paz, saúde, amor e prosperidade, com a conquista de boas produtividades, renda e qualidade de vida para todos.