Agromercado
Comercialização da safra:
Vendendo pelo custo


Decisão leva em conta a situação de cada produtor, considerando o grau de capitalização e produtividade

Tão importante quanto o planejamento da safra é o momento da comercialização da produção. Além de tomar decisões antecipadas, buscando reduzir ao máximo os custos, plantar na época recomendada e colher com boa produtividade, o agricultor também deve escolher o momento certo para vender a safra. 

Para o superintendente Comercial da Coamo, Roberto Petrauskas, a comercialização é o ponto mais importante de toda a safra. Ele lembra que o momento exato de comercializar a produção, obtendo melhores preços e vantagens, depende da situação que cada produto está sofrendo durante o ano agrícola. Entretanto, existe uma regra básica. O momento certo é aquele que o mercado esta disposto a comprar a produção oferecendo bons preços, e para isso o produtor deve estar atento com as condições que o mercado apresenta, acompanhando diariamente as mudanças. 

“A reação do mercado é muita rápida e qualquer informação que se tenha, a favor ou contra a produção e o consumo, interfere na formação dos preços”, lembra Petrauskas. Daí a necessidade de estar ligado diariamente com o as informações fazendo a análise do mercado para, desta forma, saber qual o momento exato de vender a produção. “O produtor tem que ter uma visão clara do que acontece no mundo globalizado. Nos dias de hoje não é mais uma safra grande ou pequena no Brasil e na Argentina.Temos que observar todo o contexto mundial. As informações de mercado são primordiais para definir o momento da comercialização. Não se pode simplesmente tirar conclusões da primeira informação que vem a mão, e sim, procurar se informar mais profundamente, buscando aquilo que a informação não mostra no momento mas que está acontecendo. É preciso ser minucioso na busca dessas informações”, orienta Roberto Petrauskas.

O superintendente lembra também que a exemplo de todos os outros setores, a situação de cada produtor, considerando o grau de capitalização e produtividade, influencia na venda da safra. O produtor estando capitalizado e atingindo uma boa produtividade para não precisar vender a produção logo depois que colhe, pode obter um melhor preço mais a frente. 

O planejamento da comercialização é de igual importância ao planejamento da colheita. Se o produtor conseguir planejar a necessidade de comercialização associando esse planejamento a tudo que acontece no mercado, tanto agrícola como financeiro, com certeza vai ser fácil de identificar o momento para comercializar. 

Conforme Petrauskas, de uma certa forma, historicamente, os cooperados da Coamo procuram comercializar a safra conforme a necessidade. “Varia muito de ano para ano. Depende do volume de produção e consumo. Mas existe uma pré-definição, de que se vende um pouco no início do plantio, um pouco depois que já se tem uma boa visão do que é possível produzir, de acordo com as condições climáticas, e o restante geralmente se vende no período após colheita, quando se tem basicamente de seis a oito meses para frente para comercializar. Mas isso não é uma coisa muito fixa, varia de ano para ano e de produto para produto”, alerta o superintendente Comercial da Coamo. 

O importante é negociar no inicio do plantio ou até no desenvolvimento da lavoura, e até próximo ao inicio da colheita e comercializar um volume, onde o custo de produção já esteja garantido. Pois quando o produtor consegue garantir o custo total da produção, através da comercialização antecipada, tem mais tranqüilidade para poder identificar melhor o momento de comercialização. Deixando para comercializar tudo depois que colher, corre-se o risco de enfrentar problemas mais tarde, na oferta do produto. O problema em deixar para fazer tudo na última hora é que a oferta pode ser muito grande e o produtor não conseguir vender esse produto por um preço justo.

A maior concentração de vendas, em determinado período, acontece em virtude da expectativa que o produtor tem em obter o melhor preço em certa época do ano. 

Outro fator que influencia no mercado é quando o preço de venda do produto está próximo ao custo de produção, obrigando o agricultor a garantir a liquidação do custo já pensando no futuro. Ou seja, recuperar a rentabilidade da ação no momento em que o mercado estiver mais aquecido.

Análises do Mercado Agrícola
Comercialização Coamo - 23/07/03

TRIGO
As cotações do produto no mercado internacional, vem apresentando-se bastante estável e sem projeções de altas no curto prazo, principalmente pela colheita da safra americana que está em andamento, no entanto para o mercado interno as sucessivas baixas que vem sendo registradas na cotações da moeda americana frente ao real, tem sido a grande responsável pelas quedas nos preços praticados nas últimas semanas. O produtor argentino, por outro lado, em face à insegurança gerada pela instabilidade da economia daquele país, tem transformado o trigo em moeda de troca, ou seja, só vende quando e na quantidade necessária para satisfazer as necessidades do momento, o que tem reduzido significativamente os volumes disponíveis para exportação. As indústrias brasileiras, com a falta de disponibilidade do trigo argentino para exportação, em alguns momentos, vem suprindo suas necessidades também com trigos de outras origens, como Leste Europeu e Estados Unidos. A grande preocupação fica na possibilidade do produtor argentino desovar seus estoques por ocasião da colheita da próxima safra brasileira, uma vez que a mesma começa a ser colhida a partir de meados de agosto e a nova safra Argentina começará a ser colhida a partir de dezembro, onde ficará difícil para o produtor argentino carregar um estoque de trigo velho muito grande.

ALGODÃO
Tanto o mercado interno quanto o mercado internacional do algodão, não apresentaram novidades em relação aos comentários abordados na edição anterior, com as indústrias sentindo muitas dificuldades na comercialização do fio, principalmente pela baixa que vem sendo registrada no consumo da fibra do algodão, com as fibras sintéticas ocupando maior espaço nos produtos acabados. O mercado interno está vivendo um momento de maior oferta que procura, devido à safra do Estado de Mato Grosso que está sendo colhida e beneficiada.

