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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 358 | Jan/Fev de 2007 | Campo Mourão - Paraná

Prestação de Contas

Balanço 2006:

Ano difícil, resultado positivo

Coamo tem receitas globais de R$ 2,66 bilhões. Em assembléia, cooperados aprovam contas do exercício e decidem pela distribuição de R$ 56,5 milhões das sobras apuradas no ano passado

Apesar das grandes dificuldades que impactaram negativamente no setor agropecuário, a Coamo, com sede em Campo Mourão (Centro-Oeste do Paraná), apresentou excelente desempenho no exercício de 2006, registrando receitas globais de R$ 2,66 bilhões. Os números do balanço da co-operativa foram apresentados na 37ª Assembléia Geral Ordinária (AGO) realizada no dia 16 de fevereiro, em Campo Mourão. O evento contou com a presença de um expressivo número de cooperados e do diretor-presidente da Ocepar – Organização das Cooperativas do Estado do Paraná, João Paulo Koslovski.

Os cooperados aprovaram as contas do exercício, que apresentou sobras líquidas de R$ 190,3 milhões. Depois da dedução dos fundos estatutários, os cooperados decidiram pela distribuição de R$ 56,5 milhões, na proporção da movimentação de cada um na cooperativa. As sobras foram disponibilizadas aos associados no dia 22, nos entrepostos da Coamo no Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul.

Fatores da crise – Segundo a diretoria da Coamo, vários fatores foram responsáveis pela degradação econômica do setor agropecuário em 2006. Entre eles está o elevado custo para a formação da lavoura em comparação com o preço de comercialização – fruto da valorização acentuada do real em relação ao dólar e os altos custos financeiros pelo crédito privado restritivo e o oficial seletivo. O diretor-presidente da cooperativa, José Aroldo Gallassini, aponta também a queda da produtividade, pela combinação de adversidades climáticas e do avanço da ferrugem asiática, e a redução significativa da receita provocada pela valorização do real e pelo menor consumo das principais commodities agrícolas, em razão da febre aftosa nos Estados do Mato Grosso do Sul e Paraná e da gripe aviária em diversos países. “Somados a estes fatores, a carga tributária excessiva, a falta de investimentos em infra-estrutura e a lentidão de medidas de socorro por parte do governo federal, resultou numa combinação explosiva que desencadeou uma das maiores crises agrícola da história brasileira”, responsabiliza Gallassini.

Desempenho – O ativo total da Coamo atingiu o montante de R$ 2,38 bilhões e o patrimônio líquido foi de R$ 1,24 bilhão, representando um crescimento de 11,3% em relação ao ano de 2005. O índice de liquidez corrente ficou em 2,34 e o de liquidez geral em 1,79. A margem de garantia está em 213,0% e o grau de endividamento em 47,0%, o qual reduz para 22,3%, se deduzido o valor dos financiamentos os valores aplicados nas instituições financeiras.

“A Coamo obteve um excelente desempenho em 2006, fruto do reconhecimento da gestão administrativa e financeira aplicada desde a sua fundação, participação ativa dos associados e o comprometimento do quadro de funcionários. A capitalização da co-operativa tem gerado as condições essenciais para que, mesmo em um ano extremamente difícil, pudesse atender as necessidades dos associados na condução das suas atividades”, garante Gallassini.

Recebimento e industrialização – Nas suas 87 unidades, em 2006, a Coamo recebeu 3,69 milhões de toneladas de produtos, correspondendo a 3,1% da produção nacional de grãos e fibras. Na área industrial, a co-operativa industrializou 1,17 milhão de toneladas de soja, 51,64 mil toneladas de trigo e 5,74 mil toneladas de algodão em pluma. Através do Terminal Portuário próprio, em Paranaguá, no Paraná, e pelo porto de São Francisco do Sul, em Santa Catarina, foram exportados 1,81 milhão de toneladas de produtos em 170 navios. Assim, no ano passado, a Coamo gerou uma receita de US$ 307,48 milhões em exportação, posicionando-se como uma das principais empresas exportadoras brasileiras.

Balanço Social – Em 2006, a Coamo promoveu 1.574 eventos técnicos, educacionais, sociais e cooperativistas, com a participação de 74.235 pessoas entre co-operados e familiares, numa ação de valor à família cooperativista.

EXTRAORDINÁRIA

A diretoria da Coamo também realizou, no dia 16, a sua 48ª Assembléia Geral Extraordinária (AGE), com o objetivo de promover diversas alterações no Estatuto Social da cooperativa, tendo em vista aspectos ordem legal, bem como adaptá-lo à nova realidade da cooperativa no cenário empresarial brasileiro.

Entre as mudanças, estão a inclusão do Estado de Minas Gerais na área de ação da cooperativa, em função das operações comerciais com o café; o detalhamento dos objetivos sociais inseridos no termo “bens de produção”, para atendimento de ordem legal; a inclusão de novos objetivos sociais, por disposição de lei ambiental; e outras alterações de redação de artigos.

Todas as alterações propostas foram aprovadas por unanimidade pelos cooperados presentes à assembléia.

