Opinião
Editorial:
A força do agronegócio brasileiro

Engenheiro agrônomo José Aroldo Gallassini, diretor presidente da Coamo

A edição deste mês do Jornal Coamo traz quatro boas notícias para os cooperados da Coamo. A primeira é com relação ao Plano Safra 2003/2004, que foi divulgado pelo governo através do presidente Lula e do ministro da Agricultura e Abastecimento, Roberto Rodrigues. Recebemos com otimismo e confiança o anúncio do governo que promete liberar R$ 32,5 bilhões para o custeio e financiamento da próxima safra. Um volume significativo que representa incremento da ordem de 25% em relação ao disponibilizado no ano passado, quando o Brasil colheu a sua maior safra agrícola de todos os tempos superando a casa das 100 milhões de toneladas. Apesar dos altos custos de produção praticados neste ano, acreditamos que se os recursos forem liberados em tempo hábil, teremos um aumento ainda maior na produção brasileira de grãos na próxima safra.

A manutenção das taxas de juros em 8,75% ao ano foi uma importante vitória do setor agrícola. Quanto aos limites de financiamentos o valor para a soja ficou em R$ 150 mil para os produtores da região Sul e como novidade, o governo aumentou o limite de financiamento para a cultura do milho passando dos atuais R$ 250 mil para R$ 400 mil por produtor, não havendo necessidade de se somar a outra cultura, podendo ser financiado separadamente. Como ponto negativo, infelizmente, ainda não foi desta vez que o governo anunciou o nosso tão sonhado seguro rural. Mas, estamos torcendo para que ele encontre uma solução e seja parceiro através do repasse de subsídios para a criação do seguro, como acontece em outros países.

De forma geral, o Plano Safra 2003/2004 foi bem aceito pelas lideranças agrícolas e suas conquistas representa a sensibilização do governo que está vendo na agricultura, uma grande força e um importante setor da economia. Desde o Plano Real o nosso agronegócio tem garantido a estabilização da nossa economia, com uma participação expressiva nas exportações, colaborando para o progresso e superávit da balança comercial brasileira.
A segunda boa notícia refere-se a iniciativa pioneira da Coamo que está lançando para os seus cooperados o Programa de Manejo de Plantas Invasoras Resistentes a Herbicidas. Este é o grande projeto da Coamo para 2003 e está relacionado diretamente com a nossa preocupação em relação ao crescimento acelerado das áreas com suspeita ou comprovação do problema. Com este programa estamos estabelecendo uma ação concentrada para impedir de vez o avanço do problema e solucionar os casos já comprovados. Dentro da programação do programa, realizaremos diversos treinamentos em todas as unidades para a disseminação junto aos nossos cooperados. 

O cooperativismo é o terceiro destaque deste nosso editorial. No primeiro sábado de julho comemora-se em todo o mundo o Dia Internacional do Cooperativismo. Formamos um exército de mais de 800 milhões de pessoas espalhados pêlos cinco continentes e nesta data, reverenciamos os 28 pioneiros de Rochdale, precursores deste importante movimento econômico e social em 1844, na Inglaterra. Cooperativismo que tem na prática da sua filosofia, consubstanciada pêlos princípios da solidariedade, união, fé, organização, espírito democrático, objetivos comuns e trabalho, valores imprescindíveis para a melhoria da qualidade de vida, serviços, renda e desenvolvimento técnico, educacional e social dos cooperados, independente do ramo e da cooperativa a que pertençam. 

A todos os nossos cooperados da Coamo, parabéns! Os nossos parabéns e agradecimento especial pela prática diária do cooperativismo, alicerçado na seriedade, determinação e responsabilidade, sendo com orgulho, pela participação ativa durante o ano todo seja no abastecimento de insumos, na entrega da produção ou nos inúmeros eventos técnicos, educacionais e sociais, um exemplo para todo o país.

