Pecuária     



Frio estimula consumo de carne suína

O QUILO DO SUÍNO VIVO ALCANÇOU, NAS ÚLTIMAS SEMANAS, O MAIOR PREÇO DESDE 2002, CHEGANDO A R$ 2,20

Euforia no mercado de suínos. Na região da Coamo, o produto esta sendo comercializado a R$ 2,20 o quilo (no fechamento da edição). Há pouco mais de um mês o quilo do suíno custava R$ 1,85. O aquecimento do mercado decorre do aumento no consumo. O clima frio estimula os consumidores a comprarem mais carne suína. Além disso, a crise enfrentada pelo setor nos últimos dois anos levou à redução do plantel paranaense, com conseqüente diminuição da oferta.

Segundo o Sindicato das Indústrias de Carnes e Derivados do Paraná (Sindicarne), as vendas cresceram 30% desde que a temperatura começou a cair. Outro fator que influenciou a oferta apertada foi o crescimento das exportações brasileiras.

O assessor de comercialização da Coamo, Antonio Cardoso Garcia, analisa que o aumento é bastante significativo. Para ele, depois de dois anos de intensa crise os preços vêm se recuperando muito bem. “O excesso de demanda pela carne suína foi o grande responsável pela queda nos preços, além da exportação, uma vez que o Brasil ainda é vulnerável nesse setor”, lembra. O país, segundo Garcia, exporta um volume até interessante de carne suína. “Porém essas exportações ainda estão concentradas em poucos países. Bem diferente do mercado de aves, por exemplo, onde as exportações estão pulverizadas em inúmeros países”, explica.

A Rússia e a Argentina são os principais importadores de carne suína do Brasil na atualidade. A grande preocupação do setor no momento é justamente com relação a exportação, uma vez que cada vez que surge um problema com um dos países importadores, acaba refletindo no produtor brasileiro. Quando isso acontece, um grande volume de carne deixa de ser exportada o que automaticamente abala o mercado interno. “Acredito que num futuro próximo o Brasil consiga pulverizar mais as exportações de carne suína e isso trará um suporte maior para o suinocultor brasileiro continuar investindo nesta atividade. Por hora se o clima se mantiver como está, acredito na manutenção deste quadro. Com a chegada do próximo verão, principalmente no inicio do ano, sempre há uma redução no consumo e é normal um pequeno recuo nos preços. Mas o quadro de oferta e demanda está bastante justo. Se não tivermos problemas com exportação, principalmente com questões sanitárias, não acredito que os preços recuem muito, mesmo no verão, em função da oferta e da demanda estarem justas”, prevê Antonio Garcia.

PROJETO COAMO – O médico veterinário Rogério Paulo Tovo, chefe do Departamento de Suinocultura da Coamo, revela que com o aquecimento do mercado o projeto desenvolvido pela cooperativa desde 1993, caminha a passos firmes. “Estamos vendo com bons olhos os preços do suíno. Esperamos que não aumente a procura, pois se crescer de forma desorganizada podemos volta a ter uma nova crise lá na frente”, comenta Tovo. Hoje, o projeto tem a participação de 130 cooperados, sendo 50 iniciadores e 80 terminadores, com um plantel de 65 mil animais.

A silagem de grão de milho úmido tem sido incentivada pela Coamo. O sistema se transformou na melhor alternativa por diversas razões. A principal delas é a redução de custo, na casa dos 40%. Com isso, além de ganhar mais o criador consegue se manter na atividade, mesmo em épocas de preços baixos.

Rogério Tovo explica que existe uma resistência em fazer a silagem de grão úmido, porque a maioria dos suinocultores também são agricultores e o melhor momento de fazer a silagem é nos meses de outubro e novembro, onde os preços do milho estão em patamares elevados, já que nesta época existe pouca oferta de milho seco. Contudo, quando o cereal começa a ser colhido a oferta aumenta, os preços caem e o produtor que deixou de fazer a silagem acaba perdendo com a atividade.

