Opinião

Editorial:
Um ano de prosperidade

Engenheiro agrônomo José Aroldo Gallassini, diretor presidente da Coamo


Dr. Aroldo Gallassini

Fazendo uma retrospectiva deste ano que se finda, podemos dividi-lo em dois momentos: o primeiro até junho, quando tivemos grandes volumes no recebimento da produção dos nossos cooperados com uma safra cheia, confirmando o ano de 2001 como um dos melhores da história da nossa agricultura. Por outro lado, mesmo com um grande recebimento na produção, nesse período, os preços não foram satisfatórios, frustrando os agricultores. 

Nos últimos anos, os altos subsídios dos Estados Unidos às culturas da soja, algodão e milho, aliado aos excedentes mundiais, provocaram reduções nos preços dos produtos agrícolas. A crise mundial que atingiu diversos países em
vários continentes, mais a alta do dólar, transformaram o cenário mundial no segundo semestre deste ano ocasionando bons preços nos produtos, ao contrário do primeiro semestre do ano. 

Como resultado, tivemos a viabilização de grandes volumes de exportações de milho e soja (óleo e farelo), além do fornecimento de um grande trabalho aos cooperados com o planejamento dos insumos vinculando a soja aos preços em dólar. Foi um grande negócio para os nossos cooperados, que adquiriram seus insumos com os menores custos dos últimos 15 anos. Informações dão conta de que os custos variaram este ano dos patamares de 23 até 35 sacas por alqueire, bem abaixo dos custos tradicionais, em torno de 40, 45 sacas por alqueire. 

Os cooperados ficaram satisfeitos com esta modalidade, tiveram boa comercialização efetuando antecipadamente o pagamento dos insumos da sua safra. A redução no custo de produção foi bem recebida pelos cooperados. Tivemos sorte e também visão estratégica em realizar esta operação para o quadro social em um bom momento para sua efetivação, aproveitando o aumento no preço do dólar. 

Os nossos cooperados negociaram praticamente mais da metade de sua produção com preços em alta, devido ao aumento dólar, proporcionando uma maior capitalização. 

Temos informado e buscado a conscientização dos nossos cooperados para que eles aprendam a comercializar para pagar os custos da produção. Mais que aprender, temos que nos conscientizar e não especular, querendo o maior preço e esperando para comercializar perto da safra. Mas, sim, conhecer os custos de produção e efetuar nossa comercialização para pagar os nossos custos. Em acontecendo isso e havendo posteriormente aumento dos preços, temos que vibrar, porque certamente, teremos uma maior margem de rentabilidade na nossa atividade. Enfim, precisamos aprender a comercializar nossa produção em função dos nossos custos. 

E felizmente, os nossos cooperados dão mostra de que estão entendendo esta nossa mensagem e estão efetuando operações futuras, uma modalidade que vem sendo bem aceita e que tem trazido bons resultados. 

O destaque nesta edição do nosso Jornal Coamo é o Projeto Suinocultura. Um projeto integrado que a Coamo está desenvolvendo com a participação consciente dos cooperados e que vem sendo ampliado para melhor atender as necessidades dos suinocultores. Pelo projeto queremos passar dos atuais 80 mil suínos terminados para 300 mil em até cinco anos. Estamos negociando com grandes frigoríficos para garantir aos cooperados uma segurança na comercialização, devido aos grandes volumes, além de uma programação eficiente, para benefício e agregação de renda à atividade de centenas de cooperados. 

Estamos concluindo mais um ano, que teve um plantio bem-sucedido nas lavouras de verão da próxima safra, com boa germinação e chuvas normais. Esperamos que esse clima continue e que tenhamos novamente, mais uma safra positiva, para satisfação de todos os produtores.

Um ano agrícola de muita alegria e sucesso. Um ano de bons resultados que proporcionaram novamente a antecipação de parte das sobras do exercício 2001. Um presente para os cooperados da Coamo que, acreditando no cooperativismo e na força da sua cooperativa, estão participando efetivando cada vez mais e com mais satisfação e resultados.

