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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 357 | Dezembro de 2006 | Campo Mourão - Paraná

Velocidade / Safra de Inverno

Fórmula 1 da agricultura

Cooperado de Tupãssi aproxima o trabalho da paixão pela velocidade, participando de provas de arrancadas com tratores

Para muitos, a presença de um trator numa pista de arrancadas pode parecer meio estranho. Isto porque, não é difícil relacionar este tipo de prova aos grandes clássicos da velocidade, construídos com a mais alta tecnologia automotiva, e com seus motores envenenados capazes de alcançar altas performances em um determinado trajeto. Mas para algumas regiões do Oeste do Paraná, tratores possantes, especialmente preparados para atingir altas velocidades, são uma inusitada realidade. Conhecida como a Fórmula 1 da agricultura, as provas de arrancadas de tratores aproxima o trabalho dos produtores rurais da paixão pela velocidade, com boas doses de adrenalina.

O cooperado Alvízio Flávio Koelzer, de Tupãssi, é um dos apaixonados pelo esporte. Há três anos, em parceria com o amigo mecânico Emilio Tavares, ele resolveu preparar um trator para participar das competições. “Já que não podemos mais jogar futebol, inventamos outra paixão”, brinca Koelzer, conhecido como o “Schumacher” das arrancadas de tratores. “É uma grande satisfação ser comparado ao grande campeão da Fórmula 1, principalmente por ser descendente de alemães e fã de Schumacher. Mas, ainda não sou páreo para ele”, acentua o cooperado.

10,5 segundos em 201 metros – Na primeira prova da qual participou, Koelzer não passou da penúltima colocação. “Tínhamos acabado de preparar o trator, que ainda era muito pesado e pouco competitivo”, lembra, considerando que todo o investimento ficou por conta dos dois, assim como o trabalho de preparação da máquina. Eles progrediram no ano seguinte e, neste ano, com um pouco mais de experiência, já chegaram a conquistar um sexto lugar na competição. “O nosso melhor tempo foi de 10,5 segundos, para uma pista de 201 metros de extensão. Mas sabemos que pode ser melhorado. E vamos continuar adaptando o nosso trator, para chegar entre os primeiros”, afirma o produtor.

“Hoje temos orgulho em participar desta competição e de fazer história aqui na nossa região. Nossas famílias estão menos preocupadas porque os tratores têm estabilidade e são bem confiáveis. Resultado financeiro nós ainda não vimos, mas satisfação temos de sobra, principalmente com o reconhecimento do público e apoio das pessoas que gostam do esporte”, destaca Koelzer.

Piloto profissional, máquinas incríveis – A categoria exige dos pilotos habilitação própria para dirigir os tratores modificados. As carteiras são emitidas anualmente pela Confederação Brasileira de Automobilismo. Para ter direito a uma delas, o piloto tem que participar de palestras sobre segurança e primeiros socorros.

“É um lazer que custa caro. Felizmente temos alguns parceiros que nos ajudam na manutenção dos tratores (hoje são dois) e nas viagens de competição”, revela Koelzer. Os tratores preparados pela equipe Tavares Racing são dois Zetor 25, anos 1957 e 1959. Eles foram totalmente remodelados. Ganharam suspensão dianteira da D20 e Opala, e os motores Ford 6.600 e GM Detroit foram envenenados, e têm performances de 350 e 280 cavalos, respectivamente. “Um trator normal atinge a velocidade máxima de 30 quilômetros por hora. As nossas máquinas vão de zero a 100 em pouco mais de dez segundos. É muita emoção”, assegura Alvízio Koelzer.

Do trator original só foram mantidos o câmbio e o diferencial, além da carcaça e a parte traseira. As demais peças são alteradas, para fazer a máquina ganhar velocidade e perder peso. Os tratores remodelados chegam a pesar entre 900 a 1.000 quilos. Os bancos são próprios para carros de corrida e os pilotos são obrigados a usar luvas, macacões e capacetes.

Provas na agenda – Para poder competir, o cooperado programa todas as suas atividades no sítio.  Somando as áreas arrendadas, Koelzer planta um total de 26,5 alqueires. O trabalho no sítio ocupa a maior parte do tempo do cooperado. A soja é a lavoura principal da propriedade, mas ele ainda cultiva amendoim e fumo. “A diversificação garante uma renda adicional e também ocupa a mão-de-obra da família”, revela.

As provas são realizadas em três etapas, sendo uma no Rio Grande do Sul, outra em Santa Catarina e a terceira no Paraná. O calendário vai de agosto a novembro e, normalmente, as provas são realizadas aos finais de semana.

Trigo rende bem para Deschk, em Candói

Para aproveitar melhor a sua área de cultivo, durante o inverno, o cooperado Valdir Deschk, de Candói, no Centro-Sul do Paraná, resolveu investir na cultura do trigo. E se deu bem. Com a lavoura, Deschk obteve uma produtividade média de 142 sacas em cada um dos nove alqueires que cultivou. Sem contar a qualidade, onde o PH do grão variou entre 80 e 81, de PH.
O cooperado trabalha com suas lavouras 100% financiadas, o que lhe dá segurança, em caso de frustrações. “Em tudo o que faço procuro fazer bem feito”, comenta Deschk. Ele diz que a cultura de trigo possui seus riscos, “mas quando estamos bem informados, e, principalmente com o apoio da Coamo, o sucesso é garantido, pois além da rentabilidade do trigo temos todos os benefícios da rotação de culturas, uma vez que a soja que vem depois irá produzir mais e será mais econômica, já que a infestação de plantas daninhas será menor e o solo já recebeu uma boa adubação no inverno”, relata.

Pecuária – A propriedade de Valdir Deschek possui uma área total de 60 alqueires. Além da agricultura, o cooperado também explora a bovinocultura de corte e leite, mantendo 30 alqueires de pastagem perene. O plantel de animais é formado por 13 matrizes leiteiras, da raça Gersey, que garantem ao associado uma produção média de quatro mil litros de leite por mês; e por 110 matrizes das raças Charolês e Tabapuã, que garantem a venda anual entre 80 e 90 cabeças de bovinos para o abate.

No último verão, o cooperado cultivou 15 alqueires de área, sendo 6 com milho, destinado à silagem para os animais, e 9 de soja, com uma produtividade média de 140 sacas por alqueire. Desde a chegada da Coamo em Candói o agricultor não se cansa de afirmar que a cooperativa tem sido o grande diferencial para o incremento da produtividade das suas atividades. “É o nosso braço forte”, sustenta Deschk.