Opinião
Editorial:
Reconhecimento ao cooperativismo de resultados

Engenheiro agrônomo José Aroldo Gallassini, diretor presidente da Coamo

A Coamo foi agraciada neste mês de julho com importantes prêmios concedidos pela imprensa e sociedade empresarial. Em São Paulo, a revista Exame, da editora Abril, na sua edição “Melhores e Maiores 2002” premiou a Coamo como a “Melhor Empresa de Comércio do Sul do Brasil”. No ranking da Exame, das 500 maiores empresas do Brasil, a Coamo ocupa a 70ª posição e é a “Maior Empresa Privada do Paraná”. Em Curitiba, a Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Instituto Comércio Exterior do Paraná (Cexpar) e o jornal Indústria & Comércio premiaram a Coamo como a 2ª maior exportadora do Paraná - atrás somente da Volkswagem. Na mesma solenidade, com muita satisfação e orgulho, tive a felicidade de ser homenageado com o título de “Homem do Ano do Comércio Exterior 2002”. 

Essas conquistas são importantes para toda a Família Coamo por serem outorgadas por entidades privadas bem-sucedidas, que baseadas em análises criteriosas de balanço estão valorizando os excelentes resultados e a trajetória vitoriosa da Coamo. Um orgulho para todos, especialmente para o grupo de 79 cooperados fundadores que acreditaram num sonho. Sonho que após mais de três décadas, com muito trabalho, seriedade, união e planejamento estratégico, transformou a Coamo, em uma empresa genuinamente brasileira, sediada no interior do Paraná, em uma das maiores empresas do nosso Estado e do Brasil. 

O ano agrícola 2002/2003 deve ser de bons resultados. Como dissemos anteriormente, cada ano é diferente do outro. Um exemplo disso é o que vem acontecendo com o milho safrinha: grande plantio, bom desenvolvimento da cultura e ao que tudo indica, com prespectiva de grande produção. Outra importante cultura de inverno é o trigo, que também vem apresentando bom desenvolvimento e previsão de colheita de 4 milhões de toneladas. Uma previsão bastante significativa que deverá ser atingida com uma safra de qualidade e grandes volumes, desde que não tenhamos geada e chuva na colheita. 

Encerramos recentemente o trabalho de planejamento para a safra de verão 2003/2004 com excelente participação dos nossos cooperados, a quem agradecemos pela confiança e atuação no dia-a-dia da Coamo. Totalmente voltada para o atendimento das necessidades dos seus cooperados, a Coamo adquiriu os insumos necessários para a implantação das lavouras de verão dos seus cooperados, cujos indicadores apontam para custos de produção com preços reduzidos e vantajosos, levando em consideração a realidade econômica deste ano. Seguramente, o fornecimento de insumos é um dos mais importantes benefícios que a Coamo oferece aos seus cooperados, para o sucesso na sua atividade, fornecendo produtos no momento certo para implantação das suas lavouras de verão. 

Dentro do planejamento estratégico da próxima safra de verão 2003/2004, um fator que deve ser observado pelos nossos cooperados é com relação a importância e necessidade do financiamento das suas lavouras. Esperamos que todos financiem suas lavouras, pois o financiamento é uma garantia de proteção em caso de riscos e frustrações na safra, segurando as lavouras financiadas. 

Com relação a comercialização, estamos acompanhando atualmente a queda nos preços da soja, devido ao sucesso da lavoura americana, os grandes volumes da commodittie na América latina e o mercado abastecido. E isso é preocupante, já que as bolsas estão caindo com o dólar a níveis de R$ 2,80 , R$ 2,90, bem inferior aos R$ 4,00 atingidos em meses anteriores. No caso da soja, os preços caíram mas estão razoáveis em relação aos custos de produção. Por sua vez, a situação do mercado do milho é preocupante com preços atuais ao redor de R$ 12,00, fator que certamente provocará um desestímulo no plantio da cultura na próxima safra. No caso do milho, o que precisaríamos ter é uma estabilidade no preço e volumes, com planejamento e freqüência na exportação, a exemplo do acontece com a soja para que tenhamos uma boa remuneração do produto. 

Mas, de forma geral, estamos tendo um ano bom, com sucesso e registro de grandes volumes de produção e acreditamos que devermos fechar o ano com boas rentabilidades na agricultura. 

A Copa Coamo de Cooperados vem sendo realizada com muito sucesso e após quatro regionais, vem confirmando que trata-se de um excelente benefício e projeto de lazer e integração dos nossos cooperados, familiares e comunidade em geral. É um dia de festa para toda a Família Coamo que tem no esporte o desenvolvimento da integração, da amizade e do fortalecimento do cooperativismo. A grande final está programada para 30 de agosto em Campo Mourão reunindo os 30 campeões regionais,e todos estão convidados para esta grande festa do cooperativismo.

