Meio Ambiente    



Embalagens lavadas:
Cooperados conscientes

ÍNDICE ACEITÁVEL DE CONTAMINADAS, PELO INPEV, É DE 10%

Depois de utilizados os defensivos agrícolas, suas embalagens devem ser devolvidas corretamente, e poderão ter dois destinos: reciclagem ou incineração. Jogadas nos campos e nos rios, essas embalagens causam danos ao ambiente e à saúde humana ou animal. A Lei Federal 9.974, de junho de 2000, disciplina a destinação final de embalagens vazias de agrotóxicos determinando responsabilidades para o agricultor, o canal de distribuição, o fabricante e o poder público.

Sempre preocupada em contribuir com a preservação do meio ambiente, a Coamo vem desenvolvendo, desde a implantação da Lei, um amplo trabalho de conscientização de seus cooperados, para a limpeza, armazenagem e devolução das embalagens vazias de defensivos agrícolas. Somente em 2004, o Detec da cooperativa realizou 672 eventos que trataram do tema, com a participação de 38 mil pessoas.

Depois da entrada em vigor da nova lei, no primeiro ano de devolução obrigatória, a Coamo recebeu em toda sua área de ação 1,3 milhão de embalagens vazias, sendo que 57% deste volume estavam tríplice lavadas corretamente e 45% contaminadas. Com o trabalho de conscientização em 2004 os números foram melhorados. Das duas milhões de embalagens devolvidas apenas 24% estavam contaminadas e 76% tríplice lavadas. Neste ano, até o último dia 19 de julho, haviam sido devolvidas 570 mil embalagens, com 85% tríplice lavadas e 15% apenas contaminadas. A meta da cooperativa é chegar aos 90% de embalagens devolvidas tríplice lavadas, índice exigido pelo Inpev – Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias.

O engenheiro agrônomo Edivan Abel Moraes, supervisor de unidades da Coamo, lembra que no inicio o trabalho de recebimento havia pouca conscientização do produtor. “Hoje, os agricultores estão mais preocupados e a Coamo tem em cada unidade um posto de recebimento de embalagens de defensivos, o que facilita em muito nosso trabalho e deixa o cooperado muito satisfeito. O cooperado Roberto de Lucas Bitencourt, de Engenheiro Beltrão, na região Vale do Ivaí, no Paraná, é um dos grandes exemplos dessa conscientização. Ele treinou todos os seus funcionários, tão logo a nova lei passou a vigorar. A eficiência da decisão foi tão grande que na última devolução efetuada pelo cooperado, ocorrida no inicio no mês de junho, foram entregues mais de 3,6 mil embalagens, sendo que 100% delas tríplice lavadas corretamente.

Formado em Direito, Bitencourt entende que a lei é benéfica para todos. “É a preservação da nossa integridade física, da nossa saúde. Só assim vamos preservar nossos mananciais, reservas e animais. Nosso critério hoje é de escolher melhor os defensivos. Procuramos utilizar aqueles que sejam eficientes para a lavoura, mas também que sejam menos prejudiciais ao meio ambiente”.


Limpas e nas caixas

BANCO FINANCIA R$ 20 MILHÕES EM PROJETO DE EXPANSÃO DA COAMO

Manusear, limpar e guardar adequadamente as embalagens de agrotóxicos utilizadas na propriedade sempre foi uma questão levada muito a sério pelo cooperado Antonio Miranda Cassinelli, de Faxinal, também no Vale do Ivaí. Isso tudo antes mesmo da implementação da lei que estabeleceu a obrigatoriedade da devolução das embalagens usadas. A consciência do produtor rural, que também é agrônomo, foi formada ao longo de mais de 15 anos dedicados à atividade agrícola.

O trabalho de Cassinelli sempre foi organizado, mesmo quando trabalhava em fazendas, gerenciando as atividades de campo. “Naquela época já me preocupava com a contaminação dos demais funcionários das propriedades e do próprio meio ambiente”, conta. Assim, por todos os lugares que passou, ele manteve um lugar específico, bem fechado, para guardar as embalagens depois de utilizadas, evitando o reaproveitamento.

Hoje, explorando a sua própria terra, Cassinelli mantém a consciência no manuseio das embalagens de produtos agroquímicos. Para a roça ele só leva os produtos que vai usar durante o dia de trabalho. “Ao final do trabalho recolhemos as embalagens, já tríplice lavadas e encaixotadas, e guardamos em local próprio, longe das crianças e dos animais”, destaca, ressaltando que, inclusive, que a organização facilita o armazenamento e o transporte das embalagens para a destinação final. A filosofia de trabalho serviu de lição para os empregados da propriedade, de 65 alqueires.

Baixa contaminação – Para o cooperado, a oportunidade de devolver as embalagens vazias de agrotóxicos divide a responsabilidade da destinação final do produto entre o produtor, o fornecedor e o fabricante. “E a instalação de postos de coleta nos entrepostos da Coamo facilitou muito, trazendo este benefício para bem próximo da nossa propriedade”, comemora. Na primeira entrega que fez ao posto de coleta da Coamo em Faxinal, no ano passado, Cassinelli atingiu o índice de 2,8% de embalagens contaminadas. Já na segunda entrega, este índice baixou para 0,5% de contaminadas. “É uma conscientização exemplar”, valoriza o engenheiro agrônomo Danyell Ricardo Baccin, do Detec da Coamo em Faxinal. A meta da cooperativa para a região, segundo o técnico, é receber as embalagens com uma média de 10% de contaminadas.


Recomposição das matas ciliares

IAP INTENSIFICA FISCALIZALÇÃO NA REGIÃO DE CAMPO MOURÃO

A Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), através do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e a Policia Militar Florestal, estão fiscalizando e autuando os proprietários de terra que não estão cumprindo o Código Florestal, no que diz respeito às áreas de preservação permanente, principalmente na existência das matas ciliares.

Na região de Campo Mourão, no Centro-Oeste do Paraná, o escritório regional do IAP está realizando um trabalho concentrado. Com isso, muitas propriedades têm visitadas.

Recentemente o chefe do IAP, em Campo Mourão, Ricardo de Jesus Carvalho, esteve reunido com técnicos da Coamo, com objetivo de discutir soluções que pudessem ser úteis para os proprietários rurais. Durante o encontro, Carvalho repassou orientações de como o produtor deve agir para quando da fiscalização, para não ser autuado. Ele alertou que os agricultores que plantaram nos 30 metros da faixa ciliar vão ser autuados e multados. A multa é de R$ 2.000,00 por hectare.

Uma das soluções sugeridas por ele é abandonar a área, demarcando-a, por exemplo, com um risco de arado, isolando, assim, a faixa ciliar com um corredor, mesmo onde a lavoura já estiver implantada, esperando a mata se recompor naturalmente. Para o caso de pastagem o produtor deve abrir espaços apenas para os bebedouros dos animais no rio, e isolar o restante da área com cerca.

Ricardo Carvalho lembrou que já foram realizados vários encontros com agrônomos, veterinários e técnicos da Comarca de Campo Mourão, objetivando a troca de experiências com quem tem acesso direto com os produtores, o que facilita o repasse dessas informações.


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