Pecuária

Ganhando mais adubando a pastagem

Cooperado de Roncador amplia resultados da bovinocultura arredondando o manejo dos animais

Com o veterinário Guglielmo Siolari, o cooperado confera a qualidade da pastagem recém formada
Na pecuária moderna, o produtor tem se utilizado de diversas alternativas para ampliar a renda do negócio. Com a alta competitividade e as margens de lucro cada vez mais reduzidas, o criador busca explorar a atividade de uma forma eficaz e estável, reduzindo os custos e acertando os detalhes que podem fazer a diferença no resultado final da atividade.

É o que vem fazendo o cooperado Valdemar Philipp, de Roncador. Há quase seis anos, ele vem investindo na melhoria da qualidade e no manejo das pastagens existentes em sua propriedade. Com um plantel de 500 cabeças, entre gado de cria e engorda, o cooperado tem acompanhado uma evolução significativa nos índices zootécnicos da fazenda, somente lançando mão de uma adubação recomendada para as áreas e o manejo adequado das pastagens. "O índice de fertilidade das vacas, que antes deixava a desejar, está hoje em torno de 90%", comemora Philipp, que trabalha com diversas raças, em sistema de cruzamento industrial. O peso à desmama foi outro índice que cresceu na fazenda. Hoje os animais chegam a pesar uma média de 210 quilos à desmama, em cerca de 7 meses. Na terminação os animais levam entre 2,5 a três anos para chegar ao peso de 17,6 arrobas.

Na fazenda, a pecuária divide espaço com a agricultura, em sistema de integração. "Ganham as duas atividades, uma vez que uma complementa a outra e ambas deixam um resultado satisfatório no final das contas", conta o cooperado. Valdemar Philipp descobriu que a melhor pastagem é aquela que o produtor já tem na propriedade. "Não adianta só investir no cultivo com variedades de excelente qualidade e produtividade - o que também estamos fazendo, se o produtor não mantiver o nível de produção. E isso só se consegue com um manejo correto, através do pastoreio rotacionado, e da adubação adequada das áreas", orienta o cooperado.

Para o próximo ano, Philipp já decidiu que vai ampliar o plantel e explorar apenas
a pecuária de cria. "Assim vamos otimizar mais o negócio", revela. A meta é manter um plantel de 400 matrizes nelore, mantendo a estação de monta, incorporada recentemente à propriedade. "Passaremos a trabalhar também somente com touros nelore para servir a vacada. Assim, o objetivo é chegar à produção de bezerros puros da raça nelore que serão disponibilizados ao mercado para a terminação", conta.
Philipp: "melhor pastagem é que já temos na propraidade"

 

 

BOI NO INVERNO

A dificuldade no cultivo do trigo fez o cooperado Valdemar Philipp experimentar o sistema de integração agricultura/pecuária e investir nesta nova tendência do agronegócio. A pecuária sempre fez parte da propriedade, mas com a decisão acertada o cooperado passou a investir mais no solo. "Com a experiência da agricultura, onde sabemos que o solo responde a investimentos de adubação, não foi difícil assimilar esta nova tecnologia", revela.

Com novo manejo, animais estão mais pesados e produtivos
A área de pastagem ocupa 62 alqueires da propriedade, formada basicamente por Brachiária brizanta. Em alguns talhões, o cooperado já está investindo em outras variedades, como o capim mombaça. "A idéia é equilibrar o nível de fertilidade das áreas de pastagem, como acontece com as de lavoura, verticalizando a produção nas duas frentes", completa.

Na parte de lavouras o cooperado cultiva 115 alqueires, entre soja e milho. Depois que adotou o novo sistema de trabalho Philipp também constatou um incremento na produtividade média das culturas, saltando de 112 para 138 sacas de soja por alqueire, nos últimos quatro anos. O milho ocupa 20% da área, em esquema de rotação, e na última safra a produtividade média da fazenda foi de 380 sacas por alqueire.

 

Granjas limpas, animais sadios

Criador deve ter uma estratégia de limpeza e desinfecção para que ambas as atividades sejam eficientes

Um ambiente limpo e desinfectado evita proliferação de doenças e garante  maior produção
Princípio básico de qualquer criação, a higiene do ambiente físico é fundamental para que o criador mantenha um bom resultado com a sua atividade. No caso das granjas de suínos, por exemplo, os cuidados podem evitar a proliferação de doenças e garantir maior produção. A limpeza e desinfecção das granjas vão refletir diretamente no resultado de toda a cadeia produtiva da suinocultura, onde a premissa é: granjas limpas, animais sadios.

