Agromercado
Suinocultura brasileira vive bom momento

Setor está cada vez mais voltado para atender as necessidades do exigente mercado consumidor
O Brasil teve um salto de 107% nos embarques de carne suína em 2001. Com isso, o País tornou-se o quarto maior exportador mundial do produto. Foram 265 mil toneladas, que representaram US$ 358 milhões. O crescimento foi motivado, principalmente, pelas compras agressivas da Rússia, que a partir do segundo semestre do ano passado abriu definitivamente o seu mercado para o produto brasileiro.

O bom momento vivido pela suinocultura em 2001 é reflexo de vários fatores. Na opinião do médico veterinário Rogério Paulo Tovo, 

Suinos: mercado europeu na mira

responsável pelo Projeto de Suinocultura da Coamo, a profissionalização é uma delas. "O setor está cada vez mais voltado para atender as necessidades do exigente mercado consumidor", afirma. Segundo Tovo, o aumento do consumo interno e a abertura de novos mercados internacionais estão entre as estratégias do setor para continuar crescendo.

Até o ano passado, a Argentina era o maior comprador da carne suína brasileira. Parte das vendas externas se destinavam à China e ao Chile. Mas hoje a Rússia assumiu a ponta dos negócios, comprando praticamente 50% da produção brasileira exportada.
"Apesar de todo o avanço, é possível chegar mais longe", analisa o veterinário da Coamo. 

Ele revela que o consumo interno per capta fechou o ano na faixa de 12 quilos. "Os países da Europa trabalham com 30 a até 50 quilos por habitante por ano. Então, se houvesse um crescimento de 12 para 20 quilos per capta no Brasil, nós não poderíamos nem exportar", contabiliza.

As expectativas para este ano, segundo Tovo, é ingressar no mercado comum europeu. "Já existe um estudo para uma parceria da Região Sul do País com a Itália. Assim, queremos abrir uma porteira para o Japão, que hoje é o maior importador de carne suína do mundo", completa, acentuando que o Brasil possui padrão internacional e um custo de produção acessível para garantir boa fatia desse mercado. "O que temos que fazer é aproveitar o bom momento que estamos vivendo e mostrar isso lá fora".

 

Análises do Mercado Agrícola
Comercialização Coamo - 15/02/200

Soja
Os preços internacionais da soja baixaram com a ausência da China no mercado e também com a chegada da safra sul-americana. A janela para a existência de problemas climáticos aqui na América do Sul está diminuindo, mas há ainda uma pequena chance de alta, motivada por seca na Argentina e por excesso de chuva no Centro-Oeste. Além disso, o único fator novo no mercado é o fato do Congresso Americano ter aprovado um pacote agrícola que aumenta os subsídios aos produtores de maneira geral, mas torna o milho mais atrativo do que a soja. Caso esse projeto seja também aprovado pelo presidente, poderia haver uma migração do plantio de soja para o milho, mas não é provável que isso aconteça a tempo de influenciar o plantio de 2002.

Milho
A safra começa a ser colhida, mas o mercado ainda não se movimenta devido à ausência de vendedores. O produtor está aguardando preços melhores, dado o volume menor de milho no mercado, mas até agora o comprador não tem mostrado interesse aberto a preços mais elevados. Assim, estamos presenciando um jogo de forças entre comprador e vendedor e quem ceder primeiro vai dizer que rumo tomará o mercado.

Trigo
As cotações no mercado internacional (Bolsa de Kansas para o trigo pão e Bolsa de Chicago para o trigo brando) estão mantendo-se estáveis e a situação da Argentina, que preocupava os industriais brasileiros, no sentido de haver um desabastecimento do mercado, não ocorreu. Com isso, houve, inclusive, queda nos preços em relação à última semana pela pressão de venda por parte dos produtores argentinos. O trigo nacional que já vinha sendo comercializado acima da paridade com o importado da Argentina fica ainda mais caro para a indústria nacional a medida que cai o argentino, visto que pela qualidade do trigo paranaense ser superior ao argentino desta safra e a pouca disponibilidade do produto para venda, os preços tendem a permanecer como estão.

Algodão
O mercado não vislumbra melhoras em relação à comercialização da safra anterior. As previsões indicam que a produção mundial de algodão deverá alcançar as 21 milhões de toneladas, ou 8,5% maior que na última safra. Para o consumo mundial, por outro lado, está prevista uma queda de 100 mil toneladas. Em conseqüência, os estoques mundiais finais estão subindo para 10,2 milhões de toneladas, os mais altos desde 1995/1996. Apesar da China e Turquia terem registrado um pequeno aumento no consumo da fibra, houve significativa redução nos EUA, Índia e México. Desta forma, apesar da significativa redução da área plantada no estado do Paraná, os preços praticados para a safra 2001/2002 deverão girar em torno do preço mínimo.

