Opinião     



Editorial:

Reuniões de campo, trigo e safra de verão

Engenheiro agrônomo José Aroldo Gallassini, diretor presidente da Coamo

Com muito sucesso, encerramos no dia 6 de fevereiro as Reuniões de Campo do primeiro semestre de 2004 reunindo 10,5 mil cooperados em 36 encontros. Novamente, registramos expressiva participação do quadro social, fato que vem se repetindo a cada novo encontro com os produtores. Temos observado que os cooperados estão cada vez mais interessados e estão participando das atividades da Coamo. Nas Reuniões de Campo deste início de ano, que também são chamadas de “pré-assembléias”, apresentamos aos cooperados de maneira simples, didática e transparente, a situação econômica do país e da política do governo em relação à agricultura.

A Coamo tem 39 Obras em andamento com 65.000m2 em construções e um incremento em 6.000.000 de sacas na capacidade de armazenagem.


Com certeza, o ano de 2003 vai ser um ano que ficará na história como o melhor de todos os tempos na agricultura. Graças a alta produção das lavouras de verão e também de altas produtividades e qualidade das lavouras de milho safrinha e trigo. Foi um grande ano, de grande produção e bons preços. Foi um ano marcado por frustrações da safra americana, seca na Europa e na China, que ocasionaram grandes perdas agrícolas. Tivemos competência, tecnologia e também sorte, aliado aos bons preços do mercado mundial.

Apresentamos também, nas reuniões, os números de balanço e serviços que a Coamo disponibilizou aos seus cooperados. Benefícios tecnológicos e financeiros que proporcionaram o plantio das lavouras e assistência a grande produção dos cooperados. E como resultado, tivemos o aumento da produtividade e da renda do quadro social da Coamo.

Iniciamos 2004 vivendo um grande período de estiagem, que está provocando perdas de produtividades nas lavouras de verão da região Sul do Brasil devido a chuvas heterogêneas e irregulares. Lamentamos muito esta situação, mas como agricultor temos que encará-la de frente e esperar pela normalização do clima com menores números de perdas possíveis. Mas uma coisa é certa, 2004 não terá o mesmo sucesso das safras anteriores.

Por outro lado, com relação às lavouras de inverno, a Coamo está propondo um projeto inédito de regionalização de trigo no Paraná. Projeto este que foi apresentado durante o 5º Seminário Técnico do Trigo, no início de fevereiro, em Londrina. A proposta de regionalização da Coamo para o plantio de trigo consiste em orientar produtores no plantio de variedades que têm grande procura e comercialização garantida nos mercados interno e externo. Assim, para as regiões norte, noroeste e oeste do Paraná e Mato Grosso do Sul, estamos propondo o cultivo de variedades com alta força de glúten, ou seja, trigos melhoradores, indicados para panificação industrial. Já para as regiões sul e centro-sul do Paraná e extremo-oeste de Santa Catarina, a recomendação é para o plantio de trigos brandos, que possuem baixa força de glúten e são destinados ao mercado de biscoitos, bolachas, pizzas e massas para bolo.

O objetivo deste projeto inédito da Coamo é criar uma nova identidade para o trigo paranaense, buscando assim uma maior liquidez no mercado. A produção nacional encontra dificuldades de venda no mercado externo e dificilmente o Brasil vai se firmar como exportador de trigo se não adotar um padrão de qualidade definido.

Concluímos que é possível plantar trigo com qualidade e sucesso no Brasil, apesar do clima. Em 2003 tivemos uma safra de alta produtividade, como exemplo citamos números da Coamo onde 50 maiores produtividades foram de 160 sacas por alqueire e as cinco maiores atingiram níveis de 190 sacas por alqueire. Temos tecnologia, qualidade de sementes e estamos preparados, ficando dependentes apenas do clima. Se o clima for favorável temos grandes oportunidades de colher trigo com alta qualidade produtividade. Os resultados da safra passada animaram os triticultores que devem aumentar suas áreas em 2004. Se essa proposta for levada a sério pelas entidades e produtores com plantio seguindo as recomendações técnicas, em pouco tempo o Paraná será um estado especializado em qualidade trigo, com ótimas perspectivas de colocação do produto no mercado externo.

Com relação à comercialização da safra, as tendências de mercado são boas para 2004, devido aos baixos estoques mundiais. O cenário atual é favorável e a previsão é de que tenhamos bons preços tanto para a soja como para o milho. Mas, o que temos que pensar é com relação à safra de 2005, já que neste ano mesmo com a seca, teremos novamente uma grande safra brasileira. Vivemos atualmente um período anormal, já que a soja está cotada a níveis de US$ 15,00 e US$ 16,00 e estes são preços bem acima dos praticados em safras normais. O momento é de euforia, mas devemos ser cautelosos, pois se houver boas safras nos EUA e na Europa, 2005 poderá ser um ano diferente com bons estoques e abastecimento da produção mundial, podendo provocar a volta dos preços normais. É preciso que estejamos atentos e acompanhando estas previsões, principalmente, aqueles produtores que investiram muito, que contrataram arrendamentos acima dos preços de mercado. Assim, devemos esperar e ter cautela para o sucesso dos nossos negócios na agricultura.


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