"Em nível de maternidade e creche a situação é mais preocupante", avisa o médico veterinário Adriano Regiani Pereira, do Detec da Coamo em Mamborê. É onde, segundo ele, as bactérias se reproduzem com maior rapidez e, assim, as doenças aparecem. "A situação perigosa se estende, em seguida, para os locais de terminação, uma vez que os leitões já saem da creche com alta contaminação de bactérias que vão se disseminar durante a engorda", assegura.

O veterinário da Coamo explica que os animais que vivem em lugares sujos e infectados enfrentam maiores desafios. "Assim, diariamente eles lutam para se manter sadios; vivem para se manter vivos. E deixam de ganhar peso: que é o objetivo da criação", alerta.

Como fazer - O ideal é que o criador divida o trabalho em duas partes, cuidando primeiramente da limpeza e depois da desinfecção.
A limpeza é a parte que depende exclusivamente da qualidade da mão-de-obra. Nada mais é do que manter limpas as instalações. "O trabalho é diário e rotineiro. Porém, se for feita de forma imediata, as retiradas de esterco e urina tornam-se mais fáceis", explica o veterinário da Coamo.

Quando os animais forem retirados da granja, a recomendação é que o criador providencie uma raspagem dos dejetos no piso da granja e utilize água e detergente para uma lavagem completa em toda a granja, inclusive teto e paredes. "Depois de seco, o piso pode receber a vassoura de fogo, para eliminar o restante das bactérias", ensina.

A desinfecção é o próximo passo. O ideal, neste caso, é que o criador procure se informar com o técnico que dá assistência na granja, qual é o desinfetante recomendado para a sua situação e, principalmente, as doses a serem utilizadas. "Esta questão é delicada de se trabalhar com o produtor, uma vez que ele não vê o resultado imediato da desinfecção", explica Pereira. Mas as vantagens são aparentes, segundo o veterinário, do ponto de vista que os animais estão livres de doenças.

É importante que o criador monte uma estratégia de limpeza e desinfecção, inclusive da quantidade de vezes que as operações devem ser repetidas na propriedade, para que ambas as atividades sejam eficientes.

 

Linfadenite preocupa produtores e técnicos

Descoberta em 1994, a linfadenite é uma doença já bem conhecida dos produtores de algumas regiões do país. Porém, na área de ação da Coamo ela é novidade para os criadores. Difícil de ser detectada nos animais dentro da granja, a linfadenite ataca os órgãos internos dos suínos e só é descoberta no frigorífico. 

Pelos prejuízos que pode causar à cadeia produtiva da suinocultura, a doença tornou-se um desafio para criadores e pesquisadores. De acordo com a epidemiologista Virginia Santiago Silva, pesquisadora da Embrapa de Concórdia, em Santa Catarina, a linfadenite é uma infecção por bactéria e se dá por via oral fecal. Por ser detectada somente na hora do abate, dificultando a observação do criador, a doença pode ficar alojada nos órgãos internos dos suínos por até a quatro meses. Ela não causa queda na produção e nem mesmo no desempenho do animal, o que dificulta ainda mais a percepção do criador quanto ao problema.

A pesquisadora acredita que a doença tenha entrado no Paraná através de suínos infectados, quando da compra e venda, ou seja, da livre comercialização do animal. 

A doença passou a ser evidenciada e identificada depois que começou a acontecer um rastreamento minucioso dentro dos abatedouros. No entanto ainda não é conhecida a fonte dessa infecção, de onde ela vem e como começou. A única certeza é que trata-se de uma bactéria que pode ser encontrada no solo, na água e inclusive as aves são portadoras.

Prevenção - O pesquisador Armando Lopes do Amaral, também epidemiologista da Embrapa de Concórdia, em Santa Catarina, afirma que os estudos para combater a linfadenite só começaram em função do prejuízo causado a cadeia produtiva. Lopes alerta que para o criador o prejuízo muito grande, já que se detectada a doença no momento do abate o desconto por carcaça de animal pode chegar a 20 por cento, onerando o bolso do produtor. 

"Como não existe um medicamento eficiente, desde de 1997 a Embrapa começou a pesquisar a doença na intenção de apontar a melhor maneira de prevenir. Por se tratar de uma infecção que se dá através das vias fecal e oral, tudo que for feito na granja para evitar o contato das fezes com os animais vai ajudar neste tratamento", comenta Armando Lopes.

Algumas das medidas seriam trabalhar com lotes maiores e entregar os animais no abatedouro a cada 14 dias, e não toda semana; fazer vazio sanitário na granja, principalmente na maternidade e creche; ter um cuidado muito especial na fabrica de ração, como separar a pás e vassouras especificamente para casa setor e evitar a entrada de pássaros e outros tipos de animais no ambiente.

Outro cuidado a ser observado é com os comedouros, que devem estar sempre limpos e respeitar a lotação de animais por metro quadrado, conforme a metragem da granja. Pois quanto mais animais por metro quadrado, pior, já que o principal fator de risco está relacionado com a higiene.