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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 380 | Janeiro e Fevereiro de 2009 | Campo Mourão - Paraná

Colheita

O campo verde, amarelo, vermelho, azul e branco

Ritmo de trabalho das colheitadeiras está acelerado. Em algumas regiões da Coamo boa parte da safra já foi recolhida do campo; em outras, máquinas dão largada no serviço

Nesta época do ano o dourado que indica o ponto de colheita dos campos de milho e soja se mistura ao verde, amarelo e vermelho das máquinas que trabalham em ritmo acelerado para recolher os grãos. Uma das etapas mais importantes da produção, a colheita é um momento aguardado com ansiedade pelos produtores rurais. É quando os lucros da safra serão contabilizados, já que os grãos têm valor de moeda no campo.

Euforia e frustração – Os cooperados da Coamo já estão recolhendo do campo os resultados da safra de verão 2008/2009. Em boa parte da região de atuação da cooperativa as máquinas trabalham em ritmo acelerado. Algumas já finalizando a colheita; outras ainda na largada do serviço, num ano diferente que tem gerado, entre os agricultores, sentimentos de euforia e frustração. “Em geral, tivemos uma perda no milho e na soja. O grande problema foi que os produtores, no objetivo de plantar milho safrinha, anteciparam o plantio da soja. A estiagem que durou cerca de 30 dias entre dezembro e janeiro pegou em cheio a região do milho safrinha, quem plantou variedades precoces e muito cedo, até fora do zoneamento. Já quem plantou na época certa teve um bom desenvolvimento da lavoura”, lembra o diretor-presidente da Coamo, José Aroldo Gallassini. “Por isso, continua, é importante que os produtores respeitem a época certa de plantio. É preciso plantar a safra de verão na época, para pelo menos garantir uma lavoura, já que o milho safrinha vem depois e é sempre mais arriscado, rende a metade”.

As regiões Oeste e Vale do Ivaí, no Paraná, e Sul do Mato Grosso do Sul foram as mais atingidas. É onde, costumeiramente, os produtores rurais antecipam o cultivo da soja precoce e semi-precoce no intuito de plantar o quanto antes o milho safrinha. Até o fechamento desta edição, mais de 70% da safra cultivada no Oeste do Paraná havia sido colhida. No Vale do Ivaí, também no Paraná, cerca de 30% das lavouras já estavam colhidas. E no Sul do Mato Grosso do Sul, a safra já havia se encaminhado para a casa dos 30% de colheita.

Nas demais regiões da cooperativa a colheita também avança. Em Juranda (Centro-Oeste do Paraná), por exemplo, perto de 60% da safra já foi recolhida. Em Moreira Sales (Noroeste do Paraná), 25% da colheita já foi concluída. Em Campo Mourão (Centro-Oeste do Paraná), cerca de 10% da safra havia sido colhida. Já as regiões mais ao Sul do Paraná e no Oeste de Santa Catarina a colheita ainda não havia sido iniciada.

Segundo dados da Gerência Técnica da Coamo, as primeiras produtividades das culturas principais do verão dão conta de uma redução na produção, na comparação com a safra passada. No milho a queda é de 26% e na soja de 17%. A expectativa dos técnicos é que as lavouras d soja cultivadas no período normal devem render bem. Em algumas regiões com produtividade até acima da alcançada na safra passada.

Ferrugem: produtor acerta o alvo ao controlar no momento certo

O comportamento do clima no início da safra de verão acabou reduzindo a velocidade da entrada das doenças nas lavouras de soja. A má distribuição das chuvas foi um fator negativo para o campo, uma vez que os produtores rurais tiveram a falsa impressão que as doenças não entrariam na cultura ou, ainda, que fossem verificadas em menor quantidade e intensidade que a registrada na safra passada. “E não foi bem o que aconteceu”, revela o agrônomo Marcílio Yoshio Saike, do Detec da Coamo em Campo Mourão (Centro-Oeste do Paraná). Segundo ele, “em todas as regiões da Coamo há um desenvolvimento significativo das doenças”. O agrônomo cita o caso da ferrugem, que no início da safra não fora detectada com intensidade, mas que agora já é verificada em 50% das amostras enviadas para diagnose na Coamo.

Controle eficiente – Para Saike, os agricultores que optaram pelo controle da doença no momento certo tiveram menor incidência da ferrugem na lavoura. “Não dá para descartar a presença da doença, sobretudo dizer que a incidência será menor eu um ano ou em outro. Se houver clima favorável para o desenvolvimento das doenças, como vem acontecendo nos últimos dias, não existe outro caminho para evitar perdas na produtividade da cultura”, explica.

Na avaliação do técnico da Coamo, que fez os controles preconizados pela assistência técnica acabou tomando a decisão certa. “Na dúvida é melhor não correr riscos”, salienta. E acrescenta: “é bom lembrar que a doença apareceu numa proporção menor que a do ano passado, por causa do clima no início da safra. No entanto, o produtor se preveniu. E hoje ele tem a certeza de que não jogou dinheiro fora e, sim, evitou perdas significativas em sua lavoura”.