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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 379 | Dezembro de 2008 | Campo Mourão - Paraná

Gerenciamento

“Até aonde a gestão nos levar”

Em São João do Ivaí Família Couto projeta o futuro com ações do presente e constroem resultados com base na gestão rural

O passado é um tempo que o ‘seo’ Antonio Borges do Couto, de São João do Ivaí (Noroeste do Paraná) faz questão de guardar na memória. A maior parte das lembranças dele não é positiva. No entanto, hoje elas servem para que o cooperado tenha a certeza de escolheu o caminho certo para o seu futuro: a permanência no campo. Há 15 anos, Couto e a família chegaram a pensar em abandonar o sítio de seis alqueires, na comunidade São Cristóvão. “O algodão perdeu espaço para a soja e, para pequenos como nós, a monocultura não era um bom negócio”, argumenta.

Os tempos difíceis dos Couto ficaram para trás, mas o assunto ainda belisca as rodas das conversas na varanda da casa. A reportagem do Jornal Coamo esteve na propriedade da família e conferiu parte da história da família, que projetou o próprio futuro com ações concretas no presente, construindo uma vida nova no sítio com resultados estrategicamente pensados com base na gestão rural.

Diversificação – O apoio que o produtor precisava para colocar novamente a propriedade nos trilhos ele encontrou na Coamo. “O nosso recomeço foi através do Projeto Colono”, lembra. Ele revela que a família incorporou a nova filosofia de trabalho e partiu para a diversificação da propriedade. “Não havia outro caminho. O jeito foi multiplicar as alternativas de produção e agregar mais valor ao nosso trabalho”, salienta Couto, ressaltando que foi quando recebeu as primeiras informações sobre o gerenciamento rural. “Esta foi outra ferramenta que nos ajudou a construir uma nova realidade dentro do nosso trabalho”, afirma o cooperado. A primeira cultura a ser incorporada ao novo esquema de trabalho dos Couto foi o café. Depois a família implantou uma pequena parreira para a produção de uvas de mesa e, em seguida, partiram para a suinocultura, como terminadores. Sem deixar de lado o cultivo da soja e do milho, a família descobriu que o sítio era viável. “Sobrou serviço para a família e foi quando enxergamos, de novo, os resultados do nosso trabalho”, sustenta o produtor.

Busca pela informação – A partir daí, os Couto passaram a dar mais valor ao que antes eles não conheciam: a busca pela informação. E não pararam mais de crescer. Uma das novidades trazidas para o sítio para ajudar a administrar melhor os novos negócios foi o Programa Coamo de Apoio do Gerenciamento Rural (Na Ponta do Lápis). A família controla os custos de cada atividade, buscando saber, com exatidão, o resultado de cada uma delas. A tarefa de anotar tudo fica por conta da dona Maria Vanilde, esposa do ‘seo’ Antonio. Ela fez até curso de computador para operacionalizar melhor a ferramenta.

“A base do nosso negócio são o trabalho e a seriedade no gerenciamento”, afirma o cooperado. Ele diz que com uma boa gestão é possível chegar sempre mais longe do que se imagina. “Eu nunca pensei que chegaria onde estou. Redescobrimos a nossa vocação. Aprendemos a valorizar a propriedade e a nós mesmos”.

Braço forte – Sobre a parceria que mantém com a Coamo, ‘seo’ Antonio Couto é enfático: “quando se é pequeno agricultor toda a ajuda é bem-vinda; e encontrei na Coamo uma mão amiga, uma empresa de tirar o chapéu. Não posso esquecer, jamais, de todo o incentivo que recebi da Coamo para seguir em frente e nunca desanimar. Foi através dela que tive o impulso para chegar onde estou e construí um pensamento vencedor, voltado para uma agricultura profissional e de resultados”.

Margem bruta de 30% com atividades e projeto de cozinha industrial para o ano que vem

Hoje, a suinocultura é o carro-chefe entre as atividades da propriedade dos Couto. Eles mantêm 20 matrizes em dois barracões e vendem, em média, 480 animais terminados por ano. “E vamos investir mais nesta atividade, com a construção de mais um barracão para abrigar outras 13 matrizes”, adianta o produtor. A produção de milho é toda direcionada para os suínos. “Assim agregamos mais valor ao grão, vendendo a carne”.

Com esta nova estratégia de trabalho a família tem conquistado resultados altamente positivos. A margem bruta do sítio - aquela em que não de desconta a depreciação da estrutura da propriedade, fica em torno de 30% ao ano. “É uma excelente receita, já que os novos investimentos estão programados com recursos fora desta margem”, contabiliza o cooperado.

Agricultura profissional – Couto lembra que a busca pelo conhecimento é fundamental para melhorar sempre. “Trabalhamos para ganhar dinheiro. E quando temos informações e controle a nossa condição de sucesso aumenta muito. E ganhar mais, no nosso caso, significa sobreviver, porque temos que fazer render ao máximo o nosso pequeno pedaço de chão”, assegura.

Cozinha industrial –O grande projeto da família Couto, para o ano que vem, é a instalação, na propriedade, de uma cozinha industrial. “Vamos agregar mais valor à produção dos suínos”, conta dona Maria Vanilde. O projeto está sendo desenvolvido em parceria com o Senar, através do programa Empreendedor Rural. A idéia é vender a carne em cortes especiais e até defumados.

“Temos que manter os investimentos para continuar crescendo. E a diversificação nos ajuda a superar crises. Com várias atividades é possível distribuir os sucessos e os insucessos”, destaca o cooperado. “O agricultor tem que ser eficiente da porteira para dentro e entender o que acontece da porteira para fora”, completa.