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Coamo lança programa de redução do desperdício na aplicação de defensivos

META É CONSCIENTIZAR COOPERADOS NA BUSCA POR MAIOR EFICIÊNCIA DURANTE O TRABALHO, EVITANDO QUE OS LUCROS VAZEM PELOS BICOS DO PULVERIZADOR

Mais ou menos, para nós, não serve mais”. A frase foi dita pelo engenheiro agrônomo Marco Antonio Gandolfo, professor da Cadeira de Mecânica e Mecanização Agrícola da Fundação Faculdades Luiz Meneguel, de Bandeirantes (norte do Paraná), e consultor técnico da Jacto. Ele se referia à aplicação de defensivos agrícolas nas lavouras, encarada como uma dos fatores que podem fazer a diferença entre o sucesso e o fracasso do produtor rural. Segundo Gandolfo, a conscientização é a principal ferramenta para fazer com que o agricultor trate a pulverização com ênfase para a eficiência, sob pena de ter o seu lucro à deriva.

A preocupação do pesquisador está baseada em um trabalho inédito da Coamo: a instituição do Programa Coamo de Tecnologia de Aplicação de Defensivos Agrícolas (TA). Aliás, o próprio Gandolfo foi parceiro na realização de um levantamento para diagnosticar os principais problemas enfrentados pelos agricultores no momento de aplicar os defensivos na lavoura. As informações foram geradas em dois anos de pesquisa e refletem as realidade da região de atuação da Coamo. “É um diagnóstico pioneiro no Brasil, onde buscamos avaliar as condições dos pulverizadores dos cooperados, identificando os principais problemas que ocorriam na área de tecnologia de aplicação de defensivos agrícolas”, lembra o engenheiro agrônomo Nei Leocádio Cesconetto, gerente de Assistência Técnica da Coamo. Ele informa que, durante o trabalho de levantamento de dados, foram aplicados 750 questionários entre os cooperados, com 104 perguntas cada um.

Depois de tabulados os resultados, a equipe foi à campo para inspecionar os pulverizadores. “E agora estão sendo desenvolvidas ações, que vão corrigir esses problemas – a maior parte deles relacionados ao uso do equipamento, que vai desde a manutenção, seleção de pontas; determinação de volumes de aplicação; calibração; até o compromisso do agricultor com a qualidade do trabalho que ele está executando”, acrescenta Cesconetto.

LANÇAMENTO OFICIAL – Depois de apresentar um material preliminar sobre o diagnóstico, em agosto de 2004, a diretoria da Coamo fez um lançamento do Programa Coamo de Tecnologia de Aplicação de Defensivos Agrícolas (TA) durante as Reuniões de Campo deste primeiro semestre. Em seguida, lançou oficialmente o programa por ocasião do 17º Encontro de Cooperados, realizado na fazenda experimental da cooperativa, em Campo Mourão. “O objetivo final do trabalho é reduzir perdas através do aumento da eficiência da aplicação e, com isso, garantir uma maior lucratividade para o produtor rural”, ressalta o diretor presidente da Coamo, engenheiro agrônomo José Aroldo Gallassini.

Ele repassou aos cooperados presentes ao evento um livro (boletim técnico) e conclamou uma ação concentrada entre cooperados e assistência técnica para a redução dos índices de perdas pela má aplicação dos defensivos agrícolas – sobretudo pela deficiência dos pulverizadores. A meta, segundo ele, é eliminar as principais falhas verificadas no diagnóstico nos próximos dois anos.

REALIDADE BRASILEIRA – O programa vem sendo desenvolvido em parceria com a Jacto, Bayer CropScience e Coodetec, com apoio da Embrapa. Independente de pontos específicos, os números levantados na área de ação da Coamo, de forma geral, não diferem na situação normal do Brasil. O que confirma que os problemas são comuns, tanto no que se refere a técnicas de aplicação voltadas para escolha de bicos de pulverização, como também aspectos direcionados a qualidade do equipamento.

“A partir desse levantamento é possível saber o quanto o produtor pode agregar ou economizar com uma calibração bem feita e a manutenção periódica do  pulverizador”, afirma Gallassini. Ele cita, como exemplo, a perda de uma saca de soja ou trigo por hectare – causada por falha na aplicação ou deficiência dos produtos, que causa um prejuízo ao produtor rural de R$ 5,4 mil por ano. “Com este valor, em seis anos, o agricultor poderia trocar o seu pulverizador por um novo, somente com a economia gerada pela eficiência na tecnologia de aplicação de defensivos”, salienta o presidente da Coamo.

CONSCIENTIZAÇÃO – É bom lembrar que a meta da Coamo, com o lançamento do Programa TA, não está relacionada com a redução de dosagem de produtos, uma vez que esta deve ser respeitada porque é recomendada pelo fabricante. “O nosso foco é reduzir as perdas por eficiência na aplicação dos produtos. E quanto a isso, só no que se refere a calibração do equipamento, ou seja, fazer uma regulagem adequada, em algumas situações nós vamos poder com certeza reduzir até mais de 10% daquilo que tem sido aplicado”, prevê Nei Cesconetto, gerente Técnico da Coamo.

 

CONTROLE PADRÃO

PROJETO DE FERTILIDADE DA COOPERATIVA GANHA ESPAÇO EM REVISTA ESPECIALIZADA DO SISTEMA

A idéia do Programa Coamo de Tecnologia de Aplicação de Defensivos Agrícolas (TA) surgiu durante o levantamento da Coamo para avaliação da ocorrência de plantas daninhas resistentes a herbicidas. Na ocasião, foi identificado que uma boa parte das falhas nas aplicações, durante as tentativas de controle de plantas daninhas, estavam ocorrendo não apenas pela ação direta da resistência da planta, mas também pela falha na eficiência da aplicação.

