Diversificar a propriedade, agregar maior renda, facilitar a recuperação de áreas degradadas e melhorar a física do solo são algumas das vantagens do consórcio entre a agricultura e a pecuária
A exploração integrada entre a agricultura e a pecuária é uma das mais recentes inovações tecnológicas colocadas à disposição dos produtores rurais, em geral. O sistema permite aos agricultores e pecuaristas um consórcio envolvendo as duas atividades, que têm um amplo efeito sinérgico, trazendo inúmeros benefícios para os dois segmentos, através da diversificação de atividades; da agregação de renda; facilitando a recuperação de pastagens degradadas, através da redução dos seus custos; e contribuindo para a melhoria das propriedades físicas do solo, entre outros.
A Fazenda Experimental Coamo mantém, há cerca de 8 anos, um programa pioneiro, em parceria com o Iapar – Instituto Agronômico do Paraná, UFPR – Universidade Federal do Paraná, e Syngenta. Neste período, o programa avançou muito, consolidando a importância da integração no sistema produtivo dos cooperados. “É uma opção para aumentar a renda do produtor e diminuir os riscos, principalmente com o cultivo de inverno”, explica o agrônomo Sérgio José Alves, pesquisador do Iapar. “Já tivemos anos com geada, seca e, sistematicamente, estamos produzindo soja acima de 150 sacas por alqueire, no verão, e engordando, em cinco alqueires, entre 36 e 40 animais por ano, todos os anos”, come-mora Alves.
Vantagem competitiva – O pesquisador foi um dos convidados do 11º Encontro Regional sobre Integração Agricultura-Pecuária, promovido e realizado no dia 10 de junho pela Associação dos Engenheiros Agrônomos de Campo Mourão (AEACM). Alves apontou os avanços tecnológicos na integração e os benefícios para a produção de grãos. “Estamos plantando soja no verão sem adubo, porque investimos na aveia/azevém, que além de servir de cobertura para o solo também é pastagem para os animais no período crítico. Assim, além da boa produtividade da soja, temos registrado incremento do teor de matéria orgânica no solo e redução de invasoras”, revela Alves, salientando que com a pecuária no sistema o produtor rural tem renda todos os meses. “Se convertermos a produção de carne, de cerca de 350 arrobas de carcaça por ano, em soja, a produtividade anual da cultura seria de 240 sacas por alqueire. Uma vantagem bem competitiva”, contabiliza.
Recuperação ou reforma da pastagem – O agrônomo Elon Svicero, da área de Tecnologia de Produtos da Dow Agroscienses, também palestrou no encontro. Ele abordou o tema Pastagem Degradada: Recuperar ou Reformar. Para Svicero, a recuperação é mais vantajosa no sistema, uma vez que representa entre 50% a 60% dos custos de uma reforma. “Na recuperação não temos operações mecanizadas dentro da área e o retorno do pastoreio dos animais é bem mais rápido”, acrescenta. O técnico diz que a degradação da pastagem é progressiva. Por isso, quanto antes o produtor tomar a decisão, menor será o custo do trabalho. A reforma, segundo Svicero, é recomendada somente em último caso, quando a área estiver totalmente degradada.
Viabilidade econômica – O risco da pecuária, comparando com a exploração agrícola de inverno é menor. A afirmação é do engenheiro agrônomo, economista e professor do Departamento Rural da UFPR, José Roberto Canziani. Ele também esteve entre os convidados do encontro sobre integração agricultura-pecuária, quando fez uma análise econômica do sistema e o mercado mundial de carne. “Cada produtor tem que fazer a sua conta. A diferença entre o que se vai ganhar com a decisão de incrementar uma nova atividade na propriedade e quais são os custos decorrentes dessa atitude é o que considerado como viabilidade econômica”, explica Canziani. Ele compara a economia com a fertilidade do solo. “Cada planta necessita de uma adubação diferenciada e a decisão, portanto, é individual”, orienta.
Segundo Canziani, em 2006 a pecuária apresenta uma vantagem sobre os cultivos de in-verno. Mas ele alerta que nem sempre é assim. “Uma empresa possui quatro áreas: de produção, finanças, comercialização e recursos humanos. Não basta apenas saber produzir. É preciso gerir o processo com profissionalismo e manter o foco no mercado, ampliando sempre o leque de opções para garantir maior rentabilidade na propriedade”, conclui.
O sistema de integração agricultura-pecuária também foi tema de um encontro realizado pelo entreposto da Coamo em Palmital, no Centro-Oeste do Paraná. O evento, na sua primeira edição, tratou do tema na presença de 120 produtores rurais. O engenheiro agrônomo Sérgio José Alves, do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) ministrou palestra destacando a importância da integração no incremento da renda do campo.
Na avaliação do agrônomo Pedro Fava Júnior, responsável pelo Detec do entreposto da Coamo em Palmital, o evento veio ao encontro das necessidades da região, chamando a atenção para o manejo da aveia no inverno, da pastagem de verão e, mostrando resultados práticos desta teoria aliado a nossa situação econômica atual. “Acredito que o nosso objetivo foi alcançado, colocando a tecnologia a disposição dos produtores, mostrando a viabilidade do processo, incentivando uma tomada de atitude e cumprindo nosso papel no processo de difusão de tecnologia”, resume.
O médico veterinário Hérico Alexandre Rossetto, do Detec da Coamo em Campo Mourão, diz que para se obter bezerros sadios é fundamental, inicialmente, cuidar das vacas nos três últimos meses de gestação. “Neste período, as vacas devem ser bem alimentadas para evitar o nascimento de bezerros com defeitos físicos, magros e com menor resistência a doenças”.
Recomendações – Uma das orientações de Rossetto é remover as vacas em gestação para perto da sede da propriedade, em piquetes-maternidades. Depois do nascimento dos bezerros, o corte e a desinfecção do cordão umbilical devem ser feitos o mais cedo possível, para evitar “bicheiras” e impedir a entrada de agentes causadores de doenças. A desinfecção deve ser repetida por três ou quatro dias.
Outra dica do veterinário é fazer a aplicação de um endectocida para evitar que os bezerros façam a ingestão das larvas infectantes de verminoses. “Lembrando que a pesagem e a identificação do bezerro, com brinco ou tatuagem, devem ser feitas no dia do nascimento. A descorna, a marcação a ferro e a remoção de tetas excedentes, quando houver deverão ser feitas durante o primeiro mês de vida”, completa.
A reportagem do Jornal Coamo presenciou uma família de emas, passeando livremente por uma lavoura de trigo na região de Caarapó, no Sul do Mato Grosso do Sul (foto). Elas causam um dano insignificante às culturas, uma vez que se alimentam de vegetais e, principalmente, de pequenos animais e até de insetos que são consideradas pragas na lavoura, ajudando no ecossistema. A Ema é a maior ave das Américas. No mundo, só perde para o Avestruz.