CAFÉ
Os preços recuaram nos últimos dias dada a diminuição dos riscos de geadas nas regiões cafeeiras. Em função disso, o volume ofertado tem diminuído, embora a pouca oferta também é função da safra que vem sendo colhida ser 50% menor do que a anterior e dos compromissos já assumidos pelos produtores. Os compradores, por sua vez, não estão preocupados até o momento com desabastecimento, pois os estoques nos países consumidores estão relativamente altos. Assim sendo, a tendência de preços no curto prazo é de pouca variação. No médio prazo, o mercado estará monitorando a próxima florada que, potencialmente, promete uma supersafra a ser colhida em 2004.

MILHO
Realmente a safrinha virou safrão, começando a ser colhida, com isso o preço cedeu e ainda pode ceder mais quando atingir o pico de colheita, dependendo da velocidade que o produtor imprimir em suas vendas. O agravante é que da safra normal ainda resta aproximadamente 50% a ser comercializado. A solução para o mercado é a exportação caso contrário vamos ter estoque de passagem muito alto e transferir ainda mais problema para a próxima safra.

SOJA
A excelente performance das lavouras americanas ditam a queda do mercado no momento. No período de 15 a 20 de agosto deve-se definir a produção das lavouras, pois em outubro já se inicia a colheita. Sendo assim, o mercado fica com grande expectativa e muito especulativo em cima do clima. Na semana passada (14/07) as condições das lavouras eram de 70% entre boas e excelentes, esta semana caiu 2 pontos percentuais, ou seja, 68% base (21/07). Em anos anteriores já ocorreu das lavouras estarem com o mesmo percentual, entre boas e excelentes e no mês de agosto começou a piorar chegando a 40%. A questão é como vai se comportar o clima de agora em diante, pois caso transcorra de forma normal, o volume na mão dos produtores americanos da safra velha, mais os argentinos e brasileiros, ainda é grande para o período e dependendo de como for o clima pode haver grande volume de oferta ao mesmo tempo.

 

Indicadores Econômicos

VARIAÇÕES Jan-03 Fev-03 Mar-03 Abr-03 Mai-03 Jun-03 ACUMULADO
PERÍODO
ACUMULADO
12 MESES
IGPM (% AO MÊS) 2,33% 2,28% 1,53% 0,92% -0,26% -0,26% 5,89% 28,22%
TR (% AO MÊS) 0,41% 0,38% 0,38% 0,42% 0,47% 0,42% 2,61% 4,27%
DÓLAR COMERCIAL
(% AO MÊS)
-0,21% 1,06% -5,26% -13,82% 2,62% -3,16% -18,72% 0,97%
TJLP (% AO MÊS) 11,00% 11,00% 11,00% 12,00% 12,00% 12,00%    
SOJA 10,26% 10,13% 6,76% 12,92% 7,69% 6,25% 67,49% 271,32%
MILHO 13,51% 16,67% 5,88% 11,61% 3,33% 17,69% 90,34% 298,57%
ALGODÃO (TIPO 6) 8,57% 6,04% 9,89% 0,00% 21,21% 3,13% 58,15% 157,95%
TRIGO (PH 78) 0,00% 1,75% 3,45% 0,00% 0,00% 0,00% 5,26% 151,95%
 

Poder de Troca mês a mês

MÁQUINAS/INSUMOS
X PRODUTOS
jan-03 fev-03 mar-03 abr-03 mai-03 jun-03

MÉDIA
DO
PERÍODO

MÉDIA ULT.
12 MESES


TRATOR NEW HOLLAND TM-135 - 125 CV (COMPLETO)
SOJA 3.049 3.133 3.660 4.566 4.296 4.606 3.885 3.371
MILHO 6.329 6.667 8.000 9.634 9.508 10.742 8.480 7.467
ALGODÃO (TIPO 6) 6.849 6.933 7.330 7.900 7.945 9.354 7.719 7.882
TRIGO (PH 78) 4.386 4.522 4.746 5.267 5.179 5.429 4.921 4.350

COLHEITADEIRA NEW HOLLAND TC 57 (completa)
SOJA 5.610 5.783 7.059 8.237 8.593 8.939 7.370 6.423
MILHO 11.646 12.308 15.429 17.378 19.016 20.848 16.104 14.226
ALGODÃO (TIPO 6) 12.603 12.800 14.136 14.250 15.890 18.154 14.639 15.028
TRIGO (PH 78) 8.070 8.348 9.153 9.500 10.357 10.536 9.327 8.290

PLANTADEIRA PSE 8 2S (COM CÂMBIO)
SOJA 795 785 1.016 1.102 1.129 1.155 997 932
MILHO 1.650 1.671 2.220 2.324 2.500 2.694 2.177 2.071
ALGODÃO (TIPO 6) 1.786 1.738 2.034 1.906 2.089 2.346 1.983 2.214
TRIGO (PH 78) 1.143 1.133 1.317 1.271 1.361 1.361 1.265 1.207

PULVERIZADOR COLUMBIA MAXTER FLOW
SOJA 596 609 692 765 809 864 723 659
MILHO 1.236 1.297 1.512 1.614 1.791 2.015 1.578 1.463
ALGODÃO (TIPO 6) 1.338 1.349 1.386 1.323 1.497 1.755 1.441 1.558
TRIGO (PH 78) 857 879 897 882 976 1.019 918 854

CALCÁRIO
SOJA 1 1 1 1 1 1 1 1
MILHO 2 2 3 3 3 3 3 2
ALGODÃO (TIPO 6) 2 2 2 2 3 3 2 2
TRIGO (PH 78) 2 2 2 2 2 2 2 1
Para cálculo da paridade de produtos X máquinas e insumos foram utilizados os preços praticados no último dia do mês.