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Um artigo publicado no Jornal Coamo foi o início da história da família Kimoto, em Campo Mourão

Família Kimoto: unida tembém na consciência ecológica
Depois de concluir o doutorado em primatologia (estudo dos primatas - macacos), em Paris, na França, a bióloga e mestre em paleontologia (estudo dos fósseis), Fumika Takahashi, veio para a região de Campo Mourão decidida a ajudar a mãe, a cooperada dona Yulico (hoje com 90 anos), a administrar a fazenda da família, na região de Peabiru. Os conhecimentos que adquiriu na universidade serviram 
para a implementação de um trabalho extensivo nas matas da região, visando mapear as áreas e conscientizar os fazendeiros para a importância da preservação ambiental e das famílias de macacos que viviam na região. O trabalho rendeu, inclusive, alguns artigos no Jornal Coamo. "Escrevia para o jornal para informar a população urbana e rural sobre as ações conservacionistas e de preservação da fauna e da flora", lembra a doutora Fumika.

Drª Fumika e o museu da família
Num dos artigos, exatamente na época em que o Jornal Coamo completava 10 anos, a doutora Fumika protagonizou uma fotografia, reportando-se à população de macacos nas matas regionais. Foi aí que teve início uma história de informação e paixão. O cooperado Seiji Kimoto, engenheiro agrônomo formado pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz 
(Esalq), em Piracicaba (SP), e proprietário da fazenda Santa Alice, na região de Luiziana, leu o artigo no jornal e decidiu conhecer a moça. Resultado: menos de dois meses depois do primeiro encontro eles resolveram se casar e até hoje fazem uma união exemplar.

"Tínhamos muito em comum. Eu com a minha vocação para cultivar a terra e ela com o entusiasmo para a preservação da natureza", revela Kimoto, um pouco tímido para expor os sentimentos do coração. Mas na verdade, o que se percebe da união sólida dos dois descendentes de orientais, é que ela foi construída sob a égide do respeito e da exploração máxima do potencial particular de cada um. "Esse parece ser o nosso segredo. Cada um de nós faz a sua parte, com a conivência do outro, e juntos construímos a nossa história. Somos uma família como é o arroz japonês: juntinhos, grudadinhos", acrescenta Fumika.

Da união nasceram Sérgio Henrique e Carlos Eduardo, hoje dois jovens que herdaram os mesmos valores dos pais. Ambos estudam agronomia, também por vocação, na mesma escola que formou o pai. "A pessoa humana têm de estar ligada a outra para sobreviver. E essa união deve ser a base de toda e qualquer família. Percebemos isso em nossos pais desde crianças e crescemos com esse exemplo. Isso eu tenho certeza que vou levar também para a minha família", conta Carlos Eduardo.

Museu - Em 1985, aproveitando o conhecimento e o acervo acumulado ao longo de anos de pesquisa sobre a biologia, a paleontologia e a primatologia, Fumika e seiji Kimoto resolveram construir um museu para crianças, na própria fazenda. "A idéia inicial era incentivar e ensinar os nossos próprios filhos", ressaltam. O Museu de Ciência e Cultura para Crianças funciona numa estrutura própria, montada na fazenda Santa Alice e conta com salas de ciências, de cultura e exposição de artes e brinquedoteca. "Aqui as crianças têm oportunidade de conhecer desde uma pequena pedra lunar, até o desenvolvimento dos minerais, vegetais e animais, e aspectos da via-láctea e astrofísica", relaciona Fumika.

Os Kimoto já perderam a conta do volume do acervo. As peças foram sendo incorporadas ao museu com o passar dos anos. "Hoje recebemos principalmente as crianças aqui da nossa comunidade e municípios vizinhos", salienta Fumika, lembrando que no passado o museu já chegou a receber 1.100 alunos de uma única escola. "A ciência é uma arte que temos o máximo prazer de ensinar às crianças, que são o nosso grande futuro", sustenta.

Jardim vegetal e borboletário - Outros projetos que também são visita obrigatória na fazenda Santa Alice são o jardim de evolução vegetal e o borboletário. Mais recentes, os projetos chamam a atenção pelo vasto conteúdo científico. "No jardim vegetal acompanhamos todo o desenvolvimento das famílias de plantas e no borboletário temos mais de 20 espécies", enumera a doutora Fumika. Ambos têm espaço numa expressiva área verde colorida por espécies de árvores nativas e adaptadas de outras regiões e até mesmo outros países. Aliás, toda a fazenda é um verdadeiro cartão postal. "Formamos tudo isto. Cada árvore foi carinhosamente plantada, com o único propósito de construir aqui um cantinho para incentivar uma vida mais saudável e estimular o conhecimento, principalmente para as crianças", acrescenta Seiji Kimoto.

 

O japonês empreendedor

O espírito empreendedor do cooperado Seiji Kimoto é, sem dúvida, a sua maior virtude. A influência do pai, imigrante japonês, foi decisiva para a formação universitária em agronomia. "Meu pai era um agricultor por vocação e um grande empreendedor na agricultura", lembra Kimoto. Filho único, ele veio com o pai para a região de Campo Mourão em 1971. Juntos, adquiriram a área de terra que originou a fazenda Santa Alice.
A propriedade, de 340 alqueires, além de ser modelo em preservação ambiental, também se destaca pela excelência na exploração da atividade agrícola. Seiji Kimoto cultiva soja e milho no verão e trigo no inverno. As produtividades médias, nos últimos anos, têm girado em torno de 140 sacas de soja por alqueire, 360 sacas de milho por alqueire e 142 sacas de trigo por alqueire.