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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 352 | Julho de 2006 | Campo Mourão - Paraná

Tecnologia de Aplicação

Bicos com vazão uniforme

Detec de Toledo faz levantamento e constata variações de até 18%, para mais ou para menos, na vazão das pontas de pulverização, orientando cooperados para padronizar regulagem dos bicos

Durante a sua história, a Coamo tem desenvolvido vários projetos, cujos objetivos principais estão focados no aprimoramento dos conhecimentos de sua equipe técnica e, consequentemente, de seu quadro de associados. Entre as ações que estão sendo realizadas pela cooperativa estão as de conscientização para o uso correto das máquinas e implementos agrícolas, visando a racionalização dos custos e, com isso, a melhoria dos resultados econômicos com o trabalho no campo.

Dentro desta proposta, destaca-se o Programa Coamo de Tecnologia de Aplicação de Defensivos Agrícolas (TA). O programa busca orientar os cooperados para uma boa pulverização dos produtos agroquímicos, atuando, principalmente, na correta regulagem do equipamento e nas condições climáticas  consideradas ideais para a aplicação.

Em Toledo, região Oeste do Paraná, um amplo trabalho coordenado pelo Detec do entreposto local, inspecionou dezenas de pulverizadores, de olho, sobretudo, nas falhas proporcionadas pelas pontas de pulverização (bicos). O engenheiro agrônomo Rivael Siniz Lima, diz que após o trabalho foram constatados vários problemas nos pulverizadores. Um deles é a variação da vazão entre os bicos, sejam eles antigos ou novos. “Observamos que os defeitos encontrados foram provocados, basicamente, por uma limpeza inadequada, feita por instrumentos não recomendados”, avalia Lima.

Os técnicos também encontraram variações no volume de calda aplicada por alqueire. “Chegamos encontrar variações de até 18% para mais ou para menos” afirma Lima. Esta condição, segundo ele, pode trazer sérias conseqüências, seja pela falta ou excesso de produto na lavoura, podendo até causar aumento de custo sem necessidade e também contaminação ambiental.

Atenção aos detalhes – Com a modernização da agricultura, os produtores rurais precisar estar cada vez mais atentos ao que muitas vezes se considera “pequenos detalhes” para se ter uma otimização as atividades. “É através do pulverizador que aplicamos em torno de 50% do nosso custo de produção. Por isto, não basta apenas ter um pulverizador novo. É preciso sempre estar monitorando o equipamento para não perder nos detalhes”, orienta Rivael Lima.

Seguindo o exemplo – O cooperado Claudemir Belaver, de Toledo, é um dos que aprenderam com a Coamo a não desperdiçar tempo e dinheiro com a ineficiência das suas máquinas e do seu próprio trabalho na propriedade. Ele elogia a iniciativa da cooperativa em estar sempre preocupada com o bem estar econômico e social dos seus associados. “Esse tipo de trabalho que a Coamo vem desenvolvendo é muito importante para todos nós, cooperados. Precisamos minimizar ao máximo as perdas, principalmente em períodos difíceis como o que estamos vivendo atualmente”, aconselha.

 

Baixa vazão com altos resultados

Cooperado de Caarapó, no Sul do Mato Grosso do Sul, mantém eficiência da pulverização com ¼ da média do volume de água usado nas aplicações de baixa vazão, ganhando tempo e dinheiro ao trabalhar 500 alqueires com apenas um pulverizador

Domingos Sávio de Souza e Silva. No sobrenome, o cooperado de Caarapó, no Sul do Mato Grosso do Sul, traz três “ésses” nas iniciais do sobrenome, que também poderiam significar “sabedoria, sustentabilidade e sucesso”. Uma condição está ligada a outra no sistema que o agricultor, engenheiro agrônomo por formação, adotou para o trabalho nos quase 500 alqueires de lavoura, entre áreas próprias e arrendadas. Na verdade, os três “ésses” incorporados ao dia-a-dia do cooperado são encarados como uma filosofia de vida, levada à cabo no trabalho, onde a racionalização dos custos é o ponto de partida para a ampliação da rentabilidade da fazenda.

