Site Coamo
Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 401 | Janeiro e Fevereiro de 2011 | Campo Mourão - Paraná

Safra

Clima alonga ciclo da soja

Até o fechamento da edição 11% da safra havia sido recolhido na região da Coamo. Número abaixo da média histórica do período, que é de 27%

As condições adversas de temperatura e chuva estão entre as principais responsáveis pelo atraso na colheita da soja da safra 2010/11. Um levantamento da Gerência de Assistência Técnica (Getec), da Coamo, comparou dados históricos do comportamento do clima nos últimos quatro verões e aponta fatores que contribuíram para a concretização desse quadro. Os dados apontam para um alongamento do ciclo das lavouras, causado, principalmente, por temperaturas médias menores durante a fase reprodutiva das plantas, bem como o excesso de chuvas durante a fase final de maturação da soja. "Na comparação com os anos anteriores, a cultura da soja teve um alonga-mento no ciclo normal da planta entre 10 a 15 dias. Isso afetou a colheita, que também foi prejudicada pelo maior volume de chuvas e, ainda, o plantio do milho safrinha", explica o agrônomo Marcelo Sumiya, supervisor de Assistência Técnica da Coamo.

Segundo o técnico da Coamo, o volume de água das chuvas nesta safra está bem acima da média histórica. E isso aconteceu da segunda quinzena de janeiro em diante. "Sendo assim, o que era uma boa notícia na fase de desenvolvimento das plantas – já que a regularidade das chuvas espantou as previsões de interferência do fenômeno La Nina -, tornou-se preocupação, diante da permanência do quadro chuvoso neste momento de recolhimento dos grãos", analisa Sumiya.

COLHEITA ATRASADA – Até o fechamento desta edição 11% da safra de soja e milho já havia sido cortado na região da cooperativa. O número está abaixo da média histórica, conforme dados da Getec da Coamo, que é de 27% para o período. "O excesso de chuvas nessa época tem comprometido não só a colheita da safra, mas, ainda, o plantio do milho safrinha", lembra Sumiya. Até agora, segundo o técnico, cerca de 15% do volume da segunda safra de milho projetado para cultivo neste inverno foi semeado, contra 61% do plantio realizado no mesmo período do ano anterior.

SAFRA POSITIVA – Mesmo com as dificuldades momentâneas de colheita, de forma geral os produtores estão otimistas com o resultado da safra. As produtividades médias estimadas pela Getec da Coamo devem ser fechadas em números próximos aos alcançados no ano passado, ou seja, em torno de 130 sacas de soja por alqueire e 350 sacas por alqueire de milho. "Um ponto positivo nesta safra foi o melhor controle da ferrugem da soja, fruto da maior consciência e cuidado por parte do agricultor. Certamente, esse fator refletirá em uma maior produtividade da cultura, principalmente nas regiões mais frias, que tiveram as maiores perdas na safra passada", comemora o supervisor da Coamo.

BONS RESULTADOS – Em toledo, no Oeste do Paraná, o cooperado Valdecir Vanzo, comemora os bons resultados desta safra de verão. Ele cultivou, em sua propriedade, 26 alqueires de área, sendo 15 de soja e o restante de milho. Com a colheita da soja já concluída, Vanzo atingiu uma produtividade média de 182 sacas em cada alqueire cultivado, com picos de 195 sacas. "Não poderia ser melhor", agradece o cooperado, que investe em tecnologia e rotação de culturas.

Na propriedade ainda resta colher o milho, que deve render 450 sacas por alqueire. O trabalho, a partir de agora, será concentrado no plantio de inverno. "Vou investir em 11 alqueires de safrinha, 10 de trigo e 5 de aveia preta", projeta.

Propostas do Paraná para o Plano Safra

Aumentar de R$ 116 bilhões para 140 bilhões o aporte de recursos destinados ao financiamento de custeio, comercialização e investimento para a safra 2011/2012, dos quais R$ 20 bilhões para agricultura familiar e R$ 120 bilhões para agricultura empresarial. Esta é uma das propostas que o Paraná está encaminhando ao governo federal como sugestão ao próximo Plano Agrícola e Pecuário (PAP). O documento, assinado pela secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab), Sindicato e Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar) e Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), foi elaborado a partir de demandas dos produtores rurais levantadas junto às regionais da Seab, aos sindicatos e às co-operativas que depois foram estudadas e discutidas entre as organizações. Além de proposições relacionadas ao crédito de custeio, lista ainda prioridades em programas de investimento, seguro agrícola, zoneamento agrícola e meio ambiente.

CRÉDITO DE CUSTEIO – Em relação ao crédito de custeio, o Paraná está pleiteando, além do aumento de recursos, a manutenção da taxa de juros do programa Mais Alimentos em 2% ao ano e em, no máximo, até 4% nas demais linhas do Pronaf para custeio e investimento. No documento enviado ao governo está ainda sendo proposto isentar a taxação de IOF (0,38%) sobre as operações de crédito rural e reduzir as taxas de juros do custeio de 6,75% para 5,75% ao ano, permitindo bônus de adimplência de um ponto percentual; aumentar o teto de financiamento de custeio das culturas não enquadradas nos limites especiais de R$ 200 mil para R$ 250 mil para as operações de crédito rural por mutuário; possibilitar o financiamento de milho para silagem, e o enquadramento da cultura no Proagro, além de aumentar o teto financiável em sis-tema de parceria dos atuais R$ 45 mil para R$ 60 mil para a avicultura e de R$ 65 mil para R$ 90 mil para a suinocultura. Ainda, conceder prazo de pagamento de até dois anos nos financiamentos de custeio nos sistemas de integração lavoura-pecuária e aumentar os limites de crédito a cooperativas para a aquisição de insumos de R$ 100 mil para R$ 150 mil, na média, por associado ativo, e o teto de R$ 200 mil para R$ 300 mil por beneficiário.

SEGURO RURAL – Preocupados com a possibilidade dos corte de gastos do governo federal afetarem o orçamento do programa de subvenção ao seguro, que já contabiliza atrasos nos pagamentos às seguradoras, os representantes do setor produtivo paranaense estão solicitando providências para evitar que o processo de consolidação do seguro agrícola seja prejudicado no País. Por isso, estão propondo o pagamento imediato de pendências acumuladas desde o ano passado no valor de R$ 163 milhões, para evitar a retirada das resseguradoras do mercado de seguro rural. Estão ainda pleiteando a manutenção integral dos R$ 406 milhões previstos ao programa dentro lei orçamentária anual de 2011, sem vetos ou contingenciamentos e a regulamentação imediata do fundo de catástrofe. Também sugerem o aumento da cobertura para todas as culturas e a criação de um seguro que, além da produção, ofereça cobertura aos problemas de qualidade que afetam o produto e prejudicam o valor comercial da produção. Fonte: Ocepar