Opinião
Editorial:
A paz e o progresso no campo

Engenheiro agrônomo José Aroldo Gallassini, diretor presidente da Coamo

O cenário econômico em que vivemos apresenta uma continuidade da política implantada no governo anterior com juros altos para controle da inflação, cotação do dólar em baixa, trazendo como conseqüências, paralisação nos novos investimentos e o aumento do desemprego. Esperamos que sejam feitas as mudanças necessárias para a retomada do desenvolvimento, geração de empregos e progresso do nosso país. Estamos percebendo também que vem aumentando a violência em várias áreas em função das expectativas da população com relação às promessas feitas anteriormente. Estamos observando o acirramento na questão da reforma agrária com ocorrência de fatos que não deveriam acontecer. A reforma agrária é aceita e deve ser realizada dentro da ordem, da lei, da disciplina e do respeito à propriedade privada, o que infelizmente não estamos vendo. Precisa ser feita pelo governo inicialmente de forma veloz e ordenada, e na seqüência, com regularidade. Queremos e precisamos de paz no campo para continuar produzindo alimentos para o Brasil e para o mundo.

O que queremos é progredir e elevar os nossos índices de produtividade e renda na agricultura. Seguindo essa filosofia, os nossos cooperados adquiriram de forma antecipada os insumos necessários e já estão planejando suas atividades para a implantação da nova safra de verão 2003/2004. Os preços dos insumos ficaram em bons níveis, mas superiores de 35% a 40% os praticados na safra anterior, que refletirá nos custos de produção da próxima safra.

Um dos maiores serviços que a Coamo oferece aos seus cooperados é o fornecimento dos insumos na hora certa para o plantio das suas lavouras. Com ou sem financiamento, eles podem contar com o apoio da cooperativa no atendimento às suas necessidades. Assim, felizmente os cooperados da Coamo já estão preparados para a nova safra, e com muito trabalho e tecnologia, deverão colher grandes volumes, ter rentabilidade e continuar ajudando o Brasil a ser um celeiro para o mundo com expressivas produtividades.

A agricultura brasileira tem dado uma resposta positiva e imediata aos investimentos disponibilizados pelo governo nos últimos anos. De uma produção em torno de 70 milhões de toneladas, o Brasil deverá atingir na safra deste ano volumes superiores a 110 milhões de toneladas. Projeção que enche de orgulho todos os agricultores brasileiros, que trabalham de sol a sol, acreditam e semeiam nesta terra fértil, abençoada por Deus.

A educação é a base para o sucesso também na nossa atividade. Com essa filosofia, cada vez mais perto do nosso quadro social e satisfeito com os bons resultados, encerramos no dia 19 de agosto uma maratona de 35 reuniões que reuniu cerca de 8 mil cooperados. Foram ótimas reuniões com grande interesse dos nossos produtores, onde apresentamos de forma transparente, como sempre fizemos ao longo desses 33 anos, os números e a situação sólida da Coamo e dos seus serviços. Repassamos muitas informações que servirão de base para a tomada de decisões dos produtores com relação a próxima safra e ao momento atual da nossa agricultura.

Como grande projeto de lazer e integração, recheada de sucesso e de grande participação da família Coamo, teremos no dia 30 de agosto a final da 7ª Copa Coamo de Cooperados – futebol suíço, na Arcam, em Campo Mourão. Foram seis etapas regionais disputadas em 30 locais diferentes reunindo um público superior a 20 mil pessoas entre cooperados e familiares, e comunidade. Tudo trancorrendo dentro da mais absoluta normalidade com elogios aos 7,5 mil cooperados atletas e dirigentes, e também a equipe organizadora pelo excelente trabalho realizado.

Encerramos esse editorial com uma notícia que deixou triste todo o sistema cooperativismo: o falecimento do grande líder cooperativista Benjamim Hammerschmidt, engenheiro agrônomo, extensionista rural, fundador e presidente da Cooperativa Bom Jesus na Lapa, que foi uma cooperativa-laboratório para o cooperativismo. Perdemos uma grande referência no cooperativismo brasileiro, perdemos o “Papa do Cooperativismo Paranaense”, um dos maiores líderes cooperativistas do nosso tempo. Que ele descanse em paz e os seus ensinamentos, difundidos para todos os quadrantes em prol de um cooperativismo cada vez mais forte e competente.