E como forma de coroar este cooperativismo de sucesso, a última boa notícia fica por conta da largada da nossa Copa Coamo de Cooperados – Futebol Suíço, edição 2003. Do Vale do Ivaí no dia 28 de junho, passando pelas regiões Centro, Oeste, Centro-Oeste, Sul, Centro-Sul e Sede, até chegar a grande final no dia 30 de agosto, em Campo Mourão, a Copa Coamo reunirá diretamente mais de 7,5 mil atletas e um público estimado em mais de 20 mil pessoas entre cooperados, familiares e comunidade, sendo um jeito gostoso de viver o cooperativismo, promovendo a integração, celebrando a amizade na festa da família Coamo.


 

Ponto de vista:
A força e os ideais do sistema cooperativo

(*) João Paulo Koslovski

Falar sobre cooperativismo no Brasil ficou fácil. Fazer cooperativismo, nem tanto. Mas, nesta discussão, uma coisa é certa: o sistema vem crescendo de Norte a Sul, ganhando força, credibilidade e se consolidando como um dos pilares da economia brasileira. As cooperativas têm, hoje, o reconhecimento de um trabalho iniciado há décadas. O diferencial, e talvez o trunfo desse segmento, é a representação da base, onde o cooperado é a cooperativa. Junto com um grupo de pessoas, ele é dono e também administrador do seu negócio. É o princípio democrático, onde todos têm vez e têm voz.

No Paraná, a evolução do cooperativismo, que pode inclusive ser traduzida pelos números, tem sido algo surpreendente. Em 2002, o faturamento das quase 200 cooperativas atingiu mais de R$ 10 bilhões. O destaque fica para as do ramo agropecuário, que respondem por 80% desse montante. As cooperativas ainda participam com 13% do PIB total do Estado. Esse percentual é maior quando falamos do PIB agrícola, passando de 60%. Hoje o sistema é fundamental no processo de desenvolvimento econômico e social do Paraná. É preciso registrar, também, que esses resultados vêm acompanhados de geração de emprego, renda e qualidade de vida aos cooperados e à comunidade onde as cooperativas estão inseridas.
Contudo, ser cooperativista e fazer cooperativismo não é tão fácil. É preciso ter o objetivo econômico, mas também se preocupar com o bem comum. O trabalho social tem sido tão intenso quanto a busca pelos resultados. O Balanço Social das Cooperativas Paranaenses, editado no final do ano passado, mostra um pouco dessas ações. Somente em 2002, foi mais de R$ 1 bilhão investido em temas como meio ambiente, educação, lazer, saúde, capacitação e formação cooperativista. Nas cooperativas, o desafio diário de produzir, como instituição voltada à promoção econômica de seus integrantes, nunca deixou de lado um de seus fundamentos básicos, que é a responsabilidade social. O entendimento é de que os investimentos sociais funcionam como facilitadores para se alcançar melhores resultados nas atividades objeto da ação das cooperativas.

Atualmente, com o agronegócio na vitrine econômica do País, as cooperativas vêm ganhando mais exposição na mídia e se tornando referência nas discussões sobre o setor produtivo. Nesse contexto, cresceu também a responsabilidade do sistema perante a sociedade, que sem perceber já participa do cooperativismo em duas atividades do dia-a-dia, indo ao mercado, ao médico ou ao banco, por exemplo. 

Convocadas a produzir cada vez mais, exportar e gerar divisas para o País, o sistema há tempos aceitou esse desafio. Além de suprir grande parte do mercado interno, tanto no setor produtivo quanto de serviços, as cooperativas têm negócios comerciais nos quatro cantos do mundo. A meta, agora, é ajudar no desenvolvimento e fortalecimento da economia brasileira. Para isso, estão colocando à disposição o know-how daquilo que mais sabem fazer, que é gerar emprego, renda e qualidade de vida através de um sistema justo, solidário e que tem na união o segredo do sucesso, o cooperativismo. 

(*) Presidente da Ocepar