Opinião

Editorial:
2001, um dos melhores anos da Coamo
 

Engenheiro agrônomo José Aroldo Gallassini, diretor presidente da Coamo

Não existe nada mais fundamental para o sucesso de uma cooperativa do que a educação e participação ativa do seu quadro social nas suas atividades. Assim, consubstanciada pela confiança e grande interesse dos nossos cooperados nos eventos técnicos, educacionais e sociais, aliadas às práticas administrativas e visão estratégicas, encerramos mais um exercício contabilizando excelentes resultados.

O ano de 2001 pode ser considerado como um dos melhores de toda a história da Coamo, para orgulho de toda a família Coamo - cooperados,

Dr.Aroldo Gallassini
diretores e funcionários. Um ano onde a economia foi marcada por dois momentos distintos: no primeiro semestre o cenário econômico foi caracterizado, inicialmente, pelas expectativas de expansão das atividades econômicas em função da redução da taxa de juros e da queda da inflação. Já no segundo semestre, a expectativa de que o cenário econômico seria agravado pela confirmação dos prognósticos negativos, aliada  ao atentado às torres do World Trade Center, aumentou o ceticismo em toda a economia mundial, razão pela qual, o Brasil, por ser um País emergente, sofreu em sua moeda um ataque especulativo, tendo como conseqüência uma desvalorização de até 44,5%.

Estes eventos, que afetaram a nossa moeda, iniciaram-se justamente num período em que os insumos da safra de 2001/2002 estavam sendo adquiridos. Como grande parte do custo de produção é formada por produtos importados, o resultado foi a sua elevação, além de continuar absorvendo o elevado custo dos encargos financeiros incidentes sobre o crédito rural. Porém, no caso da Coamo, com o planejamento dos insumos vinculando a soja aos preços em dólar os cooperados adquiriram seus insumos com os menores custos dos últimos 15 anos.

Por outro lado, ainda no segundo semestre, a desvalorização do real propiciou uma elevação dos preços das commodities agrícolas,  beneficiando  54% da comercialização da safra de soja e 60% da safra de milho, proporcionando aos produtores condições de participarem das vantagens da desvalorização do real, já que suas dívidas estavam constituídas nesta mesma moeda.

O ano agrícola de 2000/2001 contou com condições climáticas favoráveis, proporcionando a colheita da maior safra do País e a Coamo participou ativamente na obtenção desta produção, através da implementação de novas tecnologias, disseminadas junto ao quadro de cooperados. 

A conjugação de todas essas variáveis e a forte percepção da Coamo de que através das ações sincronizadas poderia otimizar as oportunidades de negócios, fizeram com que fechássemos o ano de 2001 como um dos melhores anos de nossa história, através do aumento de recebimento, do incremento no fornecimento de insumos, do aumento da produtividade média, da implantação de novas tecnologias, da ampliação dos projetos de diversificação das atividades e, principalmente, do aumento da receita global dos cooperados da Coamo. 

Em 2001 realizamos um volume expressivo de exportação de milho, o que, mesmo em se tratando de uma safra recorde, propiciou uma sustentação dos preços, proporcionando uma boa comercialização aos cooperados. Como resultado do incremento de nossa comercialização no mercado externo, ocupamos o primeiro lugar no ranking de exportação de commodities do Estado do Paraná.

Continuando a política de estar cada vez mais perto dos seus cooperados, dando respaldo à forte atuação do quadro social na cooperativa, realizamos significativos investimentos em infra-estrutura de armazenagem e atendimento administrativo. Em 2001 iniciamos projeto de investimento na ordem de R$ 13,4 milhões, cujas obras irão atingir quatorze unidades de recebimento. Tais investimentos irão facilitar a vida dos cooperados e propiciar à cooperativa uma melhoria substancial no recebimento dos produtos.

Nossa capacidade estática de armazenagem cresceu 6% em relação ao ano anterior, passando para 2,55 milhões de toneladas. Durante o ano de 2001, em nossas 77 unidades de recebimento, recebemos 3,35 milhões de toneladas de produtos, com um crescimento de 26,2% em relação ao ano anterior.

O desempenho econômico-financeiro da Coamo em 2001 foi um dos melhores de sua história. A receita global atingiu R$1,60 bilhão, com um crescimento de 33,8% em relação ao ano anterior. As sobras líquidas foram 140,3% superiores as do ano de 2000, atingindo R$96,25 milhões. O ativo total cresceu 25,4%, atingindo o montante de R$951,83 milhões e encerramos o ano com um patrimônio líquido de R$471,18 milhões, que  teve um crescimento de 22,1% em relação ao ano de 2000. Em tributos e taxas geramos, durante o exercício de 2001, o valor de R$85,22 milhões, com um aumento de 18,0% em relação ao ano anterior. O balanço do exercício 2001 evidencia a solidez financeira da Coamo e a independência de recursos de terceiros para a condução das suas atividades.

A exemplo do ano anterior, a colheita da safra de verão 2001/2002 foi iniciada com boas perspectivas. Esperamos que as condições climáticas continuem sendo favoráveis e que tenhamos êxito na colheita que ora iniciamos. Esperamos uma safra com novos registros de evoluções nas produtividades dos nossos cooperados, fator este que tem sido constante ao longo dos últimos anos, gerando renda e satisfação aos nossos cooperados.

Com a apresentação do balanço do exercício 2001 queremos agradecer a todos aqueles que estiveram conosco e estarão novamente em mais um ano de atividades. A todos os nossos cooperados, diretores, membros dos Conselhos de Administração e Fiscal, membros dos Comitês Educativos, funcionários, clientes, fornecedores, instituições financeiras, órgãos governamentais e entidades de classe. Os nossos sinceros agradecimentos pelo apoio prestado, pelo trabalho desenvolvido, pela parceria preservada e respeitada.