Café
A proximidade de uma grande safra brasileira tem dado um tom negativo para os preços do café no mercado internacional. O fator positivo fica por conta da redução dos estoques da safra remanescente no Brasil até a chegada da colheita. Ademais, os estoques nos países consumidores continuam altos e restringem qualquer alta sustentada nos preços.

 

Indicadores Econômicos

VARIAÇÕES Ago/01 Set/01 Out/01 Nov/01 Dez/01 Jan/02 ACUMULADO ACUMULADO
  PERÍODO 12 MESES
IGP/M (% AO MÊS) 1,38% 0,31% 1,18% 1,10% 0,22% 0,26% 4,63% 10,09%
TR (% AO MÊS) 0,34% 0,16% 0,29% 0,19% 0,20% 0,36% 1,46% 2,41%
DÓLAR
COMERCIAL
(% AO MÊS)
4,95% 4,69% 1,34% -6,59% -8,24% 4,22% -0,54% 22,68%
TJLP (% AO MÊS) 9,50% 9,50% 10,00% 10,00% 10,00% 10,00%    
SOJA 10,53% 9,31% 3,05% 5,00% 6,12% 2,08% 41,63% 145,53%
MILHO 8,33% 2,20% 0,00% 3,23% 0,00% 6,38% 21,58% 59,02%
ALGODÃO (TIPO 6) 0,00% 0,00% 0,00% 0,00% 0,00% 0,00% 0,00% 3,57%
TRIGO (PH 78) 0,00% 7,84% 5,23% 0,00% 0,00% 5,59% 19,83% 53,40%
 

Poder de Troca mês a mês

MÁQUINAS/INSUMOS X PRODUTOS UNID. Ago/01 Set/01 Out/01 Nov/01 Dez/01 Jan/02

MÉDIA DO PERÍODO

MÉDIA ULT. 12 MESES

 

TRATOR JOHN DEERE 6-300 - 120 HP

SOJA sacas 1.546 1.524 1.495 1.490 2.515 2.619 1.865 1.999
MILHO sacas 4.240 4.283 4.280 4.201 6.546 6.546 5.016 5.168
ALGODÃO (TIPO 6) arrobas 4.524 4.805 4.854 4.841 7.744 7.744 5.752 5.097
TRIGO (PH 78) sacas 2.248 2.478 2.535 2.466 3.944 3.837 2.918 2.709
 

COLHEITADEIRA NEW HOLLAND TC 57 (completa)

SOJA sacas 6.583 6.499 6.353 6.379 6.931 7.340 6.681 7.769
MILHO sacas 18.057 18.261 18.172 17.989 18.041 18.351 18.145 20.119
ALGODÃO (TIPO 6) arrobas 19.268 20.488 20.610 20.732 21.341 21.707 20.691 19.572
TRIGO (PH 78) sacas 9.576 10.566 10.764 10.559 10.870 10.755 10.515 10.448
 

PLANTADEIRA PSE 8 2S (COM CÂMBIO)

SOJA sacas 1.083 1.101 1.070 1.068 1.128 1.174 1.104 1.200
MILHO sacas 2.969 3.095 3.062 3.013 2.935 2.935 3.001 3.127
ALGODÃO (TIPO 6) arrobas 3.168 3.472 3.472 3.472 3.472 3.472 3.422 3.077
TRIGO (PH 78) sacas 1.575 1.791 1.814 1.768 1.768 1.720 1.739 1.633
 

PULVERIZADOR COLUMBIA MAXTER FLOW

SOJA sacas 737 758 737 736 776 808 759 848
MILHO sacas 2.021 2.131 2.108 2.074 2.021 2.935 2.063 2.199
ALGODÃO (TIPO 6) arrobas 2.156 2.391 2.391 2.391 2.391 3.472 2.352 2.151
TRIGO (PH 78) sacas 1.072 1.233 1.249 1.218 1.218 1.720 1.195 1.147
 

CALCÁRIO

SOJA sacas 1 1 1 1 1 1 1 1
MILHO sacas 3 3 3 3 3 3 3 4
ALGODÃO (TIPO 6) arrobas 4 4 4 4 4 4 4 4
TRIGO (PH 78) sacas 2 2 2 2 2 2 2 2
Para cálculo da paridade de produtos X máquinas e insumos foram utilizados os preços praticados no último dia do mês.