O segredo do sucesso de Souza e Silva está no planejamento das ações e na busca pela eficiência dos processos. Um dos exemplos está no esquema de pulverização das lavouras, adotado pelo co-operado há mais de 10 anos. Ele usa apenas um pulverizador para realizar as aplicações de agro-químicos na fazenda. Como faz isto? Simples: aproveitando o máximo do potencial da máquina e das condições climáticas, o que lhe permite reduzir a ¼ da média do volume de água usado nas aplicações de baixa vazão. “Trabalho com um volume de 70 litros por alqueire de solução, enquanto que a média na região, mesmo em baixa vazão, é de 300 litros por alqueire”, comemora Souza e Silva.

Com apenas um pulverizador de capacidade para 3 mil litros, o co-operado consegue, a cada abas-tecida, aplicar a solução em cerca de 10% da sua propriedade. “Ganho tempo e dinheiro, sem perder a eficiência do trabalho de pulverização”, afirma o produtor. Ele garante que o equipamento é o mesmo para todas as aplicações. “A questão não é mudar a ferramenta e sim o conceito de trabalho. Assim, quando comecei a pensar mais no equilíbrio entre o econômico e o ecológico cheguei ao que realmente interessa ao empresário rural: lucratividade por alqueire, porque só assim é possível gerar o desenvolvimento sustentável da propriedade”, ensina. O rendimento da trabalho reduz, segundo o cooperado, a um terço do consumo da hora/máquina para fazer o mesmo serviço, uma vez que o tempo que se gasta para reabastecer o pulverizador é muito grande.

Dia pela noite – Uma cena comum na fazenda de Souza e Silva é encontrar os dois únicos funcionários do cooperado indo para a lavoura no início da noite. É normalmente quanto os demais agricultores estão guardando o maquinário que eles estão iniciando o trabalho. E é justamente aí que está a explicação de como o cooperado consegue pulverizar com um volume tão baixo. “É o mesmo sistema aviões agrícolas. Aproveitamos as melhores horas para pulverizar, levando em conta o equilíbrio entre umidade relativa do ar, ventos e temperatura ambiente. E as condições ideais estão no período noturno, sobretudo de madrugada. Então, como a nossa região possui uma topografia plana, o que favorece o trabalho com pouca luz, não pensei duas vezes. Conscientizei os funcionários e consolidei o conceito com os próprios resultados do trabalho”, argumenta.

Gotas no alvo – O trabalho na propriedade do cooperado Domingos Silva é realizado com o pulverizador em uma velocidade entre 10 a 12 km/hora, enquanto que a pressão é de 60 lbf/pol² (libra força por polegada ao quadrado). As aplicações são realizadas somente quando a umidade relativa está acima de 55% e temperatura abaixo de 30 graus centígrados. “Nestas condições, é possível trabalhar com gotas pequenas, atingindo plenamente o alvo”, afirma o engenheiro agrônomo José Carlos de Andrade, encarregado do Detec da Coamo em Caarapó.

Andrade explica que a iniciativa do cooperado é bastante vantajosa. “Tecnicamente, não se tem restrições para esse tipo de pulverização. O próprio fabricante do pulverizador orienta aplicações com esse volume de água, que torna o trabalho do produtor ainda mais profissional, diante do fato que nessas condições o aplicador não pode errar”, orienta.

Ao reduzir a diluição os produtos têm uma performance aparentemente melhor, por causa da maior concentração. No entanto, o aplicador deve respeitar os produtos que têm sua eficiência ligada à luz solar, como no caso da lagarta da aveia, que se esconde à noite.

Inspeção em Mangueirinha

O Detec do entreposto da Coamo em Mangueirinha (Sul do Paraná) realiza no dia 10 de agosto a 1ª Inspeção Anual de Pulverizadores, através do Programa TA. As inspeções serão feitas na unidade de Mangueirinha III, durante todo o dia. Entre os itens submetidos à verificação estarão bicos, mangueiras, filtros, entre outras peças da máquina.

Ao final da vistoria e, tão logo o produtor realize os ajustes necessário, será entregue um selo de aprovação, com validade para um ano ao produtor que estiver com o pulverizador em dia.

O evento terá o apoio técnico da Du Pont, Jacto e do Centro de Treinamento Agrícola da Coamo (CTA).