Agricultura
Mercosoja 2002:
Dr. Aroldo analisa entraves na cadeia produtiva

Presidente da Coamo questionou até onde o Brasil pode aumentar a produção

Gallassini: "custo reduz competitividade da soja brasileira"
Diante da abertura de novas fronteiras agrícolas, com terras muito férteis, o Brasil deve aumentar rapidamente a sua produção de soja. A afirmação é do engenheiro agrônomo José Aroldo Gallassini, diretor presidente Coamo, que foi um dos palestrantes convidados para o 2º Congresso Brasileiro de Soja, o Mercosoja 2002, que aconteceu em Foz do Iguaçu, de 3 a 6 de junho. O evento foi promovido pela Associação Brasileira de Produtores de Soja (Aprosoja). Mais de 400 trabalhos científicos foram inscritos para debater o tema Perspectivas do Agronegócio da Soja, com participação de mais de mil cientistas, professores, agrônomos, produtores, estudantes e empresários que atuam na cadeia produtiva da soja do Cone Sul.

O sistema de transporte da soja, o custo dos insumos e os altos impostos sobre o grão foram apontados pelo presidente da Coamo como principais entraves à competitividade do produto brasileiro. Segundo Galassini, em um hectare de soja os insumos consomem 63,99% dos gastos; as operações de dessecação, plantio, tratamento fitossanitário e colheita levam 17,33%; e fatores como frete, juros, assistência técnica e seguro absorvem 18,68%. ''Ainda 'dentro da porteira' temos poucos recursos oficias e esta indecisão sobre os transgênicos'', enumerou.

Joaquim Costa: palestra sobre micronutrientes e experiências da Coamo em estações experimentais
Como entraves ''após a porteira'', Dr. Aroldo criticou a logística de escoamento de safra, dividida em 67% por rodovias, 28% ferrovias e somente 5% por hidrovias - embora esta seja a mais barata. O reflexo da disparidade são evidenciadas nos valores médios do frete de uma tonelada por mil quilômetros em três países: Estados Unidos (US$ 14), Brasil (US$ 35) e Argentina (US$ 17).

Gallassini também criticou os 

impostos brasileiros por tonelada de soja, estimados em US$ 18,00. O produtor argentino paga US$ 8,00 de taxas, enquanto o norte-americano é isento de tributos. ''A política de crédito é limitada, controlada e com juros elevados'', completou.

Entre as reivindicações do diretor presidente da Coamo aparecem a necessidade ''urgente'' de uma reforma tributária, de um maior incentivo oficial para indústrias e compra de equipamentos, além de financiamentos com juros equiparados aos índices internacionais.

Crescimento da produção - O presidente da Coamo disse que esses torniquetes refreiam a expressão do verdadeiro potencial produtivo do Brasil. "A grande questão que eu vejo na soja é até onde aumentar a produção para manter equilibrada a relação com consumo", analisou. Hoje já existe um excedente mundial entre 25 a 30 milhões de toneladas. "O desafio é fazer uma nova análise sobre a paridade entre a produção e o consumo mundial", completa.

Segundo projeções apresentadas na abertura do congresso, a demanda mundial da soja aumentou em 40 milhões de toneladas nos últimos seis anos. A informações foi divulgada pelo Instituto Internacional de Pesquisa de Políticas Alimentares. Segundo o levantamento, o consumo global de soja e carnes crescerá 57% nos próximos 20 anos, enquanto que a de cereais crescerá 35%.

"O produtor tem que estar atento a tudo para buscar um incremento na renda com a atividade e ganhar mais competitividade na cadeia produtiva da soja", orientou Gallassini. "São detalhes que fazem grande diferença no agronegócio, como a questão do custo dos insumos, o manejo e a comercialização da produção, sem fechar os olhos para as questões internacionais, como é o caso dos subsídios, que também influenciam negativamente no mercado interno", concluiu.

Micronutrientes - Ainda pela Coamo, o engenheiro agrônomo Joaquim Mariano Costa, da Fazenda Experimental da cooperativa, proferiu duas palestras aos participantes do congresso. Costa abordou a oferta e demanda tecnológica sobre micronutrientes em soja no Paraná e a profissionalização na melhoria tecnológica, e a experiência da Coamo em estações experimentais de pesquisa.

Outros assuntos como energia, comunicação, armazenagem, tributação, transportes, pedágios, sistemas multimodais, portos, legislação, certificação, associativismo e negociação internacional também foram debatidos durante o encontro, que é realizado há cada dois anos.

 

Mercado da soja

A soja movimenta anualmente US$ 720 bilhões no mundo, sendo US$ 15 bilhões no Brasil (21% do PIB). O país produziu 41 milhões de toneladas na última safra, em 15 milhões de hectares, perdendo apenas para os EUA. Já o Paraná, com uma produção de 9,5 milhões de toneladas, está atrás somente do Mato Grosso, com 10,6 milhões toneladas.


Base do complexo

É desse congresso que sai todas as informações para a condução do trabalho dentro do complexo soja: o consumo mundial, a importância do setor privado no desenvolvimento da tecnologia, o custo de sementes, a rentabilidade na agricultura, os organismos geneticamente modificados, além das mesas redondas para a discussão do cultivo da soja, com ênfase para doenças fúngicas, pragas, ervas daninhas, fertilidade do solo e novos usos da soja na indústria. Todo o trabalho visa oferecer subsídio para que o governo brasileiro possa estabelecer uma política agrícola mais consistente.