barra Site Coamo barra
Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 352 | Julho de 2006 | Campo Mourão - Paraná

Nutrição/Dia de Campo

De olho no cardápio das plantas

Equilíbrio nutricional reduz custo de produção e otimiza desempenho final das lavouras

O professor Antonio Luiz Fancelli, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da Universidade de São Paulo (USP), esteve recentemente na Fazenda Experimental da Coamo, em Campo Mourão (Centro-Oeste do Paraná), para participar de um evento de reciclagem com os profissionais da área técnica da cooperativa. Fancelli foi convidado para falar sobre a importância da nutrição das plantas, mas aproveitou para valorizar o projeto da Coamo de reciclagem do seu quadro técnico, destacando que “desta forma a cooperativa pode atuar com mais segurança na transferência das tecnologias para o produtor rural, num momento em a globalização do mercado não nos permite mais errar”.

Durante o evento, o pesquisador observou que o uso das tecnologias é questão fundamental para se evitar a ocorrência de doenças nas lavouras, principalmente neste momento em que tudo gira do torno do custo de produção. “A idéia principal da discussão é mostrar a importância do equilíbrio nutricional no resultado final das culturas”, destaca.

O produtor, na opinião do professor, deve trabalhar com qualidade e não com quantidade, considerando as porções adequadas de cada nutriente, principalmente com relação aos micronutrientes, que normalmente são negligenciados por parte do produtor. “E uma outra questão importante é que quanto pensamos em nutrientes, tanto macro quanto micro, devemos levar em conta que a nutrição de plantas, além de contribuir para o aumento da produtividade, também é essencial para a redução de custo de produção, reduzindo a utilização de defensivos, otimizando o desempenho das plantas e reduzindo, princi-palmente, a ocorrência de pragas e doenças nas lavouras”, aponta.

Fundamentos – Os principais fundamentos da boa nutrição das plantas, segundo Fancelli, podem ser resumidos no equilíbrio nutricional; no trabalho com análise foliar, além da análise de solo, para verificar se realmente o nutriente que está presente no solo ele apareceu e foi efetivamente aproveitado pela planta; e no conhecimento da biologia e a epidemiologia de doenças e a vida dos insetos, para que o produtor possa entender quais seriam as substâncias para através de uma nutrição equi-librada conseguir desencadear processos e fazer com que as plantas se defendam, por si só, dos problemas.

Reguladores vegetais auxiliam na produtividade

Na agricultura, como nos demais segmentos da cadeia produtiva, o avanço tecnológico tem possibilitado, ao longo dos últimos anos, resultados cada vez mais eficientes, do ponto de vista econômico e ambientalmente sustentável. É o caso dos reguladores vegetais, mais conhecidos por bioreguladores, que carregam em sua essência uma carga generosa de hormônios capazes de auxiliar as plantas, de maneira geral, a expressar mais os seus potenciais genéticos.

O professor João Domingos Rodrigues, do Departamento de Botânica do Instituto de Biociências da Unesp – Universidade Estadual Paulista, do campus de Botucatu, explica que o hormônio é um produto que se aplica às plantas, mas que, na verdade, elas já produzem endogenamente. “Nós aplicamos externamente para melhorar as condições de produção interna da planta, do que ela já produz, e assim modificar e melhorar as condições produtivas, no sentido de aumentar a produtividade, acelerar processos como o da floração e evitar abortamento”, explica.

Custo/benefício – Segundo Rodrigues, que também esteve na Fazenda da Coamo, os resultados proporcionados pelo uso dos reguladores vegetais são altamente positivos, uma vez que o custo é reduzido porque a dosagem que se usa é muito pequena. Ele exemplifica que em um hectare de soja existem cerca de 400 mil plantas e o produtor utiliza 250 mililitros do produto. “E apesar da quantidade baixa do produto, a atividade hormonal vai desencadear respostas fisiológicas das plantas no sentido de se aumentar a produtividade”, argumenta.

O porcentual de ganho com a utilização do hormônio, conforme explica o professor, é variável, porque depende da forma com que o produtor conduz a cultura. “Se a lavoura estiver equilibrada, do ponto de vista nutricional, sem doenças, com o uso de reguladores, o ganho gira em torno de 10% a 20%, podendo chegar até 30%”, afirma.

Uso – Não existe segredo com relação para a aplicação. Rodrigues informa que pode ser aplicado, no caso da soja, diretamente na semente ou via foliar. “E aí o produtor deve usar as dosagens recomendadas pela área técnica da cooperativa para as culturas da região”, orienta.

Dia de campo em Barbosa Ferraz

A propriedade dos cooperados Marcos e Tuioshi Isiri, em Barbosa Ferraz (Centro-Oeste do Paraná), foi palco de um dia de campo de inverno, realizado no dia 21 de julho. Cerca de 70 cooperados participaram do evento, que demonstrou 20 diferentes híbridos de milho, para a safrinha e um levantamento sobre a qualidade da água usada nas pulverizações agrícolas (quadro abaixo). O evento foi organizado pelo Detec do entreposto da Coamo em Barbosa Ferraz.