Pecuária     



Suinocultura:
Boas práticas no carregamento de terminados

UM TRANSPORTE EFICIENTE REDUZ O ESTRESSE DO ANIMAL E A DIMINUI AS PERDAS NA PRODUÇÃO DOS SUÍNOS

Atualmente, na suinocultura industrial, além dos novos tipos de instalações, genéticas diferenciadas, nutrição especializada (conceito de proteína ideal, probióticos, prebióticos, enzimas, acidificantes, etc.), custo de produção e preço de venda; o bem-estar e sobrevida dos suínos no transporte da granja até o frigorífico é, preponderantemente, a variável mais importante para o resultado econômico positivo da atividade. De maneira geral, um transporte eficiente reduz o estresse animal e a diminui as perdas no ciclo de produção dos suínos (suinocultor, transportador e abatedouro). Neste caso, deve-se considerar três fatores básicos: as instalações, a logística e o fator humano (conhecimento técnico e aspecto comportamental).

O custo do transporte de suínos gira atualmente em até 1% do custo total do suíno produzido, considerando-se baixas taxas de perdas. Alguns levantamentos estatísticos mostraram que há uma correlação positiva entre a alta mortalidade gerada no transporte estar associada a um determinado suinocultor em particular. Existem alguns fatores que condicionam a diminuição das perdas por mortalidade no transporte, e melhoram a qualidade da carne suína no frigorífico.

O médico veterinário Rogério Paulo Tovo, responsável pelo Departamento de Suinocultura da Coamo, orienta que “na semana do pré-embarque o criador deve abrir o portão de uma baia por vez, durante 1 hora por dia, para que os suínos acostumem a sair das baias para o corredor de acesso ao embarcadouro”. E continua: “na véspera do embarque (em torno de 24 horas antes), o ideal é molhar por 10 minutos os suínos e as baias, o que facilitará o serviço de carregamento e iniciará o amolecimento da matéria orgânica ‘encrostada’ nos pisos e cantos, facilitando a limpeza e lavagem das baias após o embarque”.

Outro importante fator que o produtor tem de observar e que faz muita diferença, é o manejo do jejum sólido total antes do carregamento. Com essa prática é possível economizar de 2 a 3 quilos de ração por animal, pois a ração consumida até as últimas 10 horas não é convertida em ganho de carne na carcaça. Desta forma, também se diminui a mortalidade por choque circulatório durante o transporte e aumenta-se a taxa de suínos com baixo conteúdo estomacal, o que gera de 1 a 2 quilos menos de conteúdo digestivo (dejetos), para serem tratados pelo frigorífico. A redução ainda pode ser verificada na taxa de carcaças “PSE” (alteração físico-química da carne durante o abate, causada principalmente por erro no manejo do transporte), e a contaminação de carcaça por ruptura gástrica durante a evisceração. Entretanto Rogério Tovo alerta que o período de jejum sólido total (do último trato na granja, o tempo de viagem em caminhão, o tempo de descarregamanto no abatedouro, o tempo de descanso no abatedouro, e o até o abate propriamente dito), nunca deve exceder a 24 horas.

Outras dicas – São inúmeras as dicas que agregam qualidade ao produto e trazem mais rentabilidade ao produtor. Por exemplo: deixar a documentação pronta (Nota Fiscal do Produtor preenchida); manejar em pequenos grupos de 4 e 5 animais, principalmente em instalações com corredores estreitos; usar ‘tábuas de manejo’ dentro das baias e no corredor; e utilizar corredor das baias até o embarcador, sem curvas fechadas, com angulação menor que 90°.

Nos embarcadouros, a inclinação do piso do rodado do caminhão deve ser igual a zero, para facilitar o embarque de terminados e o desembarque de leitões. Outra orientação é nunca usar choque elétrico no embarcadouro ou para acertar a carga no caminhão. “O choque é, comprovadamente, causador do aumento do estresse animal (aumenta a freqüência respiratória, aumenta a freqüência cardíaca, etc.) que em conjunto com outros problemas de manejo ou ambiência, intensificam em muito as perdas por morte”, afirma Tovo. E nas épocas de climas quentes, é preferível que o embarque ocorra nas horas mais amenas (de manhã ou à noitinha), evitando-se sempre nos horários das 12h00 até as 16h00.

“A mão-de-obra deve ser treinada. Há relatos científicos de que motoristas nervosos na direção, aumentam a incidência de carcaças ‘PSE’”, finaliza Rogério Tovo.


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