Pecuária
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Suplementação de bovinos a pasto

Quando a pastagem não atende todas as necessidades nutricionais dos animais, o produtor deve agregar um ‘algo a mais’

Assunto importante do ponto de vista de resultados, a suplementação de bovinos a pasto vem sendo encarada como fundamental para que o criador possa equilibrar os ganhos com a pecuária. O engenheiro agrônomo Luiz Roberto Lopes Santiago, da área de nutrição de ruminantes, da Embrapa Gado de Corte, em Campo Grande (MS), orienta que no caso da pecuária, quando a pastagem não atende todas as necessidades nutricionais dos animais, o produtor deve agregar um ‘algo a mais’ lançando mão da suplementação.

Segundo ele, o criador está sendo empurrado para uma pecuária de ciclo mais curto. “A exigência de uma carcaça de melhor qualidade é uma demanda de mercado, que está associada com idade de abate”, explicou. 
“E quando chegamos nesse ponto de demanda por nutrientes via pastagem, observamos que as pastagens não estão respondendo. Assim, uma forma eficiente de tentar resolver o problema seria utilizar o suplemento”, complementa.

Existem, de acordo com Santiago, uma variedade muito grande de opções para o produtor, que deve ter em mente um projeto de onde ele está querendo chegar, uma vez que o produto é oneroso para o sistema e deve ser aplicado a partir de um projeto bem elaborado pelo produtor e pelo técnico que assiste a propriedade.

Dentro do sistema o suplemento auxilia o aumento do peso, agregando à pastagem. Ou, por exemplo, no caso da cria, em manter peso nas vacas. 
“O suplemento não é uma forma de resolver problemas de pasto”, alerta o pesquisador. Em alguns casos, segundo ele, o produtor acaba trabalhando com excesso de carga na pastagem e busca a resolução do problema com o suplemento. “Essa é uma forma ineficiente de uso. O suplemento tem que entrar no sistema para agregar valor aos animais, tanto no inverno quanto no verão, sem onerar muito o custo de produção”, orienta, concluindo que o produtor tem que ser criativo, para ganhar mais com as oportunidades no mercado.

Integração agricultura/pecuária:
Sistema se adapta ao formato da propriedade


A exploração integrada entre a agricultura e a pecuária vem se consolidando na região da Coamo como uma excelente alternativa econômica, capaz de oferecer bons resultados para a propriedade. Uma atividade complementa a outra, do ponto de vista de sustentabilidade

Essa exploração integrada se adapta para todos os tamanhos de propriedades. Quem garante é o engenheiro agrônomo Elir de Oliveira, do Iapar – Instituto Agronômico do Paraná, em Palotina. Ele diz que o que Paraná tem de melhor para esta prática é a condição climática: boas chuvas durante o verão e inverno, oferecendo plenas condições para se praticar a exploração de forrageiras de alta qualidade. “Podemos alavancar uma pecuária altamente competitiva, tanto de leite quanto de corte, dentro de um sistema integrado com a agricultura”, destacou.

O técnico enumera várias alternativas que o produtor dispõe para trabalhar com o sistema de integração agricultura e pecuária, trabalhando bem as variantes no inverno e no verão para que o sistema traga o resultado que se espera. “Nós sabemos que hoje o Paraná tem em torno de 600 mil hectares de áreas que não são exploradas no inverno. Poderíamos estar produzindo leite ou carne nelas”, recomendou, considerando que há um certo desconhecimento por parte dos produtores sobre a eficiência do consorciamento de atividades, principalmente em relação as vantagens das novas cultivares de forrageiras anuais de inverno.

Trabalhando com a eficiência nos dois períodos o produtor consegue, na avaliação de Oliveira, obter melhor índice zootécnico de leite e carne, adequando o sistema a uma realidade econômica desejável. Por outro lado, segundo ele, com os recentes problemas de doenças em outros países (como a vaca louca), o Brasil se coloca no cenário internacional com potencial para produção de carne de alta qualidade, somente a pasto. “E a integração lavoura e pecuária permite isso, levando os animais para o abate durante todo o ano”.

Potencial – Com o consorciamento de atividades o produtor planta bois no inverno e colhe mais grãos no verão, além do que o sistema permite uma melhor recliclagem de nutrientes e melhoria da vida biológica do solo. Existem dados de pesquisa, informados pelo pesquisador do Iapar, que afirmam que o rendimento médio chega a 8% no milho e até 20% na cultura da soja, quando o boi entra na área para pastejar materiais de inverno após a colheita da soja.