Pecuária

Produção de leite a pasto

Alternativa rentável para propriedades eficientes

Cuidados básicos podem garantir boa produção
A bovinocultura de leite vem se consolidando ao longo dos anos como alternativa de renda para as propriedades rurais, e, para que a atividade alcance níveis ideais de produtividade dentro do sistema de produção a pasto é preciso investimentos na fertilidade do solo e utilização de forrageiras de alto valor nutritivo. A produção de leite a pasto pode ser mais econômica, sustentável e eficiente, no entanto
são necessários alguns requisitos básicos, dentre eles a assistência técnica, planejamento, implantação, adubação, manejo, bom senso e conhecimento da pastagem.

Para implantação de forrageiras de alta qualidade nutricional, o conhecimento do clima, do solo, adaptação da planta à região e qualidade nutricional da forrageira são fundamentais. O desempenho do potencial produtivo das pastagens depende da fertilidade do solo, quanto mais fértil a terra maior é a produção do pasto. A análise do solo é importante para avaliação da fertilidade. As recomendações técnicas de correção, calagem, adubação para a implantação e a adubação de reposição da espécie forrageira deve ser prescrita por um engenheiro agrônomo. A vantagem das pastagens adubadas é a produção de alimento volumoso com excelente valor nutritivo, maior quantidade de massa verde por hectare, utilização de maior número de vacas em lactação por hectare e aumento na produção de leite por hectare.

O manejo das pastagens é ciência, arte e bom senso. Para um bom manejo das pastagens é importante definir qual é o potencial de produção de leite do pasto disponível na propriedade. Três fatores são importantes e definem o manejo das pastagens:
  • Momento do pastejo: é fundamental conhecer a espécie forrageira para que o pastoreio seja realizado no momento de maior produção e melhor qualidade nutricional.
  • Altura de pastejo: quanto maior a área folhar da forrageira, maior será a capacidade de restabelecimento.
  • Intervalo entre pastejos: dependendo da espécie forrageira haverá um intervalo maior ou menor, favorecendo melhor desenvolvimento para planta forrageira.

O pastejo rotacional é uma técnica de manejo que proporciona um controle mais eficiente sobre os três fatores e aprimora o conhecimento da pastagem. Este tipo de pastejo tem a vantagem de controlar a qualidade da forragem quando se define o período de descanso e o período de ocupação de cada piquete, oferecer às vacas em lactação o melhor período em que a pastagem tem mais proteína, maior digestibilidade e menos fibra, proporcionando condições positivas para a produtividade leiteira. O pastejo rotacional e adubação são condições essenciais para a produção de leite no sistema a pasto. 

Pastagens de alta qualidade nutricional, com um adequado manejo de pastejo e de adubação, proporciona um aumento na taxa de lotação, da produção de leite por hectare ano, menor custo de produção e maior lucro por litro de leite produzido. A produção de leite sob pastejo é uma alternativa econômica sustentável e com menor gastos com instalações para propriedades eficientes que almejam viabilizar a atividade leiteira.

Tarcísio Spring de Almeida, médico veterinário - Detec em Abelardo Luz (SC)

 

Silagem de mandioca é alternativa para a pecuária

Apesar de já estar sendo utilizada em algumas regiões do Paraná, a silagem de mandioca ainda é uma novidade na área de atuação da Coamo. A tecnologia está sendo introduzida por técnicos da Coamo, que buscam uma nova alternativa para atender os cooperados criadores de gado e suíno, em razão do déficit de material energético utilizado no preparo da ração concentrada tradicional, que atingiu a atividade no inicio do ano passado, principalmente com a falta de milho grão seco, triguilho e triticale. Na busca dessas alternativas, uma das encontradas foi a silagem de mandioca.

Conforme o médico veterinário Hérico Alexandre Rossetto, do Detec da Coamo em Campo Mourão, a silagem de mandioca possui a mesma porção de nutrientes da ração concentrada, com maior custo benefício, e substitui a maioria dos energéticos que são utilizados para manufatura de ração concentrada, tanto para suínos quanto para bovinos de leite ou de corte. O composto substitui a porção energética da ração, sendo necessária apenas uma certa correção no teor de aminoácidos, o que pode ser corrigido com uma pequena adição de farelo de soja. 

Alguns cooperados da Coamo já estão fazendo e utilizando o composto na alimentação animal, que tem um custo bastante baixo, uma vez que uma tonelada de mandioca proporciona uma boa porção de silagem, por um preço bastante acessível. 

Hérico Rossetto orienta o produtor que não possui área para produzir a mandioca e posteriormente transformá-la em silagem, a procurar o vizinho que produz a raiz, ou em municípios da região, onde muitos agricultores plantam a mandioca e revendem para farinheiras. 

Rossetto garante que os resultados obtidos com a utilização da silagem de mandioca são excelentes, tanto na produção do preparo, que é de fácil manuseio e pouco custo, quanto no valor proteico, que depois de ajustado com a adição do farelo de soja, obtêm-se o mesmo ganho de peso por animal, seja suíno ou bovino, das rações concentradas, como a de grão úmido, por exemplo.

Outra facilidade da silagem de mandioca é que ela não precisa ser compactada, o que a torna bem mais fácil de fazer, se comparada com a silagem de grão de milho. 

Na trituração a mandioca se transforma em uma massa, depois é acondicionada no silo, que depois é lacrado. Após o acondicionamento, a mandioca recebe uma compressão para perder 30% da umidade e ficar seca. Com isso não existe a necessidade de compactação da massa, e muito menos de trabalhar com vários tratores. Apenas com um trator e um triturador comum é possível fazer a silagem de mandioca, podendo abrir o silo em 30 dias e utilizar a ração na alimentação do animal, que aceita muito bem o composto pela boa palatabilidade da mandioca.