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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 357 | Dezembro de 2006 | Campo Mourão - Paraná

Diversificação

Várias atividades, apenas um conceito

Ao investir em diversas opções o agricultor reduz riscos da monocultura e faz uso mais mais intensivo da propriedade rural

Produção o ano todo. É assim, com a diversificação de atividades, que se reduz riscos do produtor rural depender apenas de uma cultura e permite o uso mais intensivo da área. O cooperado Delfino Antonio Nespo, de Boa Esperança (Centro-Oeste do Paraná), faz da diversificação uma estratégia de trabalho.  Agricultor tradicional, ele revela que sempre trabalhou na lavoura, principalmente de café, mas em razão das várias perdas que computou ao longo dos anos em razão das geadas resolveu partir para outras alternativas. Hoje, na propriedade de 10 alqueires, são inúmeras as atividades que ele explora, com a ajuda de um funcionário.

A área  de Nespo é divida em seis alqueires de lavoura, dois de pastagem e outros dois destinados à produção de hortaliça e frutas. Ele também cria galinhas e gado de leite.

A produção da horta é dividida entre alface, cebola, tomate e alho. No pomar, o que predomina são os pés de laranja. O galinheiro garante a produção de ovos, e o leite do gado, a de queijo. “Tudo é comercializado. Não sobra nada!”, afirma Nespo. “Além dos supermercados, que recebem a nossa produção, vendemos boa parte dela na Feira do Produtor”, explica.

Parceria forte – O que não falta na propriedade é trabalho. “Temos o que fazer nos 30 dias do mês. A diversificação é responsável pelo aproveitamento da demanda da nossa mão-de-obra”, comenta o cooperado, agradecido pelo suporte que recebe da Coamo. Ele valoriza a cooperativa e a parceria firmada com ela há mais de 20 anos. Para Nespo, a Coamo tem sido fundamental no seu desenvolvimento e vem dando sustentação para a sua atividade. “Sozinho, o produtor rural não consegue sobreviver. A Coamo tem me ajudado muito e sempre que preciso sou bem atendido. Tenho assistência técnica constante e de primeira qualidade”, elogia.

O engenheiro agrônomo Fabrício Correia, do Detec da Coamo em Boa Esperança, enaltece o trabalho desenvolvido pelo cooperado e diz que ele é um dos bons exemplos da região. “A diversificação ajuda a incrementar a renda na propriedade, principalmente em áreas pequenas como a do ‘seo’ Delfino Nespo. Se uma cultura vai mal a outra sempre complementa e isso garante a sustentabilidade de todo o sistema”, ensina.

No esque adotado pelo cooperado não há espaço somente para trabalho duro. Ele confessa que mexer com a terra, cuidar das criações e colher a produção também é muito prazeroso, uma espécie de terapia. “Só não fico mais contente porque tenho de sair muito para comercializar os produtos. Por mim ficaria aqui o tempo todo. Isto me tráz muita paz”, revela o agricultor.

Diversificação em família

Outro exemplo de diversificação eficiente é o do cooperado Carlos Bukoski, de Moreira Sales (Noroeste do Paraná). Filho de agricultores, ele vem de uma família de quatro irmãos. E diversificar sempre foi uma prática comum na sua família. “Como meus irmãos, aprendi a diversificar o sítio com o meu pai”, lembra.

Bukoski cultiva 55 alqueires de área, que divide entre soja (que ocupa a maior parte), feijão, mandioca e café. O milho verão, segundo ele, entrará no sistema de produção no próximo ano. No inverno, a área é ocupada pelo trigo, milho safrinha, feijão e aveia para cobertura do solo.

O produtor também cultiva hortaliça e frutas, e cria suínos, gado de corte. “Até arroz produzimos aqui. O que sobra, e quando sobra, nós vendemos; mas o objetivo é produzir para o nosso consumo”, explica.

Tecnologia – No sítio de Bukoski, uma lição é seguida à risca: o cooperado não abre mão da tecnologia. Na safrinha de milho deste ano, por exemplo, ele usou um bom pacote tecnológico e colheu uma média de 180 sacas por alqueire. Outra cultura que surpreendeu foi o feijão, que mesmo com toda seca do período, teve ótima qualidade.

No verão passado, apesar da estiagem, a produtividade média da soja foi de 112 sacas por alqueire, em 51 cultivados.

Contente com os resultados, Bukoski diz que graças à diversificação ele conseguiu superar a crise que se instalou na agricultura nos últimos anos. Associado à Coamo há dois anos, ele lembra que está satisfeito com a cooperativa. “É muito bom trabalhar com a Coamo. Ela faz o meu estilo: gosto de tudo muito correto e a Coamo também. Por isso estou satisfeito”, comenta o cooperado, que elogiou também a assistência técnica da cooperativa.

O engenheiro agrônomo José do Lago, do Detec da Coamo em Moreira Sales, informa que a tecnologia empregada pelo cooperado é de primeira e tem feito a diferença no seu sítio. “Não adianta diversificar e não investir neste sistema”, valoriza.