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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 410 | Dezembro de 2011 | Campo Mourão - Paraná

Tecnologia

Herbicida na pastagem: medida eficaz

Controle possui alto rendimento operacional, menor uso de mão de obra, quando comparado com o trabalho mecânico; custo x benefício é altamente favorável, pois é feito apenas uma vez

As plantas daninhas são as principais concorrentes da produtividade das pastagens competindo diretamente por água, luz, nutrientes e espaço. Essas plantas invasoras conseguem germinar mesmo em condições desfavoráveis e possuem um crescimento vegetativo agressivo, além de produzir sementes em grande quantidade. Algumas espécies são tóxicas e, se ingeridas, podem até causar a morte dos animais. Outras possuem espinhos e podem ferir os animais, abrindo espaço para moscas, carrapatos e bernes.

Dentre os métodos de controle existem o mecânico, por meio da roçada com foice manual ou roçadeira a trator, e o químico, com produtos seletivos de ação sistêmica que atuam apenas na planta invasora. A ação mecânica possui baixa eficácia, pois o corte da parte superior não elimina a reserva fisiológica da planta, que é a raiz, estimulando assim o rápido rebrote. Já a aplicação química possui alta eficácia, pois causa a parada total de crescimento vegetativo da planta invasora e a sua morte, favorecendo assim o desenvolvimento vegetativo da pastagem. Esse controle possui alto rendimento operacional, menor uso de mão de obra, quando comparado com o mecânico, e o custo x benefício é altamente favorável, pois é feito apenas uma vez.

"O controle mecânico tem efeito temporário após a roçada, voltando a planta invasora a crescer e com maior vigor. Isso tende a aumentar a competição por área, nutrientes, água e luz com as pastagens. Já o controle químico elimina totalmente a planta invasora, podendo assim a pastagem expressar o potencial vegetativo e propiciar aumento de produção de carne e leite por área", diz Hérico Alexandre Rosseto, médico veterinário do Detec da Coamo, em Campo Mourão.

A eliminação das plantas invasoras de pastagens pode representar um incremento de até 90% na lotação animal, e consequentemente no ganho de peso por área. No caso da produção de leite, o aumento na produção de pastagem e maior lotação animal propiciam um número maior de vacas por área e uma elevação de até 58% na produção de leite no mesmo espaço.

Recomendação - O período recomendado para utilização dos herbicidas em pastagens é o momento da implantação ou reforma do pasto, uma vez que, normalmente, o banco de sementes das plantas invasoras no solo é grande e ocorrerá a germinação desta sementeira ou o rebrote das plantas junto com o novo pasto.

Em pastagens implantadas há mais tempo, o controle das invasoras deve ser feito depois de o produtor avaliar as condições da área. Se degradada, o produtor deve reformar o pasto e utilizar o controle com herbicidas durante o serviço. Caso a pastagem não esteja prejudicada, o controle químico deve ser feito por meio da avaliação de alguns fatores, como a identificação da espécie invasora e avaliação do estágio de desenvolvimento vegetativo da planta, sendo ideal que ela esteja em pleno crescimento e com muita área foliar.

Escolha do produto – A Coamo disponibiliza os herbicidas específicos para o controle das diversas variedades de plantas invasoras, sejam elas moles, semi-lenhosas e lenhosas. Antes de iniciar o controle é recomendável que o cooperado consulte o Detec da Coamo.

Esquema de recuperação das pastagens por meio da eliminação das plantas invasoras

Pente-fino na pastagem

Cooperado Sérgio Veit, de Guarapuava, diz que quando a pastagem estiver totalmente recuperada, a quantidade de animais poderá ser dobrada na mesma área

Um verdadeiro pente-fino nas áreas de pastagem. É isso o que o cooperado Sérgio Roberto Veit, de Guarapuava, região Centro-Sul do Paraná, está fazendo. O principal objetivo do trabalho é eliminar as plantas daninhas, mas ele está aproveitando para retirar pedras, tocos e qualquer outra coisa que possa prejudicar o bom desenvolvimento da pastagem.

São aproximadamente 62 alqueires de pasto que abrigam cerca de 400 cabeças de boi. "Quando a pastagem estiver totalmente recuperada a quantidade de animais na mesma área poderá ser dobrada. A finalidade é aumentar a produção e principalmente a produtividade", prevê Veit.