 

Ponto de vista:
Benjamin, nossa referência em cooperativismo

No último dia 7 de agosto de 2003 perdemos um dos maiores cooperativistas deste país! Benjamin Hammerschmidt, engenheiro agrônomo, extensionista rural e uma referência unânime em relação ao cooperativismo. Homem simples, rígido, correto e sobretudo um defensor intransigente da
ideologia e filosofia cooperativista. Tinha uma virtude incomum: era um exímio professor e repassava com satisfação os seus conhecimentos aos que o procuravam, formando um grande número de adeptos, que hoje são seus discípulos, entre os quais me incluo.

Implementou na Cooperativa Bom Jesus da Lapa, da qual foi seu fundador e presidente, todos os seus conhecimentos de Cooperativismo. Idealizou a organização do quadro social em Comitês Educativos, permitindo uma maior inter-relação entre a direção e cooperados. O modelo implementado na cooperativa que presidia foi adotado pela maioria das cooperativas brasileiras e a própria cooperativa foi adotada como modelo de gestão, atraindo inúmeros cooperativistas e estudantes que desejavam conhecer o modelo de gestão criado pelo Benjamin.

Foi extensionista rural da Emater e presidiu a Ocepar por dois períodos, deixando um legado de ações ímpares para o Cooperativismo. Na sua gestão consolidou a atuação das cooperativas na pesquisa agropecuária com a construção das estruturas de Cascavel e Palotina, permitindo que o cooperativismo desenvolvesse a pesquisa e a experimentação científica necessária à modernização da produção dos milhares de cooperados vinculados às cooperativas agropecuárias.

Benjamin trabalhou fortemente para que as cooperativas pudessem participar ativamente do mercado externo e para isto a Ocepar, através de sua gestão, se organizasse para, em conjunto com as cooperativas centrais, participassem das discussões junto à Carteira de Comércio Exterior para a obtenção de cotas para as exportações de soja e café. Foi neste período que se estruturou na Ocepar um sistema diário de informações de mercados, repassado para orientações das cooperativas e dos cooperados.

Seguindo a linha de atuação primeiro presidente da Ocepar, Guntolf van Kaick, Benjamin Hammerschmidt consolidou a posição de destaque do Cooperativismo do Paraná, onde a Ocepar se apresentava como uma entidade resultante dos interesses efetivos das cooperativas. Benjamin, pela sua competência e profissionalismo, foi designado pelos cooperativistas brasileiros para ocupar uma diretoria junto ao Banco Nacional de Crédito Cooperativo, onde desenvolveu um trabalho magnífico que contribuiu em muito para o crescimento e desenvolvimento do Cooperativismo. 

Apoiou de forma decisiva a implementação das cooperativas de crédito, atuando de forma integrada com o Banco Central para viabilizar a atuação destas cooperativas, que lutavam para mudar as regras cerceadoras ao desenvolvimento deste ramo do cooperativismo.

Atuou ainda como Superintendente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), cujo presidente era o atual ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, que não esquece de citar, em suas palestras e pronunciamentos, que muito do que aprendeu de Cooperativismo deve ao Benjamin. Contribuiu muito para a estruturação operacional da OCB.

Retornando ao Paraná, passou a atuar junto a Cocap, onde exerceu diversas funções, inclusive a de presidente. Aposentado, passou a cuidar de suas atividades na propriedade rural que tinha na Lapa. Exerceu outras funções, inclusive a de secretário da Prefeitura da Lapa. Mas Benjamin marcou sua existência pela forte atuação junto ao cooperativismo. Podemos falar com tranqüilidade que o Benjamin, pela sua forma de atuar, pelo seu conhecimento em Cooperativismo, pela sua seriedade e competência, foi um marco e uma referência para o Cooperativismo e cooperativistas paranaenses e brasileiros.

Por tudo isto, nós que tivemos a oportunidade e a felicidade de conviver com Benjamim, podemos afirmar que o Cooperativismo é o que é graças aos seus líderes. E o Benjamim foi um líder inconteste e baluarte da construção do Cooperativismo do Paraná.

Que Deus o tenha, pois Benjamin foi uma destas pessoas raras que pela sua retidão, seriedade, responsabilidade e ferrenho defensor da família, teve a sabedoria de constituir uma família maravilhosa e, ao mesmo tempo, desenvolver um trabalho em prol de milhares de pessoas, contribuindo para o desenvolvimento das pessoas, atores deste magnífico instrumento chamado Cooperativismo.

Obrigado, mestre, pelos ensinamentos e obrigado pelo apoio na construção de uma sociedade mais justa e solidária. Seu seguidor, João Paulo Koslovski, presidente da Ocepar.