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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 352 | Julho de 2006 | Campo Mourão - Paraná

Biotecnologia

Lavoura turbinada e Brasil no “pit stop”

Variedades transgênicas têm menor custo, mas uso da tecnologia no país esbarra na burocracia e questões ideológicas

Atualmente, a biotecnologia é indispensável para a agricultura, principalmente como uma ferramenta para auxiliar todos os mecanismos que já foram desenvolvidos através do melhoramento tradicional. “Ela se soma às nossas capacidades de resolver problemas. Com isso, pode-remos alcançar maiores produtividades e eficiência na atividade”, afirma o engenheiro agrônomo Ivo Marcos Carraro, diretor executivo da Cooperativa Central de Pesquisa Agrícola (Coodetec). Para ele, as variedades geneticamente modificadas, seja de soja, milho ou algodão, têm um custo menor para a produção, mas o uso da tecnologia esbarra na burocracia e questões ideológicas no Brasil.

Carraro esteve recentemente em Campo Mourão (Centro-Oeste do Paraná) e palestrou sobre o assunto a um grupo de agricultores, cooperados da Coamo. Na opinião do pesquisador, é grande o avanço que a biotecnologia tem proporcionado no mundo. “No entanto, no Brasil, apesar da nossa competência técnica e científica, ainda temos que, institucionalmente, que evoluir um pouco mais. E com boa vontade e desapego às ideologias chegaremos ao patamar do que existe hoje em países desenvolvidos como os Estados Unidos e a Argentina”, analisa Carraro.

Brasil na lanterna – A questão burocrática, segundo o agrônomo, torna o processo de adoção da tecnologia dos trans-gênicos mais demorado e difícil. “O que lamentamos é que enquanto agricultores de outros países já estão na segunda ou até terceira geração de produtos transgênicos, com custos cada vez menores, nós ainda estamos só com a soja RR, ou seja, na lanterna. Sendo assim, é preciso rever os critérios de segurança, dentro de uma racionalidade e sem manifestações ideológicas ou partidárias”, solicita.

As perspectivas em termos de tecnologia geneticamente modificada no Brasil é grande, conforme informa Carraro. “Existem muitos produtos que estão na fila de espera para serem aprovados pela CTNbio – Conselho Técnico Nacional de Biosegurança. Os principais são o milho e o algodão tolerante a insetos e a herbicidas, como a soja. Também um tipo de arroz também tolerante a insetos. Porém, em outros países esses produtos, que nós ainda não aprovamos aqui, já estão sendo substituídos por novos”, revela.

Visão míope – O diretor da Coodetec diz que a impressão que se tem é de que o setor agrícola sofre uma espécie de preconceito, principalmente na área tecnológica. “É uma visão míope, porque no Brasil tem espaço para todo o tipo de agricultura, desde a empresarial até a familiar, e todas eles precisam de tecnologia, seja ela para o orgânico ou geneticamente modificado. Precisamos de produtos com maior valor agregado e só a biotecnologia pode trazer este benefício”, salienta.

Espaço garantido – A expectativa para a população mundial, segundo aponta Carraro, é de 8,2 bilhões de pessoas no ano de 2030. “Teremos mais pessoas no mundo para consumir alimentos e o desenvolvimento tecnológico não pode ficar estacionado”,
alerta. No mundo, segundo o pesquisador, já são 90 milhões de hectares cultivados com plantas geneticamente modificadas. Sessenta por cento é ocupado pela soja. Nos Estados Unidos, 92% da soja cultivada no país é transgênica; assim como 90% do algodão e 55% do milho. E no Brasil, em 2005, foram cultivados 9,4 milhões de hectares com sementes transgênicas, basicamente com a soja RR.
  Nesta safra de verão, segundo o executivo da Coodetec, 46% da soja cultivada no Brasil foi de variedades geneticamente modificadas. Para a próxima, a expectativa é que os agricultores brasileiros cultivem cerca de 60% da área de soja com variedades transgênicas.

No Brasil, a regulamentação da biosegurança aconteceu em 1995, através da Lei 8.974. O governo federal autorizou o plantio da soja RR nas safra 2003/2004. Uma nova lei (11.105) foi implementada em 2005, normatizando os mecanismos de fiscalização para julgar as questões técnicas acerca da biotecnologia.