Passada a época de estabelecimento da lavoura da soja, a preocupação dos produtores, agora, é com o desenvolvimento vegetativo e reprodutivo das plantas. E é justamente neste momento que a necessidade de água para a cultura vai aumentando, atingindo o máximo de exigência hídrica durante a floração e o enchimento de grãos. Nesta fase, segundo o agrônomo João Francisco Pazda Júnior, encarregado do Detec da Coamo em Ivaiporã (Vale do Ivaí, no Paraná), a planta consome entre 7 a 8 milímetros de água ao dia. Este volume vai diminuindo após o período de floração e enchimento de grãos.
"Se ocorrer um déficit hídrico durante este período certamente haverá alterações fisiológicas na planta, como: enrolamento e queda prematura de folhas e de flores, e abortamento de vagens. A conseqüência destes fatores será a queda do potencial produtivo", alerta o técnico.
A temperatura é outro fator determinante para que a soja tenha um bom desempenho. "A cultura se estabelece melhor quando os termômetros apontam médias entre 20 a 30 graus centígrados", afirma Pazda Júnior. Temperaturas muito baixas ou muito altas podem prejudicar a taxa de crescimento das plantas, com distúrbios na floração e diminuição da capacidade de retenção de vagens. "O agricultor também deve se preocupar com o ataque de pragas e doenças que ocorrem durante todo ciclo como: a lagarta da soja; a falsa medideira e broca das axilas, que atacam durante a fase vegetativa até a floração. E com o início da fase reprodutiva surgem os percevejos, que causam danos desde a formação das vagens até o final do desenvolvimento das sementes", alerta.
São mais de 40 doenças podem afetar a soja durante o período vegetativo, limitando a obtenção de altos rendimentos. "A importância de cada doença varia de ano para ano e de região para região, dependendo das condições climáticas de cada safra", explica o agrônomo da Coamo, acentuando que as perdas anuais de produção por doenças são estimadas em até 20%.
O sistema de rotação de culturas traz uma série de vantagens para a safra de verão. Segundo o engenheiro agrônomo Carlos Romero Balreira, do Detec da Coamo em Campo Mourão (CentroOeste do Paraná), "uma boa rotação de culturas deve permitir uma rotação de herbicidas, ou seja, alternar culturas monocotiledonares (folha estreita) e culturas dicotiledonares (folha larga). E, caso esta prática seja conduzida de maneira adequada e por um período suficientemente longo, ela implicará na melhoria as características físicas, químicas e biológicas do solo, auxiliando no controle de plantas daninhas, doenças e pragas, além de repor matéria orgânica e proteger o solo da ação dos agentes climáticos".
O técnico da Coamo diz que para se obter a máxima eficiência, na melhoria da capacidade produtiva do solo, o planejamento da rotação de culturas deve considerar, preferencialmente, plantas comerciais, como a soja e o milho, e sempre que possível, associar espécies que produzam grandes quantidades de biomassa e de rápido desenvolvimento, cultivadas isoladamente ou em consórcio com culturas comerciais. Também é necessário que o produtor utilize todas as demais tecnologias a sua disposição. "Pesquisas realizadas pela Embrapa concluíram que uma cobertura espessa de palha (2 a 3 centímetros) auxilia no controle da infestação de plantas daninhas, através do impedimento da passagem da luz, impossibilitando a germinação das sementes", destaca Balreira.