Ao romper o mês de agosto – período seco e frio, as pastagens perenes de verão que já estavam secas desde o outono declinam ainda mais, e com rapidez, a qualidade, pois, as folhas já foram consumidas pelos bovinos, restando apenas os caules. Deste modo, o planejamento alimentar do plantel torna-se de primordial importância, já que é comum, nesta época, o produtor observar uma alta redução de produtividade das pastagens de verão, chegando a produzir apenas 20% do volume de massa do período das chuvas.
“Além do déficit em quantidade de forragem, outro grande problema que é a queda dos valores nutricionais das forrageiras de verão devido a sua sazonalidade, pois, o ideal seria uma constância na quantidade e digestibilidade de alguns ingredientes indispensáveis para os animais”, informa o médico-veterinário Hérico Alexandre Rossetto, do Detec da Coamo em Campo Mourão (Centro-oeste do Paraná). Ele exemplifica: “o teor de proteína na matéria seca alimentar ingerida deveria ser sempre acima de 7%. Isto porque os microorganismos existentes no rúmen (câmara fermentadora e disponibilizadora de nutrientes para o bovino) só são eficientes quando chegam até eles alimentos com níveis de proteína bruta superiores a 7%, pois, necessitam deste teor de proteína para realizarem a digestão enzimática das forragens ingeridas e assim disponibilizarem proteína e energia para a mantença e desempenho dos animais”.
Segundo Rossetto, uma boa saída para contornar este problema de déficit nutricional sazonal, é o produtor lançarmos mão do uso da suplementação de misturas protéicas e energéticas, que possuam em suas formulações teores elevados de equivalência protéica. “Estes suplementos irão disponibilizar a necessidade mínima de proteína bruta exigida pelos microorganismos ruminais”, explica.
Massa por mineral – O veterinário indica que o produtor deve usar um suplemento protéico energético com alto teor de energia, e que sua formulação possua um teor de 30 a 45% de equivalência quanto a proteína bruta. Também é preciso que haja um consumo de, no mínimo, 1% do peso vivo dos animais, podendo os bovinos de grande porte chegar a consumir 500 gramas deste suplemento ao dia. “Para que a suplementação ocorra de forma correta deverá existir uma quantidade suficiente de cochos (10 centímetros lineares/cabeça), e boa palatabilidade da mistura mineral”, orienta.
Deste modo, a recomendação do Detec da Coamo é que o pecuarista avalie com cuidado a disponibilidade de pastagem em sua propriedade, levando em conta a quantidade de bovinos existentes e a relação de caule e folhas desta forragem. “Quando necessário, o criador deve optar por um suplemento protéico-energético que supra a exigência de manutenção nutricional de determinadas categorias, viabilizando desta forma o ciclo de produção da atividade de pecuária de corte no período crítico do ano”, conclui Rossetto.A conservação de grãos úmidos de milho no Brasil teve início na região de Castro, Estado do Paraná, em 1981. O objetivo inicial foi à alimentação de suínos, e mais tarde passou a utilizar-se também na alimentação de bovinos.
A silagem de grãos úmidos pode ser definida como o produto de conservação em meio anaeróbio (sem a presença de oxigênio) de grãos de cereais, logo após a maturação fisiológica. Nesse momento cessa a translocação dos nutrientes da planta para os grãos, com teor de umidade de aproximadamente 30%, onde se encontra o maior teor de amido, proteínas e lipídeos.
O ponto de colheita é identificado pela presença de uma camada preta na base dos grãos, sendo que a partir dessa fase o processo de colheita é o mesmo realizado para o milho grão seco. É importante que logo em seguida os grãos sejam quebrados ou moídos e compactados, evitando o início da fermentação aeróbia.
O tamanho das partículas vai depender da espécie animal a ser tratada o teor de umidade do grão. Para suínos a moagem deve ser bem fina, e para bovinos pode ser mais grossa. À medida que há redução no teor de umidade, mais fina deve ser a moagem.
Na pratica, a melhor qualidade de silagem de grão úmido é conseguida com teor de umidade entre 32% a 35%, sendo que em uma umidade mais baixa pode ocorrer a caramelização da silagem, e uma umidade elevada indica perda, pois a maturação ainda não foi atingida.
A densidade de um silo de boa umidade e compactação vai ficar em torno de 1.100 a 1.200 kg/m3, o que equivale a 18 a 20 sacas/m3.
Outro ponto importante é o correto dimensionamento do silo, de forma que seja retirada uma fatia diária mínima de 15 cm, para evitar a penetração do ar e proliferação de bactérias e fungos. O tempo de estabilização da silagem de grão úmido é de 28 dias, podendo ser reduzido para 5 a 8 dias com a utilização de inoculante específico, também aumentando a estabilidade do silo após aberto.
Entre as vantagens da silagem de grão úmido estão a colheita antecipada do milho em 3 a 4 semanas; a redução de custos com transporte e armazenagem; evitar descontos de umidade, impurezas e grãos ardidos; menores perdas no campo por tombamento e ataque de pragas; e maior digestibilidade e desempenho animal.
Solano Alex Oldoni, médico-veterinário – Coamo Toledo, no Oeste do Paraná
A principal causa do nascimento de bezerros fracos é a subnutrição da vaca gestante, normalmente nas épocas mais frias e secas do ano. A influência da alimentação antes do parto é constante, tanto para o crescimento do feto, quanto para a sobrevivência do bezerro durante as primeiras semanas de vida.
As deficiências de energia, minerais e vitaminas têm sido importantes no processo. As vacas devem ser conduzidas ao pasto maternidade 60 dias antes do parto. O local deve estar seco, limpo e localizado próximo ao estábulo, para permitir a alimentação diferenciada, observações freqüentes e assistência, caso ocorra algum problema por ocasião do parto. Não se deve esquecer que o maior crescimento do feto ocorre nos três últimos meses de gestação. Por esse motivo a vaca necessita de um período seco de seis a oito semanas.
Durante os primeiros seis meses de gestação, as vacas gordas podem perder peso. Já, as vacas em bom estado corporal devem manter o peso e as vacas magras, engordar. Ainda segundo ele, durante o último terço da gestação, todas as vacas devem ganhar em torno de 600 gramas a 800 gramas de peso corporal por dia, usando-se alimentação suplementar ou volumoso, se necessário. Caso não se tenha uma balança para medir o ganho de peso, pode-se fazer uma avaliação visual das condições corporais das vacas.