Continuamos contando com todos nesta cruzada em prol do engrandecimento de nosso País, da nossa cooperativa e na realização plena dos anseios de nossos cooperados. Finalizando, agradecemos a Deus por mais um ano de atividades à frente de nossa cooperativa, em companhia de nossos diretores, funcionários e cooperados. Boa Safra!

 

 

Ponto de vista:

O trigo nosso de cada dia

João Paulo Koslovski(*)

No ano de 2001, para atender a demanda do consumo interno, o Brasil gastou aproximadamente 1 bilhão de dólares com a importação de trigo. A projeção que se faz para 2002 é de que nossas necessidades devam atingir a marca dos 10 milhões e 100 mil toneladas do produto, contra uma perspectiva de cultivo na ordem, no máximo, de 4 milhões de toneladas. 

Sem fazer grandes cálculos, podemos concluir que o volume de importação será grande, com a conseqüente evasão de divisas dada a esta nossa necessidade de compra externa.
No último dia 19 de fevereiro, tivemos a oportunidade de participar de uma reunião coordenada pelo Ministério da Agricultura na pessoa do secretário de Política Agrícola - Benedito Rosa do 
Espírito Santo e mais recentemente, no dia 22 de fevereiro, num encontro na cidade de Londrina com o próprio ministro da Agricultura, Pratini de Moraes. Nestas duas ocasiões, por unanimidade de toda cadeia de trigo presente, fomos enfáticos sobre a importância de ampliarmos a produção de trigo no país. Nesta reunião observou-se uma preocupação, a mesma já manifestada por diversas vezes pelo ministro Pratini de Moraes, que o país venha produzir mais trigo, afinal, condições de clima, solo e tecnologia existem até para superarmos a nossa demanda. Ao mesmo tempo nos foi apresentado pela equipe do Ministério da Agricultura as principais propostas de estímulo ao cereal para 2002.

Cabe destacar as perspectivas de um preço de garantia próximo ao pleito formulado por todas as entidades que compõem o agronegócio do trigo. O setor pleiteou R$ 296,00/tonelada do produto. O governo deverá fixar o preço entre R$ 280,00 a R$ 290,00/tonelada.

A pesquisa da Embrapa, na pessoa do grande defensor do trigo - profissional Benami Balcatchuck, apresentou perspectivas positivas e reais possibilidades de ampliarmos significativamente a produção deste importante cereal em outras regiões, especialmente no Centro Oeste.

Os instrumentos de crédito como custeio, AGF, PEP, contratos de opção também foram motivos de debates onde o governo e o Banco do Brasil se comprometeram disponibilizar recursos para dar sustentação ao plantio e a comercialização de trigo. Só o Banco do Brasil deverá disponibilizar neste ano cerca de R$ 250 milhões para o custeio.

Em relação ao Seguro, não será nesta safra que o triticultor poderá contar com tal instrumento, pois não se tem ainda toda proposta concluída para que seja implementado de imediato. Mas existe o PROAGRO e aquelas lideranças que estiveram na reunião puderam sentir na posição expressa pelo Ministério e Banco do Brasil de que haverá PROAGRO para o trigo dentro das regras estabelecidas pelo zoneamento para o produto.

Enfim, pudemos sentir por parte do governo, especialmente do Ministério da Agricultura, a disposição de reverter a incomoda posição "estática" na política de produção de trigo no Brasil.
É óbvio e evidente que para 2002 não há condições de expandir o plantio na forma que gostaríamos, estamos limitados na disponibilidade de semente. Também é importante salientar que se as propostas apresentadas na reunião do dia 19 último forem implementadas, certamente os Estados produtores, especialmente Paraná e Rio Grande do Sul plantarão toda sua disponibilidade de semente.

Só que ainda paira sobre nós uma pergunta: porque até hoje não produzimos trigo para suprir um maior percentual de nossa demanda?

Na realidade já chegamos a produzir, no ano de 1987, cerca de 90% do nosso consumo, prova de que quando há estímulo e mecanismos de apoio a produção, o produtor planta.

Entendemos que para consolidar de vez uma política de trigo no país, precisamos em primeiro lugar de uma política que estabeleça regras de médio e longo prazo, de tal sorte que o produtor e os agentes da cadeia possam se organizar e oferecer as condições indispensáveis para uma maior segurança aos triticultores.

E ficou muito claro pelas manifestações de todos os setores na reunião, da importância e da necessidade de se dispor de uma política de médio prazo para o trigo nacional.

O setor de produção de sementes tem que se preparar para atender demandas crescentes e isto só será possível com sinalização de uma proposta de pelo menos três anos.

Outro ponto que nos cabe salientar é a questão do SEGURO RURAL. Não podemos mais ficar ao sabor da incerteza na produção de alimentos no país. Todos sabemos dos riscos da atividade rural e é necessário que tenhamos, o mais breve possível, a implementação do seguro de renda para aqueles que atuam na área.

Para finalizar, nos parece que a sensibilidade do governo para ampliar o plantio de trigo no país, é altamente positiva e elogiável, mas não podemos esquecer que o estabelecimento de uma política duradoura e estimulante para o trigo, terá que contemplar além do preço, recursos para custeio e comercialização, seguro rural e, sobretudo perspectivas futuras com sinalização clara e objetiva que teremos uma política de pelo menos médio prazo.

Só assim poderemos dizer de boca cheia que o TRIGO NOSSO DE CADA DIA, que já é produzido de forma competente pelo agricultor brasileiro, começa de fato a ser valorizado pelo Governo.

(*) Engenheiro agrônomo e presidente do Sistema Ocepar - Sindicato e Organização das Cooperativas do Estado do Paraná.