Bife com nome e endereço
De olho no exigente mercado de exportação, criadores investem na rastreabilidade da carne bovina e agregam qualidade e segurança ao consumidor

Paulo Faria (direita) condere a
identificação do bezerro |
A idéia de implantar um sistema que pudesse garantir um controle eficiente da atividade de bovinocultura de corte, foi o primeiro passo para o cooperado Paulo de Tarço Ribeiro de Faria, de Altamira do Paraná, ingressar num sistema que vem ganhando a preferência dos criadores em diversas regiões do Brasil: a
rastreabilidade. De olho no exigente mercado de exportação - que pode |

Detalhe dos brincos, com dois campos
de quatro dígitos cada: maior controle e segurança |
saltar de 5% para 30% do mercado brasileiro de carne, os criadores apostam no rastreamento como uma nova revolução na atividade. Com nome e endereço, os bovinos agregam qualidade e segurança à carne para o consumidor final.
Com um rebanho aproximado de 1.200 cabeças, o cooperado controla todo o manejo dos animais desde o nascimento do bezerro. O trabalho vem sendo executado há dois anos, mas se intensificou no último ano. "Passamos a conhecer melhor o sistema e corrigimos algumas falhas. Hoje, todos os bezerros da fazenda já estão cadastrados", revela. A identificação, segundo Faria, é feita através de fixação de um brinco de plástico na orelha dos animais. Os brincos possuem dois campos, cada um com quatro dígitos. O primeiro identifica a raça do pai e os outros três o número da mãe. |
O quinto dígito identifica a raça da mãe; os outros dois a data de nascimento e o último indica a raça do bezerro.
O cooperado conta que a eficiência do controle depende de boa parceria entre o administrador e o proprietário da fazenda.
"Felizmente temos bons parceiros, que fazem a coleta das informações no campo",
valoriza. Os dados são anotados numa planilha e checados semanalmente. "Não perdemos qualquer detalhe. Mantemos um controle rigoroso para que agregar maior valor à nossa produção e garantir que os animais que permanecem na propriedade são os mais eficientes", destaca. Outra vantagem do sistema é a segurança na reprodução, feita através de monta natural. O controle afasta o perigo dos touros cobrirem as novilhas filhas.
Mas o controle do manejo reprodutivo é apenas uma das fases do processo. A alimentação e a sanidade dos animais também são fundamentais no sistema, adaptado por ele mesmo para as necessidades da fazenda. O gado se alimenta a pasto, em piquetes com diversas espécies de forrageiras, que favorecem o pastoreio rotacionado. Os bezerros recebem alimentação diferenciada, através do sistema de creep feeding. O calendário profilático é executado com rigor. Com isso, Faria vem conseguindo melhorar os índices da propriedade e assegurar melhores resultados.
Apesar de preferir não falar ainda sobre os benefícios, ele admite que além da eficiência no controle do rebanho, os resultados começam a aparecer também na comercialização dos animais. "A nossa produção é muito bem aceita no mercado, uma vez que os nossos clientes podem comprovar que os animais são de qualidade através da rastreabilidade", ressalta. Ele não informa o quanto está ganhando a mais pelo controle rigoroso na produção, mas afirma que não está pagando mais caro pelo trabalho. "Controlar a eficiência do negócio é apenas uma questão de atitude. Qualquer um pode fazer isso, sem alterar o seu custo de produção", orienta.
Fechando o ciclo - Para o cooperado Paulo Faria, o segredo para uma pecuária de corte eficiente está na base genética, manejo e controle dos animais. No ano que vem, ele deve fechar o ciclo de rastreabilidade em todos os animais, frutos de cruzamento industrial. As raças trabalhadas na propriedade são três: nelore, charolês e
simental.
Sistema engatinha no Brasil

Regras brasileiras devem ser
implantadas em 2002 |
Definida pela Europa, há pouco mais de cinco anos, em função do "mal da vaca louca", no Brasil, a restreabilidade na bovinocultura de corte ainda é um negócio para poucos. Oficialmente, apenas dois estados brasileiros mantém um programa de rastreamento de bovinos. São eles: Rio Grande do Sul e Minas Gerais. Mas a previsão do Ministério da Agricultura é expandir |
o rastreamento da cadeia produtiva a partir do ano que vem. O prazo para a implantação das normas será no final de 2002.
No Paraná, diversos produtores adotam o sistema. A maioria deles acabou adaptando os formatos dos programas gaúcho e mineiro para as necessidades das propriedades. Mas o Estado já trabalha na elaboração de um programa próprio, que possa garantir uma padronização do trabalho.
Alguns modelos
Identificação eletrônica - Os animais são identificados pelas veias do fundo do olho. Assim como a impressão digital, o padrão vascular da retina é único para cada animal e não muda ao longo da vida. A coleta é feita com uma câmera semelhante a uma pistola, que registra simultaneamente as imagens das veias, hora, data e coordenadas geográficas da localização, que podem ser transferidas e armazenadas em bancos de dados. A técnica foi desenvolvida nos Estados Unidos.
Chip eletrônico - Colocado no rúmen do animal adulto ou na cicatriz umbilical do bezerro, a tecnologia permite a identificação de todo o histórico do animal até a hora do abate. Uma antena instalada em locais estratégicos capta por ondas de rádio a passagem do animal pelo local. Essa informação alimenta o programa de gerenciamento com informações que indica a atividade animal. O chip é revestido de porcelada ou resina de mamona e pode ser reaproveitado. A tecnologia foi desenvolvida pela Embrapa
Certibov - Programa mineiro onde os animais recebem um brinco de identificação com a sigla do Estado, microrregião de nascimento e dados determinados pelo IBGE.
Sirb - Programa gaúcho que permite a identificação individual desde ao nascimento até o abate, registrando todas as ocorrências com o animal ao longo da sua vida. Os brincos são enviados pelo Sirb com numeração seqüencial. O produtor faz o seu cadastro via Internet, envia as informações do rebanho e recebe os brincos. Os dados do ciclo de cada animal são informados on-line por três anos e então transferidos para um banco de dados.
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