“A metodologia desenvolvida na montagem do plano de inspeção periódica permite que sejam identificados e até quantificados esses erros”, revela Gandolfo. “Então, não é simplesmente dizer para o produtor o que está errado, mas orientá-lo e auxiliá-lo nos novos cálculos de calibragem do maquinário”, explica. Desta forma, além de reduzir as possibilidades de perdas, através do desperdício de produtos; má aproveitamento da mão-de-obra; e redução da contaminação ambiental, o agricultor ou seu aplicador evita perdas diretas na produtividade final da cultura.

EFICIÊNCIA – No diagnóstico apresentado pela Coamo aos cooperados, durante o encontro na fazenda experimental, alguns números chegaram a impressionar. Como os casos de produtores que chegam a perder mais do que 30% da eficiência do produto apenas por problemas de calibração ou desgaste do bico, ou até mesmo pela diferença na quantidade de produto aplicada ao longo da barra. “Alguns produtores mantinham uma média baixa nas perdas por eficiência, mais em algumas partes da barra eles chegavam a perder até 50% da eficácia do produto. Assim, é fundamental uma boa análise antes, durante e depois da realização do trabalho de calibração da máquina, pois o investimento na correta manutenção do equipamento significa menos de 1% da média que se aplica a mais por problemas de má calibração e manutenção”, contabiliza o pesquisador.

 


ENTENDA O PROGRAMA

O Programa Coamo de Tecnologia de Aplicação de Defensivos Agrícolas (TA) consiste na conscientização dos cooperados para a verificação e manutenção dos pulverizadores, com o objetivo de reduzir as perdas causadas pela má distribuição ou aplicação excessiva de defensivos agrícolas nas lavouras, devido a falta de manutenção de bicos e outras partes do equipamento de pulverização. Assim, são as seguintes as metas do programa: 

 
  • Aperfeiçoamento dos cooperados e dos operadores de   pulverizadores, visando a redução das perdas no momento da aplicação   dos defensivos agrícolas nas lavouras
  • Evitar o uso desnecessário dos defensivos agrícolas    * Profissionalização dos cooperados e dos operadores de pulverizadores, através de cursos e treinamentos sobre o TA
  • Diminuir os riscos de contaminação do aplicador e do meio ambiente
  • A melhoria da eficiência e da qualidade na pulverização, minimizando as perdas e maximizando  a eficiência no controle de pragas, doenças e plantas daninhas das culturas 
  • Aumento da renda do cooperado pela melhoria na eficiência do trabalho de pulverização e redução de gastos e perdas

ONDE ESTÃO OS ERROS?

- Uso de bicos inadequados para os alvos que se destinam
- Falta ou defeito no manômetro, ou equipamento inadequado
- Vazamentos ou entupimentos de bicos ·          
- Altura inadequada das barras durante a aplicação ·          
- Desrespeito às condições climáticas no momento da aplicação ·          
- Falta de conhecimento para a calibração dos equipamentos
- Ausência ou não funcionamento do tacômetro no trator
- Filtros inadequados para o tipo de bico utilizado ·          
- Erros na calibração

 

POR QUE PERDER?

Veja o que o agricultor pode estar perdendo, considerando uma propriedade que planta 100 hectares de área por ano com soja e trigo e que utiliza um pulverizador de 2 mil litros, com 37 bicos: 

Custo anual dos defensivos - R$ 60.500,00
Valor dos produtos por bico/ano - R$   1.635,00
Custo de um jogo de bicos - R$     555,00

**O custo dos bicos equivale a 0,92% do valor gasto anualmente com os defensivos aplicados nas lavouras 

Perdas médias por bicos ruins chegam a 17%. Isto equivale a 05 (cinco) revisões gerais do pulverizador ou 18  jogos de bicos e peneiras. 

A perda de apenas uma saca de soja e trigo por hectare significa um prejuízo de R$ 5.400,00 por ano. Este valor paga com sobra um pulverizador novo a cada seis anos.

TA passo-a-passo

Entre as estratégias desenvolvidas pela Coamo que marcou o lançamento do Programa Coamo de Tecnologia de Aplicação de Defensivos Agrícolas (TA), foi distribuído aos cooperados um folder com orientações sobre como evitar perdas na aplicação dos defensivos agrícolas, apresentando um resumo dos valores que estes erros podem representar ao bolso do agricultor. Também a publicação de um boletim técnico, com 86 páginas.

O livro, entregue aos cooperados durante o 17º Encontro de Cooperados da Coamo, realizado na Fazenda Experimental, em Campo Mourão, é uma ferramenta desenvolvida para servir de fonte de consulta para agricultores e técnicos. O boletim foi desenvolvido com participação dos seguintes profissionais: Marco Antonio Gandolfo (Jacto); Ulisses Antuniassi (Unesp/Botucatu); Carlos Canal, Douglas Scalon e Otair Menegazzo (Bayer CropScience); Antonio Carlos Ostrowski, Domingos Carlos Basso, Gilberto Guarido, Joaquim Mariano Costa e Nei Leocádio Cesconetto (Coamo).

 TREINAMENTO – A próxima fase do plano de ação do programa será o treinamento para o quadro técnico da Coamo, cooperados e aplicados, e atendentes e montadores. O objetivo do trabalho é padronizar as informações para garantir a eficiência no trabalho.
 


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