Na região de Toledo (Oeste do Paraná), o cooperado Ademir Maltauro, sempre ao lado da esposa e da filha, ensinam, na prática, que o agricultor tem que conhecer bem a sua atividade e, principalmente, gostar muito do seu trabalho
O jeito simples, a dedicação e a visão de empreendedor rural do cooperado Ademir Luiz Maltauro, na região de São Pedro do Iguaçu, no Oeste paranaense impressiona. Catarinense de Peritiba, ele começou a labutar na agricultura com o pai e o irmão em 1982, em Toledo - distante 50 km da sua propriedade. “Começamos a semear o plantio direto naquele ano e o trigo foi a nossa primeira lavoura implantada com essa técnica maravilhosa que mudou e para melhor a nossa agricultura”, lembra Maltauro, afirmando que “devido a acidez, na época não dava soja, dava só mancha, xaxim e samambaia”.
Ademir Luiz Maltauro tem na esposa Ivanete, nas filhas Josiane e Raquel, e na Coamo, o apoio necessário para bem conduzir os destinos da sua família e do seu negócio. Maltauro cultiva uma área de 11 alqueires, dos quais 6,5 próprios, produzindo soja, milho e trigo no sistema de rotação de culturas. Morando na propriedade, próxima à Vera Cruz do Oeste, ele produz leite, carne e verduras para o consumo da família. Com orgulho, diz:“Há muito tempo não sei o que é comprar leite, carne e verdura. O agricultor tem que produzir tudo isso na sua terra e viver com boa qualidade de vida”.
Com fé no seu trabalho e no futuro, sempre atento aos ensinamentos da assistência da Coamo, o cooperado investe em tecnologia e graças a essa visão de empresário rural vem conseguindo bons resultados. “Eu acredito na assistência da Coamo, pois a gente cresce muito com este apoio e o uso de tecnologias. Fiquei muito feliz quando na safra de verão deste ano, colhi em média 148 sacas por alqueire, bem acima da minha previsão, já que devido a estiagem imaginava colher entre 120 e 130 sacas”.
Gestão, palavra de ordem – Além de colher boas safras, a gestão da propriedade de Maltauro desperta a atenção. “Tudo melhorou depois que fiz o Curso de Jovens Líderes da Coamo em 2000. Aproveitei e muito o curso, principalmente no que diz respeito à administração e ao planejamento rural”, co-memora. Após o curso, que afirma ter sido uma “pós-graduação”, ele melhorou o modo de ver e planejar o seu negócio. Desde então, anota em um caderno tudo o que gasta, ou seja, os custos de produção, não esquecendo as despesas ligadas à casa e à família. No caderninho estão por exemplo informações que dão conta que na safra 2002/03 a produção do cooperado foi de 173 sacas e os custos dos insumos foram 53 sacas por alqueire, sem considerar os custos com operação. “O grande objetivo de levar tudo controlado é que desta maneira eu tenho a idéia real e vejo na prática, se a minha atividade está dando lucro ou não. Esse caderninho é o meu note book, é com ele que posso ver quanto é o meu lucro, quais são as despesas e também as minhas receitas. E quando a gente vê números positivos, temos que ficar felizes, pois a gente trabalha para isso”.
Otimizando o uso de uma colheitadeira, dois tratores e uma plantadeira, Maltauro aposta também na diversificação para agregar resultados. Com isso, há 5 anos realiza serviços de colheita para outros agricultores e incrementa sua receita. “Temos que ficar ligados, pois esse ano não compensou colher para terceiros. Coloquei tudo na ponta do lápis, fiz as contas e vi que os custos estavam altos e que não seria viável colher para terceiros”, explica, reforçando a necessidade de que o produtor tem de saber quais são os seus custos, principalmente quando se vai tomar uma decisão. “Às vezes a gente pode pensar que está ganhando, que está tudo bem e nem sempre é assim”.
Custos – Quando perguntado sobre a importância dos custos, Maltauro busca no seu caderno e encontra anotações que responde essa questão. Cita o exemplo de 2001 para mostrar que o litro do óleo diesel custava R$ 0,72 e a soja estava sendo vendida a R$ 16,00 a saca. Desta forma, uma saca de soja equivalia a 22,2 litros de óleo diesel. “Agora em 2006, com a saca de soja a R$ 24,00 e o óleo diesel a R$ 1,89, uma saca de soja é igual a 12,69 litros de óleo diesel”, informa.
Conhecimento – “O produtor tem que conhecer bem o seu negócio e principalmente gostar muito do que faz”, considera Maltauro. Segundo ele, após cada safra o agricultor deve avaliar e analisar seus resultados, custos e receitas. E antes do novo plantio junto com sua assistência deve definir bem o que plantar e quais tecnologias irá utilizar para ter sucesso da lavoura. “Sinto-me um produtor realizado e muito feliz. Comecei na agricultura com o meu pai e o meu sogro, não tinha sequer uma chave de fenda e hoje já tenho muito. Foi assim que consegui estudar minhas duas filhas - Josiane tem duas faculdades de Música e Raquel estuda Administração de Empresas -, e queremos sempre o melhor para a nossa família e agricultura”.
Este amor à terra, fruto de muito suor e esforço, valorizam o trabalho de Ademir Maltauro como um agricultor de sucesso, sendo reconhecido na sua própria família. “Foi graças as madrugadas do meu pai colhendo que consegui me formar em Música e Musicoterapia em Curitiba, por tudo isso, temos muito que agradecer”, destaca a filha Josiane.