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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 357 | Dezembro de 2006 | Campo Mourão - Paraná

Entrevista

Cooperação desenvolve o agronegócio

O presidente do Sistema Ocepar, João Paulo Koslowski, diz, em entrevista ao Jornal Coamo, que o setor tem dois grandes projetos para 2007: a captação de recursos externos e a garantia de renda mínima para amparar a produção brasileira

Jornal Coamo – O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, foi homenageado com o troféu Ocepar no Encontro Estadual de Cooperativismo e na ocasião fez muitos elogios à Ocepar pelo seu bom desempenho à frente do agronegócio. Como a Ocepar recebe esta manifestação?

João Paulo Koslovski – Muito bem. Esses elogios são estímulos e mostram que estamos no caminho certo. O ministro Paulo Bernardo tem sido um parceiro do cooperativismo. Nós conseguimos resolver uma série de questões graças ao apoio do ministro. Efetivamente ele é uma pessoa que faz as coisas acontecerem. É um paranaense e isso tem ajudado muito o nosso Estado.

JC – Qual é o principal desafio do cooperativismo no momento?

Koslovski – Temos vários problemas e algumas medidas estruturantes que ficaram pendentes, mas o ponto mais importante que queremos neste momento é a aprovação da nova Lei do Cooperativismo. Há um comprometimento do próprio Presidente da República. Na reunião que fizemos este ano em Foz do Iguaçu ele se comprometeu a retirar a vertente ideológica da discussão da Lei. E a boa notícia que o ministro Paulo Bernardo nos deu é que o governo retirou o seu projeto enviado para o Senado. Isso é muito importante, porque abre caminho e dá um novo alento para que esta lei, um antigo sonho do sistema, possa ser votada 2007.

JC – Que avaliação pode ser feita do ano de 2006?

Koslovski – Foi um ano realmente muito difícil. O Paraná perdeu em duas safras 13 milhões de toneladas e isso significa menos renda no interior; dificuldades no comércio e na indústria; enfim: em todos os setores. Tivemos um primeiro semestre muito difícil com várias ações para renegociação de dívidas e conseguimos algumas medidas emergenciais. Mas, no segundo semestre as coisas estão bem melhor. Tivemos melhoria nos preços das commodities e estamos com boas perspectivas para o próximo ano.

JC – Quais são as previsões para as exportações das cooperativas paranaenses em 2007?

Koslovski – Felizmente, os números já começam a melhorar. Devemos aumentar o nosso faturamento nas exportações para US$ 850 milhões no próximo ano, bem acima dos US$ 680 milhões realizados em 2006. Desta forma, estamos recuperando parte do que perdemos em dois anos.

JC – Quais são as perspectivas do setor agrícola o próximo ano?

Koslovski – Vamos continuar trabalhando fortemente tanto a nível de governo do estado como federal. Mas temos dois grandes projetos para 2007. O primeiro é a aprovação de um projeto de captação de recursos externos, que foi iniciado em 2006 para atender as necessidades do agronegócio na ordem de US$ 15 milhões. O segundo é o projeto da garantia de renda mínima, envolvendo um aperfeiçoamento do seguro rural, com volumes de recursos para amparar a comercialização e sobretudo, com recursos para que o agricultor possa ter uma garantia efetiva do preço mínimo. Estes instrumentos estão sendo discutidos dentro dessa proposta de renda mínima. Acreditamos que possamos aprovar agora em 2007. A nível da agricultura familiar este projeto já foi aprovado. Agora a questão é ampliar para os demais produtores e a Ocepar vai trabalhar muito nesse sentido.

JC – Como estão as tratativas visando uma maior participação das cooperativas nas linhas de financiamentos do BNDES? 

Koslovski – Estamos trabalho junto ao BNDES para inclusão das cooperativas em todos os programas de financiamentos, já que o BNDES tem linhas em que as cooperativas não estão participando. Queremos também ter a aprovação do programa de capitalização das cooperativas agropecuárias e isto está muito próximo de ser conquistado. Está faltando somente alguns detalhes com relação à equalização das taxas de juros. O governo queria colocar uma taxa de juros com TJLP + 5%, achamos muito caro e estamos rediscutindo essa questão para viabilizar o programa.