Suplementação de bovinos a pasto

QUANDO A PASTAGEM NÃO ATENDE TODAS AS NECESSIDADES NUTRICIONAIS, O JEITO É AGREGAR UM ‘ALGO MAIS’

A suplementação de bovinos a pasto é um assunto importante do ponto de vista de resultados, na pecuária moderna. O engenheiro agrônomo Luiz Roberto Lopes Santiago, da área de nutrição de ruminantes, da Embrapa Gado de Corte, em Campo Grande (MS) é um profundo conhecedor no assunto. Ele afirma que no caso da pecuária, quando a pastagem não atende todas as necessidades nutricionais dos animais, o produtor deve agregar um ‘algo a mais’ lançando mão da suplementação.

Segundo Santiago, o criador está sendo empurrado para uma pecuária de ciclo mais curto. “É uma demanda de mercado, que exige hoje uma carcaça de melhor qualidade – que está associada com idade de abate”, explica. “E quando chegamos nesse ponto de demanda por nutrientes via pastagem, observamos que as pastagens não estão respondendo. Assim, uma forma eficiente de tentar resolver o problema seria utilizar o suplemento”, complementa.

Existem, de acordo com o pesquisador, uma variedade muito grande de opções para o produtor, que deve ter em mente um projeto de onde ele está querendo chegar, uma vez que o produto é oneroso para o sistema e deve ser aplicado a partir de um projeto bem elaborado pelo produtor e pelo técnico que assiste a propriedade.

Dentro do sistema, o suplemento auxilia o aumento do peso, agregando à pastagem. Ou, por exemplo, no caso da cria, em manter peso nas vacas. “O suplemento não é uma forma de resolver problemas de pasto”, alerta o pesquisador. Em alguns casos, segundo ele, o produtor acaba trabalhando com excesso de carga na pastagem e busca a resolução do problema com o suplemento. “Essa é uma forma ineficiente de uso. O suplemento tem que entrar no sistema para agregar valor aos animais, tanto no inverno quanto no verão, sem onerar muito o custo de produção”, orienta, concluindo que o produtor tem que ser criativo, para ganhar mais com as oportunidades no mercado.


Controle estratégico de verminoses

Do ponto de vista da Embrapa e de diversos segmentos de pesquisa científica o controle estratégico de verminoses, realizado de acordo com as condições epidemiológicas de cada região, apresenta excelentes resultados no controle às verminoses. É uma maneira inteligente, racional e eficiente de controlar as verminoses do seu rebanho.

Os outros sistemas de controle de verminoses nem sempre são feitos no período adequado e de forma ordenada, podendo comprometer a produtividade de rebanho, por exemplo: vermifugações tardias ou antecipadas podem causar uma falsa impressão de eficiência e economia; atraso no crescimento, diminuição do ganho ou perda de peso e a predisposição a outras doenças; e interferência direta no retorno econômico da atividade de produção pecuária.

A estratégia do controle de Verminoses nos meses 5,7 e 9 tem apresentado resultados excelentes, proporcionando ganho de peso adicional, que antecipa em até 1 mês o abate dos animais tratados.

INTELIGENTE – Por ser um sistema essencialmente preventivo, protegendo os animais antes que as infeccções comprometam o rebanho.

RACIONAL – O controle estratégico otimiza o uso dos medicamentos, permitindo maior retorno do investimento.

EFICIENTE – Por ser associado às práticas adequadas de manejo e de alimentação, ele proporciona melhor custo/benefício. Os animais são vermifugados em épocas predeterminadas: antes do período de maior seca (maio), no meio do período seco (julho) e no início do período chuvoso (setembro).

1. Início da seca / maio – Tem como objetivo eliminar os parasitas que foram adquiridos pelo animal na época chuvosa anterior.
2. Meio do período seco / julho – Elimina os vermes que sobreviveram à primeira dose e os que foram adquiridos no início da estação seca.
3. Início das chuvas / setembro – Reduz as contaminações de pastagens no período chuvoso, eliminando e prevenindo contra novas infecções.

Paulo Roberto Calderon, médico veterinário – Detec em Ivaporã


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