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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 357 | Dezembro de 2006 | Campo Mourão - Paraná

Editorial

Depois da tempestade, a bonança

Engenheiro agrônomo José Aroldo Gallassini, idealizador e diretor-presidente da Coamo Agroindustrial Cooperativa

Com a graça de Deus, muito trabalho, determinação e uma administração voltada para os interesses dos associados, tivemos a oportunidade de distribuir, no dia 13 de dezembro, parte das sobras do exercício 2006. Este é um momento muito aguardado, que vem sendo tradição ao longo dos 36 anos de sucesso da Coamo.

A possibilidade de existência de sobras – chamada de “lucro” nas empresas mercantis, a cada final de ano como antecipação e complementada no primeiro trimestre de cada ano, é motivo de orgulho e retrata a solidez da Coamo. E isto só é possível porque a Coamo conta com associados fiéis aos princípios do cooperativismo e da sua cooperativa, que no dia-a-dia dela participam ativamente, seja no abastecimento de insumos, na entrega da produção, ou nos inúmeros eventos técnicos, educacionais e sociais, que geram a melhoria das condições de vida da família cooperada da Coamo. Por isso, todos estão de parabéns e comemorando mais uma vez os frutos do trabalho e da cooperação em prol do bem comum.

Estamos encerrando 2006, que se fosse uma partida de futebol, poderíamos afirmar que teve dois tempos distintos. E felizmente, está terminando muito bem, acenando com uma promissora safra 2006/07. No primeiro tempo (semestre) sofremos diretamente os impactos da estiagem, desvalorização cambial e dos altos custos de produção na agricultura, aliados a ocorrência das doenças febre aftosa e gripe aviária, que tiraram o sono de milhares de produtores provocando grandes prejuízos.

Assim, diferente dos anos anteriores com boas safras e preços, a agricultura enfrentou este ano um dos períodos mais difíceis da sua história em face da grande estiagem dos últimos três anos, responsável pelo grande endividamento dos produtores. Também, a questão da política econômica do governo em valorizar o real prejudicou não só a agricultura, mas toda a economia brasileira, principalmente os exportadores.

Por sua vez, a Coamo esteve atenta aos problemas e na defesa dos interesses dos seus 19.700 cooperados e reivindicou fortemente junto ao governo federal, pedindo solução para que fosse resolvida a grave crise da agricultura brasileira. Participamos de forma organizada da grande mobilização nacional denominada “O Grito do Ipiranga”, realizada dia 16 de maio nos principais estados produtores do país com presença de milhares de produtores rurais e adesão de importantes setores da sociedade, obtendo grande repercussão junto ao governo federal.

Como resultado da mobilização, o governo anunciou dia 25 de maio medidas emergenciais e estruturais que se não atenderam plenamente as necessidades do setor agrícola, foram importantes para resolver o problema da liquidez dos produtores rurais brasileiros. Como resultado concreto, eles puderam prorrogar automaticamente suas dívidas do custeio da safra 2005/06 para até cinco anos, bem como os investimentos que foram prorrogados para um ano após a última parcela do custeio.

Uma das grandes lições deste ano atípico é a constatação de que a agricultura brasileira está vivendo uma nova realidade, exigindo maior profissionalismo e planejamento dos produtores. Assim, cada produtor pode analisar sua situação e rever conceitos e atitudes no sentido de evitar excessos e até mesmo a prática dos erros anteriores. Uma outra lição é a de que os produtores necessitam mudar sua cultura de comercialização e efetuar as vendas da sua produção em função dos custos da lavoura.

O segundo tempo (semestre) do jogo neste ano apresentou uma retomada e possibilidade de vitória, após um primeiro semestre de muitas dificuldades. Destacamos a conquista da Coamo que, junto ao governo, obteve o Fat Giro Rural, com recursos de R$ 130 milhões para alívio de cerca de 2 mil cooperados que foram contemplados dentro das exigências das normas que alongaram suas dívidas com prazo de até cinco anos. O Fat Giro possibilitou maior fôlego e representou uma solução para os problemas dos débitos dos cooperados com a cooperativa, dando alívio para o início da safra 2006/07.

Promovemos com muito sucesso o Plano Safra 06/07 para os nossos cooperados, com  custos dos insumos mais baixos em relação ao ano anterior na ordem de 25 a 30% para satisfação dos cooperados. Assim, otimistas e pensando na recuperação da sua renda, os produtores planejaram e semearam a nova safra sem redução dos investimentos e de tecnologia, buscando alcançar o máximo do potencial produtivo das lavouras. Além é claro de torcer muito pela regularidade no clima e lucratividade na atividade.

Uma das novidades da Coamo no segundo semestre foi o lançamento de mais um importante programa para apoiar seus cooperados na busca de bons resultados: Programa Coamo de Aperfeiçoamento em Gerenciamento Rural, o programa “Na Ponta do Lápis”. O programa foi bem aceito pelos cooperados e familiares que estão preenchendo os seus cadernos de anotações com os custos de produção e das despesas invisíveis que englobam as despesas da propriedade e familiar. Os produtores precisam conhecer cada vez mais o seu negócio e para isso, faz-se necessário a prática eficaz da administração e do gerenciamento da sua propriedade para o sucesso e a sustentabilidade da atividade agrícola.

As condições favoráveis das lavouras com desenvolvimento satisfatório e a elevação dos preços dos produtos agrícolas nos últimos meses animaram os produtores neste final de ano. Esperamos virar este jogo e celebrar a vitória da produção com lucratividade para a recuperação da agricultura. Desta forma, os produtores estão fazendo a sua parte e ao mesmo tempo, torcendo para que a agricultura volte a normalidade com regularidade de clima e preços.

Agradecemos a Deus por mais um ano de sucesso da nossa cooperativa, que apoiou os cooperados através de inúmeras ações. Agradecemos o trabalho e a confiança dos nossos cooperados, funcionários e familiares, com fé e esperança visando que o momento desfavorável vivido nos últimos anos possa ser definitivamente superado através de uma nova e promissora safra 2006/07. Assim, iremos comemorar novamente os bons resultados da nossa produção, do nosso cooperativismo e do agronegócio brasileiro. Desejamos um feliz e abençoado Natal, e um próspero Ano Novo com muitas realizações para todos: cooperados, funcionários, clientes, fornecedores ao lado dos seus respectivos familiares.