Agromercado

Safra deve crescer 23% em 2003 e bater recorde

Segundo IBGE, a safra agrícola brasileira deverá bater recorde em 2003

De acordo com levantamento realizado em junho pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a safra deve alcançar 119,72 milhões de toneladas em 2003 —23,21% acima da produção de 97,17 milhões de toneladas obtidas no ano passado. Somente a produção de soja, voltada principalmente para as exportações, vai corresponder quase à metade da safra deste ano, com 51,26 milhões de toneladas. 

A safra de soja em 2003 vai crescer 22% em relação ao ano passado, segundo prevê o IBGE. Outro destaque para este ano, ainda que pouco significativo na produção total do país, é o trigo. 

A estimativa é de que sua safra, basicamente voltada para o consumo interno, seja a maior dos últimos anos. Ajudada pela cotação elevada e pela expectativa de queda na produção mundial, a produção do trigo deve registrar aumento de 61,82% em 2003 e alcançar 4,73 milhões de toneladas. 

Segundo a estimativa do IBGE, as regiões Sul e Centro-Oeste vão produzir a maior parte da safra brasileira. O Sul deve responder a 46,59% da produção nacional e o Centro-Oeste deve ter uma participação de 30,59%. Sudeste, Nordeste e Norte vão corresponder a 13,29%, 7,29% e 2,23%, respectivamente, do total da safra deste ano.


Análises do Mercado Agrícola
Comercialização Coamo - 20/08/03

MILHO
O produtor está cadenciando suas vendas e junto a isto o clima quente na Europa e a falta de chuvas nas lavouras americanas deram sustentação e elevaram o preço do milho. Não devemos pensar em seguidas e constantes altas, pois em mercado de clima tudo pode acontecer e se não fosse o mercado externo, o milho estaria sem preço, dado o grande volume da safrinha, (safrão). Devemos programar as vendas mensalmente de setembro a janeiro e obter uma média no preço, pois segurar e apostar que vai subir e se todo mundo pensar igual, vamos chegar no final do ano com um volume imenso e a próxima safra já estará plantada, prestes a ser colhida, deixando o mercado pressionado e decepcionando o vendedor, sendo assim, devemos escalonar as vendas mensalmente e manter uma boa média entre altas e baixas.

SOJA
Conforme comentamos na última edição, prevalece o mercado de clima, o qual no momento está passando por um período de seca nas lavouras americanas, como podemos constatar através da piora nas condições das mesmas. No dia 18 de agosto estavam da seguinte forma: 56% entre boas e excelentes, sendo que no dia 11 de agosto estavam com 62% entre boas e excelentes, piorando conseqüentemente 5% em uma semana em função da seca, a qual foi amenizada por cobertura de chuvas no último dia 19 de agosto, ou seja, o sobe e desce do mercado de clima é cheio de incertezas. Com a piora nas condições das lavouras americanas podemos dizer que o clima tem sido favorável para o mercado. Adiante, temos que aguardar para saber o que vai acontecer. O importante é o produtor deixar feita as intenções de vendas, para que nos bons momentos do mercado seja tirado o proveito do mesmo.

ALGODÃO
Os reflexos da oferta e demanda dos Estados Unidos tem sido negativos para as cotações do produto no mercado internacional, principalmente pela redução na demanda doméstica nos EUA nesta próxima safra, reflexo da alta concorrência externa e do fraco desempenho da indústria têxtil local. O USDA projetou em seu último relatório uma demanda interna de apenas 1,44 milhões toneladas, com uma redução de quase 3% em relação à projeção de julho, conferindo uma possível queda de 9,6% em relação ao consumo estimado na safra 2002/03. Esta será a sexta queda anual consecutiva na demanda têxtil norte-americana, por sorte mais do que anulada pelo incremento das exportações deste país nos últimos 02 anos, por conta dos generosos subsídios concedidos aos seus cotonicultores. A mesma tendência observa-se nos países europeus, onde a demanda está projetada em 1,082 milhões toneladas na safra 2003/04, contra 1,126 milhões toneladas em 2002/03. Este valor chegou a ultrapassar 1,4 milhões toneladas no ano de 1998, passando a declinar desde então. No ano passado o Brasil exportou cerca de 110 mil toneladas de algodão em pluma. Neste ano as projeções estão em torno de 150 a 200 mil. Mas no atual ritmo, dificilmente este patamar será alcançado. Com as expectativas de maiores estoques internos nesta safra, continuamos ressaltando a nossa preocupação em relação ao baixo ritmo de embarques registrados até o momento, visto que os preços internacionais não tendem a se tornar muito mais favoráveis no curto e médio prazo.

