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Órgão de divulgação da COAMO Agroindustrial Cooperativa | Edição 349 | Jan/Fev de 2006 | Campo Mourão - Paraná

Opinião

Editorial:

Agronegócio: âncora da economia em 2005

ENGENHEIRO AGRÔNOMO JOSÉ AROLDO GALLASSINI, DIRETOR-PRESIDENTE DA COAMO

Iniciamos 2005 com esperanças renovadas e a forte crença em um novo ano com preços satisfatórios das commodities agrícolas, bem diferente do que verificamos nos anos anteriores, para que tenhamos mais renda e sucesso em nossa atividade. Neste início de 2005 realizamos recentemente três grandes eventos, sendo as Reuniões de Campo, consideradas Pré-Assembléias; o Encontro de Cooperados na Fazenda Experimental e por último, a 36ª Assembléia Geral Ordinária, onde apresentamos os números do balanço da Coamo referente ao exercício de 2005.

Foram eventos com a marca, tradição e a qualidade Coamo, coroados de êxito pelo grande interesse e expressiva participação dos nossos cooperados. Um contato direto com a diretoria da Coamo, que repassou valiosas informações, sempre de forma clara, simples e transparente. Aproveitamos esse espaço para agradecer esta participação maciça da família Coamo, pois como sempre afirmamos: é esta participação e interesse que dá sentido a existência da Coamo e ao trabalho desenvolvido pela diretoria e funcionários em prol do sucesso de cada um dos nossos 19,5 mil cooperados, espalhados em dezenas de municípios no Paraná, em Santa Catarina e no Mato Grosso do Sul.

Nos encontros com os cooperados avaliamos o ano de 2005 e apresentamos as perspectivas, não só para a Coamo, mas também para o setor agropecuário. Infelizmente, o ano passado entrou para a história como sendo aquele que foi um dos piores anos do agronegócio brasileiro, provocando a perda de renda e acentuando a descapitalização de milhares de produtores, em face de uma série de fatores negativos.

A tendência de valorização da moeda brasileira, iniciada em setembro de 2004, permaneceu durante o ano de 2005 em resposta à elevação da taxa de juros da economia e à melhoria dos fundamentos macroeconômicos internos. Apesar da permanente valorização do real, durante o ano de 2005, o Brasil continuou a beneficiar-se do crescimento da economia mundial gerando expressivos saldos comerciais, e com isto dando sustentação a valorização da moeda.

Para compensar esta política, vislumbrava-se um ano com produção recorde para absorver os altos encargos financeiros pagos para a formação da safra e a valorização do real, já que o custo da produção a ser colhida tinha sido formado quando o real estava valendo R$ 3,10 por dólar.

Mas, infelizmente não houve produção recorde devido a vários fatores, como a forte estiagem que ocorreu no mês de fevereiro provocando uma das maiores frustrações dos últimos anos. Outros fatores negativos foram o custo de produção elevado, a valorização do real em 29,1% na época da comercialização da safra, que ficou na média de R$ 2,40 por dólar, e a redução dos preços das commodities agrícolas no mercado mundial, que resultaram na maior queda de receita do setor agropecuário.

Esta situação levou a Coamo, juntamente com entidades representativas do setor agropecuário, como Ocepar e Faep, a solicitar junto ao Governo Federal o alongamento dos financiamentos e a liberação de novos recursos, objetivando o refinanciamento dos compromissos assumidos para serem pagos com a receita da safra 2005/2006. Após várias negociações o governo instituiu a modalidade FAT - Giro Rural, para alongar por dois anos os débitos dos produtores rurais junto aos fornecedores e cooperativas, bem como prorrogou os saldos de custeios e os valores de investimentos.

Neste sentido, sempre atenta às necessidades dos seus cooperados, a Coamo em consonância com uma das principais políticas da sua administração que é a redução do custo de produção e a viabilidade da atividade do quadro social, imediatamente tomou as providências pertinentes para a liberação dos recursos destinados ao refinanciamento dos débitos dos associados que se enquadravam no FAT – Giro Rural.

Portanto, concluímos que 2005 foi um ano de exaustão, mas, apesar da queda expressiva da receita agrícola da safra 2004/2005 que impactou a capacidade de pagamento dos cooperados, a política de capitalização que a Coamo tem adotado desde a sua fundação permitiu que todos os cooperados, que atendessem as políticas creditícias, efetuassem o plantio da safra 2005/2006.

E mesmo diante de um cenário de grandes dificuldades, a gestão permanente de buscar a sinergia dos esforços de toda a equipe de funcionários para melhorias nos processos operacionais, aliada a redução de custos e despesas, e associada ao incremento nos recebimentos e fornecimentos, permitiram gerar um resultado considerado muito satisfatório. Assim, com satisfação, apresentamos aos cooperados os resultados do exercício com uma receita global de R$ 2,93 bilhões e sobras líquidas no montante de R$ 202,21 milhões. Resultado que poderia ter sido maior não fosse a forte valorização do real frente ao dólar, registrado no decorrer do período da comercialização da safra. Assim, podemos afirmar que novamente o setor agropecuário foi a âncora verde da economia neste ano de 2005.

Desta forma, o desempenho obtido no exercício de 2005 ratifica os sólidos alicerces em que são geradas as operações da co-operativa e que são construídos anualmente com base nas ações firmes da diretoria, na participação ativa dos cooperados e na postura do quadro de funcionários que conjuntamente objetivam a evolução constante da Coamo.

Por fim, agradecemos a Deus por mais um ano de sucesso da nossa cooperativa, esperando que este momento desfavorável passe rapidamente e que tenhamos uma boa safra com bons preços para que possamos comemorar novamente os bons resultados da nossa produção, do nosso cooperativismo e do agronegócio brasileiro.