 

 

Ponto de vista:
Os pobres e o meio ambiente

Amélio Dall Agnol*

“Não se pode conceber um planeta ambientalmente sadio, num mundo socialmente injusto” (ECO 92).

Com relação ao ambiente, a humanidade vive o dilema de um duplo problema, como a necessidade de preservar os recursos naturais - que são finitos e vulneráveis - e a de alimentar uma população sempre crescente. Daí surge a pergunta: como satisfazer as atuais necessidades alimentares de mais de um bilhão de subnutridos sem alterar a capacidade de alimentar outros milhões de seres humanos, que nascerão nas próximas décadas?!

Recentemente, comemorou-se o Dia Mundial do Meio Ambiente, quando muito se falou sobre a destruição ambiental já realizada e as ameaças que ainda pairam sobre a sustentabilidade futura do Planeta, a persistir o atual modelo de desenvolvimento agressivo à natureza, praticado conscientemente pelos ricos, mas inconscientemente pelos pobres. 

Estudos do Banco Mundial, sobre o desenvolvimento econômico/social mundial dos últimos 130 anos, concluiu que o rendimento dos ricos cresceu seis vezes mais que o dos pobres e responsabiliza as políticas desleais de subsídios e protecionismo praticadas pelos países desenvolvidos como uma das causas desse desajuste. As nações industrializadas, ao tempo que estimulam a abertura dos mercados nacionais, para promover o aumento de intercâmbio comercial entre os povos e, assim, gerar riquezas para o bem estar geral, cinicamente fecham os próprios mercados para produtos de terceiros países (os países pobres são mais vulneráveis), valendo-se de ridículas desculpas travestidas de salvaguardas sanitárias, ambientais ou sociais, o que dificulta e inibe as exportações dos produtos comercializados pelas nações pobres. Essas, conseqüentemente privadas dos ingressos pelas exportações não realizadas, não dispõem dos recursos financeiros necessários para combater a pobreza e inserir social e economicamente os seus miseráveis - atores importantes no processo de degradação ambiental. Sensibilidade para preservar a natureza, tudo tem a ver com o desenvolvimento humano da sociedade, que as nações pobres buscam desesperadamente, mas não conseguem. 

As nações industrializadas, utilizando deslealmente seus poderes econômico e tecnológico, impõem às subdesenvolvidas as regras do “livre comércio”. Essas regras estabelecem, na prática, o preço a pagar pelos produtos de baixa tecnologia que importam, bem como o valor a receber pelos bens de alta tecnologia que exportam, resultando num injusto intercâmbio de mercadorias. As nações pobres - quando conseguem exportar - são forçadas a vender cada vez mais para comprar cada vez menos, sem considerar a dupla perda que já sofrem por causa dos subsídios, onde perdem porque o Primeiro Mundo se autoabastece e perdem, novamente, porque os excedentes subsidiados são exportados, deprimindo os preços no mercado internacional. 

Assim, fica difícil para uma nação pobre investir em preservação ambiental, quando outras necessidades mais prementes (saúde, educação e segurança) não estão ainda satisfeitas. A persistirem as distorções no intercâmbio comercial entre nações pobres e ricas, ao invés de uma economia globalizada, onde todos se beneficiam, Ter-se-á uma convulsão generalizada, onde todos perdem. 

As nações ricas precisarão ser mais solidárias com o desenvolvimento sustentável das nações pobres, para não acabarem, também, vítimas do vandalismo dos miseráveis, que, na desesperança de uma vida digna em seus países de origem, tentarão migrar - legal ou ilegalmente - para os seus territórios, onde poderão representar riscos de desestabilização social, como parece já estar ocorrendo com latino-americanos nos Estados Unidos e africanos na Europa. “Se uma sociedade livre não pode ajudar os muitos que são pobres, acabará não podendo salvar os poucos que são ricos” (John Kennedy). 

É verdade que a destruição ambiental é responsabilidade tanto das nações pobres quanto das ricas, mas, convenhamos, a responsabilidade destas é muito maior. Segundo a ONU, apesar do dano causado à natureza pela massa de despossuídos, são os países ricos os grandes vilões da destruição ambiental, pois, respondendo por apenas 25% da população, consomem 80% dos recursos do Planeta. 

A propósito: uma política racional de proteção ambiental passa pela erradicação da pobreza. 

*Engenheiro agrônomo e pesquisador da Embrapa / CNPSoja em Londrina (PR)