Estamos terminando os levantamentos referente as prorrogações dos débitos dos cooperados, resultantes dos sérios problemas que os afetaram nos últimos anos devido a grave crise da agricultura brasileira. Em 2005, a Coamo disponibilizou ao seus cooperados o Fat Giro Rural, que beneficiou 10% do seu quadro social (1950) com volumes da ordem de 87,5 milhões para pagamento em até dois anos.
Neste ano, a previsão do número de cooperados que deverão optar pelo Fat Giro Rural, incluindo a quantidade do ano passado atinge 2.200 cooperados, com volumes de aproximadamente 140 milhões de reais e prazo de pagamento em até cinco anos, com dois de carência.
Com o Fat Giro Rural, os produtores têm uma oportunidade para trabalhar mais tranqüilo, já que esta modalidade possibilita um maior fôlego e representa uma saída para resolver os problemas dos débitos com a cooperativa. No custeio, por exemplo, a prorrogação nos bancos tem um prazo de pagamento de até 5 anos, sendo que foi liberado aos sojicultores a possibilidade de prorrogar até 55% dos seus débitos. Para os produtores que têm débitos provenientes de financia-mentos de equipamentos e máquinas agrícolas, a prorrogação se estendeu para após a última parcela. De um modo geral, estas medidas dão um alívio e uma certa folga para que os produtores possam retomar as suas atividades e semear a nova safra 2006/07.
O que os agricultores esperam é que a situação volte a normalidade com anos regulares, diferentes dos últimos onde se conviveu com períodos de seca e queda de preços nos mercados interno e externo motivada pela política cambial, fazendo com que o real sofresse uma valorização e consequentemente, houvesse a desvalorização do dólar. Como resultado dessa situação, vários setores exportadores foram prejudicados e por extensão, à economia brasileira.
Com o encerramento do pleito das prorrogações, os produtores estão ultimando os preparativos visando o planejamento da próxima safra agrícola. Os cooperados da Coamo podem contar nova-mente com o auxílio da co-operativa no apoio ao planejamento e abastecimento de in-sumos, que representam excelentes benefícios para a implantação das suas lavouras.
Nesta etapa do planejamento da próxima safra é muito importante que os cooperados procurem os bancos e façam o financiamento da sua safra para cobrir os custos dos insumos e também se proteger de ocorrência de intempéries que são situações inesperadas e merecem atenção dos produtores. Deste modo, o caminho é que os produtor financiem sua safra para que esteja amparado pelo Proagro, que é o seguro mais barato que os demais e tem muitas vantagens, como por exemplo, com a prorrogação automática em caso de ocorrência de eventos indesejáveis. Outro motivo que leva o produtor a fazer o financiamento da sua safra é o aumento verificado nos limites de financiamentos, passando no caso da soja, de R$ 150 mil para R$ 300 mil por produtor, que deve beneficiar um grande número de sojicultores. Os juros são de 8,75% ao ano, perfazendo 0,70% ao mês. Então, recomendamos que os produtores procurem os bancos e formalizem suas intenções de financiamento da safra 2006/07 para obter custeios mais baratos , que com certeza contribuirão para redução dos seus custos de produção.
Com o planejamento e o financiamento da safra, os produtores se voltam para o trabalho de plantio acreditando em dias melhores, com clima regular, e em bom desenvolvimento das lavouras com a esperança de colheitas com qualidade e produtividade, como aconteceu nos bons anos que antecederam a esta grave crise da agricultura brasileira.
Neste processo de implantação da safra, uma questão que merece atenção dos cooperados é a da administração rural da propriedade. Estamos preocupados com esta situação, principalmente pelos efeitos provocados por esta crise do setor agrícola. É preciso encontrar saídas e uma delas passa necessariamente pela administração e gerencia-mento da propriedade rural. Assim, cada cooperado deve refletir e agir no sentido de reduzir seus custos, saber quanto e onde gasta, seja no âmbito da produção ou das despesas familiares.
Desde a sua fundação, a Coamo vem promovendo palestras, cursos e treinamentos sobre administração rural. Mas, com este cenário de dificuldades e desafios, pensando em auxiliar ainda mais seus cooperados, a Coamo lançou dia 20 de julho em Campo Mourão, no Encontro de Líderes Cooperativistas, um importante instrumento de gestão: o Programa Coamo de Aperfeiçoamento em Gerenciamento Rural. Este programa está encontrando excelente receptividade junto aos co-operados e familiares e representa uma alternativa para que eles façam na prática uma “contabilidade simplificada”, para ver e agir diante da sua realidade sócio-econômica.
Neste contexto, é importante que os produtores não percam o foco da produtividade e não reduzam a tecnologia, porque eles sabem que é somente com boas produtividades que há possibilidade de rentabilidade na atividade. Então, precisa-mos começar do zero e dar mais ênfase ao planejamento e gerenciamento rural da propriedade, que por sua vez exige revisão e mudança de atitude para que se tenha novamente uma agricultura sustentável, deixando para trás esta crise, que seguramente é uma das mais graves na história da agricultura brasileira.