A distribuição das sobras é uma prática que vem sendo adotada desde o início da Coamo, para orgulho e privilégio dos seus cooperados. Como sempre afirmamos: as sobras são uma das principais diferenças entre uma cooperativa e uma empresa mercantilista. 

É resultado da boa performance durante o ano e do trabalho de toda uma equipe, totalmente voltada para o quadro social. É um importante benefício que merece ser comemorado e valorizado pelos atuantes cooperados da Coamo.

Encerrando mais um ano, queremos agradecer. Primeiramente a Deus pela energia e inteligência ao longo de mais um ano; agradecer aos cooperados que com confiança, fé, trabalho e entusiasmo, tiveram novamente uma expressiva participação na vida da cooperativa; agradecer aos nossos companheiros de diretoria, membros dos conselhos de Administração e Fiscal; comitês educativos; clientes, fornecedores e ao nosso quadro de funcionários, desejando a todos um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo. Muita paz, saúde e prosperidade com renovação de energia e fé com boas produtividades e resultados.

 


Ponto de vista:
Por um ambiente socialmente mais justo

(*) Moacir Micheletto

Nossos recursos ambientais e especialmente as florestas devem ser conservados sob o paradigma do uso sustentável, sem exaurimento, proporcionando condições a um desenvolvimento socialmente justo. Este princípio orientou meu relatório, que por sinal recepciona quase integralmente o texto da Medida Provisória nº 2.080, cuja formulação resultou de extraordinário esforço de discussão no âmbito do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama). Por este motivo, mantive no texto as limitações de uso de 80% das propriedades rurais na região amazônica, 35% no cerrado e 20% no restante do País. 

É hora de deixar de lado posições baseadas em crenças pessoais e analisar as alterações propostas no Código Florestal brasileiro sob os vários ângulos de interesse da sociedade e das comunidades atingidas. O desafio que enfrento, na verdade, sintetiza a busca de uma resposta para a grande equação do desenvolvimento sustentável.

Há mais de dois anos, persigo uma saída para a premente e inquestionável conservação ambiental e a igualmente necessária manutenção de postos de trabalho, de geração de renda e qualidade de vida. Achei a resposta na ciência. Optei por uma proposição de natureza técnica e reguladora da relação social versus recursos florestais: o Zoneamento Ecológico e Econômico. 

Nas recentes audiências públicas realizadas pela Comissão Mista do Congresso, no Acre e em Rondônia, ficou evidente que a Medida Provisória do Executivo carece de agregação legislativa formal dos benefícios técnicos proporcionados pelo instrumental do Zoneamento Ecológico e Econômico. 

Não podemos deixar de atender a esta antiga demanda das autoridades estaduais de conquistarem a devida autonomia para regular o acesso aos recursos naturais de suas regiões, respeitando as suas peculiaridades. 

As alterações propostas no Código Florestal e na regulamentação das reservas legais das propriedades rurais brasileiras não produzem reflexos apenas no meio ambiente, mas no meio de vida de centenas de milhares de pessoas. Será que podemos impor miséria ao invés de buscar soluções possíveis, que garantam vida digna a estas comunidades? Como resposta, proponho e defino programas de apoio a esta recomposição, que deverá ser voluntária e em conformidade com o nível de apoio proporcionado à pequena propriedade rural. 

Não há um conflito real entre a preservação ambiental, a conservação das florestas e a produção agrícola. Já existem tecnologias que introduzem um conceito de desenvolvimento sustentável no campo, que orientam o produtor a um manejo ecologicamente correto, sem afetar drasticamente a atividade produtiva. Será que o campo brasileiro, com todo o seu potencial agrícola, ficará relegado ao atraso pela análise inadequada da questão? Com certeza, uma legislação ambiental embasada no direito de todos ao conhecimento de como conviver com a natureza, sem depredá-la, é a solução mais inteligente e racional para esta questão. É o que estou propondo como relator da Medida Provisória 2.080. 

Moacir Micheletto é engenheiro agrônomo, deputado federal pelo Paraná. Maiores informações no site: www.moacirmicheletto.com.br