Agricultura
O agronegócio na era do conhecimento

Agricultor deve procurar profissionalização voltada para o mercado como um todo
Planejamento é a base para o sucesso do negócio
A crescente competitividade dos mercados, diante da globalização, exige maior profissionalização dos segmentos da cadeia produtiva. É o agronegócio na era do conhecimento. Sendo assim, não há outra alternativa senão encarar a atividade com uma ótica diferenciada, focando o planejamento como estratégia de negócio. A propriedade rural passa a ser uma empresa rural, 
organizada e enxuta; e o agricultor, mais profissional, passa a ser um empresário rural, em busca de produções mais estáveis e resultados verticais.

Para o professor João Arnoldo Gross, consultor em agronegócio, o empresário rural de sucesso não pode estar preocupado apenas com as questões voltadas para dentro da porteira. "Ele deve procurar profissionalização voltada para o mercado, como um todo", alerta. Segundo Gross, o gargalo no agronegócio está justamente da porteira para fora: "lembram de produzir bem e esquecem do planejamento e do gerenciamento comercial", revela.

Gross esteve no início de junho na Coamo, em Campo Mourão, onde participou de uma das etapas do curso de formação cooperativista a um grupo de jovens cooperados. O enfoque da sua palestra foi sobre o planejamento como estratégia para verticalizar os resultados da propriedade e enfrentar os desafios da globalização. No debate com os cooperados, ele relacionou como pontos de controle o uso racional da tecnologia e do conhecimento, principalmente no momento de comercializar a safra.

 

Evolução no caminho

O Agrônomo Waldomiro Nesi e Ademar Sestak. No detalhe ao lado, o cooperado: satisfação com os resultados

Há oito anos o cooperado Ademar Sestak, de Juranda, tomou a decisão de conduzir os negócios da fazenda Santa Maria baseado em um projeto em longo prazo. O planejamento das atividades foi elaborado em parceria com o Detec da Coamo, visando explorar o máximo do potencial da propriedade, mantendo ou até mesmo reduzindo os custos de produção. Para os próximos dez anos as ações já estão estabelecidas.

"Resolvemos sair da beira do caminho e buscar a evolução", lembra Sestak. O cooperado afirma que diante da competitividade dos dias de hoje, o produtor rural não pode errar na estratégia. "Com um projeto de trabalho bem elaborado e de objetivos claros, é possível aprimorar o processo de exploração das atividades e alcançar o sucesso desejado. É só uma questão de querer fazer acontecer", orienta.

O projeto montado por Sestak é arrojado. Até mesmo a estrutura da propriedade teve que ser aprimorada para acompanhar a tecnologia que passou a ser incorporada na fazenda. Com isso, os rendimentos cresceram, tanto na agricultura quanto na pecuária. A própria aquisição dos insumos para as lavouras é feita de forma antecipada, na entressafra, assegurando a integralidade do pedido, a disponibilidade dos insumos na hora certa e um menor custo.

Planilha - A propriedade do cooperado Ademar Sestak possui uma área de 800 alqueires, sendo que 60% é destinada para a pecuária e o restante para a agricultura. As atividades são integradas e uma complementa a outra, até mesmo no projeto de recuperação do potencial produtivo dos talhões. "A idéia é reduzir as áreas de pecuária, melhorando a pastagem e mantendo a lotação de animais (cerca de 2 mil cabeças), e ampliar as áreas de lavoura", explica. Ao final do projeto, a propriedade vai estar trabalhando na forma inversa, com 500 alqueires de lavoura e o restante destinado à pecuária.

Resultados - No verão, a soja é a cultura principal da propriedade. A produtividade média das últimas duas safras tem ficado em torno de 160 sacas por alqueire. "Já estivemos cerca de 30% abaixo desse volume e melhoramos graças ao apoio da Coamo, ao uso equilibrado da tecnologia e ao planejamento", revela Sestak.

Na pecuária a história não é diferente. O cooperado tem experimentado um avanço nos índices zootécnicos da fazenda. Um exemplo está na taxa de prenhez das vacas, que subiu de 68% para 94%. "O nosso custo de gerenciamento dos negócios está um pouco mais alto, mas ainda assim é compensatório, diante da melhoria dos resultados", completa.

As informações de todos os talhões da propriedade são monitoradas de perto. Mas isso não significa que o projeto é fechado. "Pelo contrário. Estamos sempre abertos para as novidades do mercado e novas perspectivas de incremento da nossa renda", admite Ademar Sestak. Segundo ele, os ajustes são feitos mediante avaliações, levantadas ao final de cada safra.