TRIGO
Sucessivas altas, estão sendo registradas nas cotações do produto no mercado internacional, principalmente pelas conseqüências que as fortes secas estão trazendo para a triticultura européia, além de prováveis danos novamente no Canadá e Estados Unidos. As cotações, para o saldo exportável de trigo argentino, vem mantendo-se bastante estável e com pequenos volumes ofertados. Desta forma as indústrias brasileiras devem voltar-se mais para o mercado interno, porém devem comprar da “mão para a boca”, sem alongar estoques, o que mostra claramente que as vendas por parte dos produtores devem ser escalonadas, já que o consumo do trigo nacional deverá ocorrer ao longo de 12 meses. O produto que deverá manter a melhor liquidez no mercado será o de alta qualidade para panificação, já que grande parte das variedades cultivadas no estado não tem esta característica, portanto, em determinados momentos poderá haver dificuldades na sua comercialização.

CAFÉ
Os preços do café estão consolidados numa faixa de R$160,00 a R$170,00 e devem permanecer dessa forma no curto prazo. De um lado, há quase 3 milhões de sacas de café vendidas para o governo que voltam ao mercado em níveis superiores de preço. De outro, há uma resistência muito grande do produtor em vender mais barato. Assim, os preços devem continuar a apresentar o mesmo comportamento, com suporte também pelo fato de que os países importadores tendem a comprar um volume maior nesse período do ano, dado o inverno que se aproxima. Finalmente, a colheita da safra 2003/2004 está mais 80% concluída, o que diminui a pressão sobre os preços.

 
 

Indicadores Econômicos

VARIAÇÕES fev/03 mar/03 abr/03 mai/03 jun/03 jul/03 ACUMULADO PERÍODO ACUMULADO 12 MESES
IGPM (% AO MÊS) 2,28% 1,53% 0,92% -0,26% -0,26% -0,42% 3,05% 22,93%
TR (% AO MÊS) 0,38% 0,38% 0,42% 0,47% 0,42% 0,40% 2,52% 4,40%
DÓLAR COMERCIAL (% AO MÊS) 1,06% -5,26% -13,82% 2,62% -3,16% 3,26% -15,90% 11,41%
TJLP (% AO MÊS) 11,00% 11,00% 12,00% 12,00% 12,00% 12,00%    
SOJA 10,13% 6,76% 12,92% 7,69% 6,25% 8,06% 64,16% 258,55%
MILHO 16,67% 5,88% 11,61% 3,33% 17,69% 8,33% 81,65% 299,32%
ALGODÃO (TIPO 6) 6,04% 9,89% 0,00% 21,21% 3,13% 0,00% 45,66% 137,23%
TRIGO (PH 78) 1,75% 3,45% 0,00% 0,00% 0,00% 9,80% 15,58% 146,58%
 

Poder de Troca mês a mês

MÁQUINAS/INSUMOS X PRODUTOS fev/03 mar/03 abr/03 mai/03 jun/03 jul/03 MÉDIA DO PERÍODO MÉDIA ULT. 12 MESES

TRATOR NEW HOLLAND TM-135 - 125 CV (COMPLETO)
SOJA 3.133 3.660 4.566 4.296 4.606 4.651 4.152 3.489
MILHO 6.667 8.000 9.634 9.508 10.742 12.245 9.466 7.869
ALGODÃO (TIPO 6) 6.933 7.330 7.900 7.945 9.354 9.375 8.140 7.927
TRIGO (PH 78) 4.522 4.746 5.267 5.179 5.429 5.607 5.125 4.453

COLHEITADEIRA NEW HOLLAND TC 57 (completa)
SOJA 5.783 7.059 8.237 8.593 8.939 9.302 7.986 6.659
MILHO 12.308 15.429 17.378 19.016 20.848 24.490 18.245 15.030
ALGODÃO (TIPO 6) 12.800 14.136 14.250 15.890 18.154 18.750 15.663 15.117
TRIGO (PH 78) 8.348 9.153 9.500 10.357 10.536 11.215 9.851 8.496

PLANTADEIRA PSE 8 2S (COM CÂMBIO)
SOJA 785 1.016 1.102 1.129 1.155 1.182 1.062 938
MILHO 1.671 2.220 2.324 2.500 2.694 3.112 2.420 2.118
ALGODÃO (TIPO 6) 1.738 2.034 1.906 2.089 2.346 2.383 2.083 2.160
TRIGO (PH 78) 1.133 1.317 1.271 1.361 1.361 1.425 1.312 1.201

PULVERIZADOR COLUMBIA MAXTER FLOW
SOJA 609 692 765 809 864 884 771 671
MILHO 1.297 1.512 1.614 1.791 2.015 2.328 1.760 1.516
ALGODÃO (TIPO 6) 1.349 1.386 1.323 1.497 1.755 1.782 1.515 1.539
TRIGO (PH 78) 879 897 882 976 1.019 1.066 953 860

CALCÁRIO
SOJA 1 1 1 1 1 1 1 1
MILHO 2 3 3 3 3 4 3 2
ALGODÃO (TIPO 6) 2 2 2 3 3 3 3 2
TRIGO (PH 78) 2 2 2 2 2 2 2 1
Para cálculo da paridade de produtos X máquinas e insumos foram utilizados os preços praticados no último dia do mês.