Novo Conselho Fiscal

Durante a 37ª Assembléia Geral Ordinária da Coamo, os cooperados aprovaram, por unanimidade, os nomes dos novos componentes do Conselho Fiscal da cooperativa, para a gestão 2007. Os novos conselheiros compuseram a “Chapa Integração”, e são: Tarcísio Albertini, Gabriel Rogério Jort, Edgar Sehaber (efetivos), José Alcides Gasparotto, Claudio Chagas Ferreira e Alessandro Gaspar Colombo (suplentes).

“Coamo é orgulho do Paraná”, diz Koslovski

O presidente Ocepar, João Paulo Koslovski, representou o sistema cooperativista nas assembléias da Coamo. Na ocasião, ele lembrou o ano difícil enfrentado pelo agronegócio brasileiro, refletindo, também, no cooperativismo. “O Paraná perdeu, em duas safras, 13 milhões de toneladas de grãos. Este volume representa quase cinco safras do Estado do Ceará”, disse, reforçando que a situação trouxe problemas de receitas não só para os agricultores, mas para o comércio e a indústria, com reflexo negativo em toda a economia do Estado, sem considerar os problemas de aftosa e do câmbio, que também colaboraram para agravar ainda mais as dificultadas.

A crise que afetou o segmento em 2006, segundo Koslovski, fez com que a Ocepar tivesse uma ação redobrada na busca de alternativas que amenizassem os prejuízos. “Eu estive 17 vezes em Brasília e participei de 54 reuniões para discutir medidas para a agricultura”, enumerou. As principais discussões, conforme explicou o presidente da Ocepar, foram centralizadas nas medidas emergenciais e em oito propostas de medidas estruturantes, como o Programa de Garantia de Renda Mínima, que contempla o seguro rural e o proagro, os recursos de comercialização, o fundo de catástrofes, e o seguro do crédito; a Desoneração Tributária, onde a entidade quer atuar forte na desoneração dos impostos dos produtos e serviços da agricultura; e a Captação de Recursos Externos para a Agricultura, oferecendo mais opções de recursos, com encargos menores, para os agricultores brasileiros.

Gestão profissional – O presidente do sistema Ocepar afirmou que para sair de dificuldades como as enfrentadas nos últimos anos, e ainda apresentar resultados positivos e com distribuição de sobras, é preciso atuar forte-mente num sistema de gestão profissional. “É justamente neste ponto que a Coamo se destaca. A diretoria da Coamo sempre se pautou por esta política, o que oferece segurança e ressalta a sua competência frente ao quadro de cooperados”, valorizou.

Koslovski falou da importância do cooperativismo para o desenvolvimento regional. “Onde não há cooperativa os agricultores são explorados. Então, preservar a sua cooperativa é o melhor instrumento para defender os interesses econômicos e sociais”, garantiu.

Em nome da Ocepar, João Paulo Koslovski parabenizou a Coamo e agradeceu a diretoria pelo convite para participar das assembléias. “A Coamo sempre deu orgulho ao Paraná, porque é uma cooperativa sólida e que faz um trabalho magnífico em prol dos seus cooperados. E os agricultores sabem disto, na medida em que participam cada vez mais e apóiam a cooperativa”, concluiu.

FALA COOPERADO:

Antonio Zanelli, cooperado de Faxinal (Vale do Ivaí, no Paraná) – “A notícia de bons resultados é sempre positiva. É o que esperamos sempre, do trabalho da cooperativa, que é sério e honesto. Nós, cooperados, procuramos fazer com que a cooperativa possa melhorar cada vez mais. É a terceira vez que eu participo desta prestação de contas e penso que é uma oportunidade para apoiar ainda mais a nossa cooperativa”.
Romeu Ebert, cooperado de Vila Nova (Oeste do Paraná) – “Participar da assembléia da Coamo é sempre um grande prazer. Faço questão de estar aqui, sempre que posso. Também estive no dia de campo da fazenda e quero dizer que a cada evento que participo ganho mais. Como cooperado, fico muito contente, porque cada vez mais sei que posso confiar na diretoria, que mesmo em ano difícil conseguiu este bom resultado”.
Antonio Fernando Conti, cooperado de Amambaí (Sul do Mato Grosso do Sul) – “Tive uma boa impressão da assembléia. É a primeira vez que participo e penso que não poderia ser melhor. A forma com que os trabalhos são conduzidos na Coamo é de encher os olhos. Viemos de um ano ruim e, mesmo assim, os resultados foram muito bons. A Coamo está de parabéns. Os associados saem ganhando com o trabalho sério e honesto da diretoria”.
Antenor de Souza, cooperado de Abelardo Luz (Extremo-Oeste de Santa Catarina) – “A assembléia da Coamo é sempre um sucesso. Bom para nós, cooperados. Sempre faço questão de participar, porque tenho confiança na cooperativa. Quem acompanha os eventos sempre fica sabendo que está acontecendo. E repetir o bom desempenho, mesmo com a dificuldade do ano, é um sinal que o trabalho da diretoria está no rumo certo”.