De acordo com ele, a roçada serve somente como limpeza paliativa. "No momento que se faz [a roçada] parece que está tudo limpo e bonito, mas a pastagem não consegue se recuperar. Dentro de pouco tempo as plantas daninhas rebrotam e o problema continua", assinala o cooperado. No caso dele a pastagem existe há mais de dez anos e até então não tinha passado por uma recuperação. "Vinha gradativamente sendo prejudicada. A pecuária está vivendo um momento melhor e hoje se pode investir um pouco mais. Além de ter animais de boa genética é importante fornecer alimentação de qualidade. Soja sem adubos não produz, e com o gado é a mesmo coisa: os animais tiram do solo todo o alimento que precisam e a recomposição é fundamental", finaliza.

Mais animais no pasto

O cooperado Jandir Pinheiro, de Candói, na região Centro-Sul do Paraná, sabe que não adianta corrigir o solo da pastagem sem uma boa limpeza da área. Ele aplicou herbicida nas plantas daninhas e o solo está recebendo correção com calcário e uréia. São 33 alqueires de pastagem, e o trabalho começou há dois anos, depois que o cooperado conheceu a tecnologia em um encontro na Fazenda Experimental da Coamo, em Campo Mourão. "O pasto estava infestado de plantas daninhas e a eficiência da aplicação de herbicida foi muito grande. Ficou tudo limpo", comenta.

O trabalho na propriedade está sendo gradativo e a melhora já é visível. O cooperado começou na pecuária com dez animais e hoje conta com 90. "A medida que o pasto foi melhorando, a quantidade de animais foi aumentando. Mais bois no pasto, é mais dinheiro no bolso." Pinheiro recorda que antes da aplicação do herbicida a limpeza era realizada na foice, em ações anuais. "Com o herbicida é bem diferente. O custo benefício compensa porque se gasta somente uma vez", destaca o produtor rural.

Pastagem e esperanças renovadas

A invasão de plantas daninhas era um problema tão sério na propriedade do cooperado Santo José Lira, de Lidianópolis, na Região de Ivaiporã, que ele até chegou a pensar em abandonar parte da área, já que não encontrava uma solução para controlar as invasoras, em especial as goiabeiras, que já tinham tomado conta de toda a pastagem.

Pecuarista tradicional naquela região, Santo Lira, encontrou a solução utilizando herbicida na pastagem. Com a orientação da assistência técnica da Coamo, o produtor faz planos de maiores investimentos nas áreas, antes vistas como problemáticas. "Essa região é bastante acidentada, então me serve só para criação de gado mesmo. Cortávamos as goiabeiras com a foice e elas se disseminavam ainda mais, não sabia o que fazer. Depois que passei a usar herbicida o problema foi resolvido. Minha pastagem está limpa graças a esse manejo", conta Santo Lira.

Conforme o cooperado, o resultado não é apenas visual. O verdadeiro extermínio das plantas daninhas está sendo sentido também no bolso. "Antes tirava um boi pronto com quatro anos ou até mais. Agora, com no máximo dois anos e meio o gado está pronto para o abate", comemora Santo Lira.

Mais lucro para o produtor

O veterinário Paulo Roberto Calderon, do Detec da Coamo em Ivaiporã, revela que o manejo não permite apenas a retirada do boi pronto com menor tempo, mas também possibilita aumentar a lotação da área, o que rende ainda mais lucro para o produtor. "É quase que possível dobrar essa lotação somente com a limpeza da área. O benefício é realmente compensativo", afirma

Pasto limpo e mais alimentos para o gado

Há cerca de um ano, o cooperado Valdemar Vacari, de Cantagalo região Centro-Sul do Paraná, fez as primeiras aplicações de herbicidas no controle de plantas daninhas na pastagem. Ele conta que o pasto melhorou muito em comparação ao que era antes da aplicação. "Há uma grande diferença. Hoje, sem mato há uma produção maior de alimentos. Fazer a roçada manual não adianta em nada, pois quando termina uma ponta já pode voltar para a outra", pondera.

O cooperado tem 12 alqueires de pasto e cria 60 animais. "Quando a pastagem estava suja eram apenas 40 animais. Atualmente, são mais bois na mesma área. Isso significa que estão sendo aproveitados os 12 alqueires de pastagem", destaca.

Vacari está programando para o próximo ano uma nova aplicação de herbicida, porém dessa vez o trabalho será com menos intensidade, somente para eliminar algumas plantas que nasceram depois. "A foice ficou pendurada. Além de mais produtivo, o pasto está muito mais bonito. De longe dá para ver os animais. Antes era somente mato e a criação ficava escondida."

Por que controlar plantas daninhas em pastagens?

As plantas competem com as pastagens por espaço, água, nutrientes e luz. Diante dessas situações as consequências são: