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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 363 | Julho de 2007 | Campo Mourão - Paraná

Bovinocultura

No frio, mineral na vacada

Sais protêico-energéticos ajudam a suprir a as deficiências das pastagens, comuns no inverno

Ao romper o mês de agosto – período seco e frio, as pastagens perenes de verão que já estavam secas desde o outono declinam ainda mais, e com rapidez, a qualidade, pois, as folhas já foram consumidas pelos bovinos, restando apenas os caules. Deste modo, o planejamento alimentar do plantel torna-se de primordial importância, já que é comum, nesta época, o produtor observar uma alta redução de produtividade das pastagens de verão, chegando a produzir apenas 20% do volume de massa do período das chuvas.

“Além do déficit em quantidade de forragem, outro grande problema que é a queda dos valores nutricionais das forrageiras de verão devido a sua sazonalidade, pois, o ideal seria uma constância na quantidade e digestibilidade de alguns ingredientes indispensáveis para os animais”, informa o médico-veterinário Hérico Alexandre Rossetto, do Detec da Coamo em Campo Mourão (Centro-oeste do Paraná). Ele exemplifica: “o teor de proteína na matéria seca alimentar ingerida deveria ser sempre acima de 7%. Isto porque os microorganismos existentes no rúmen (câmara fermentadora e disponibilizadora de nutrientes para o bovino) só são eficientes quando chegam até eles alimentos com níveis de proteína bruta superiores a 7%, pois, necessitam deste teor de proteína para realizarem a digestão enzimática das forragens ingeridas e assim disponibilizarem proteína e energia para a mantença e desempenho dos animais”.

Segundo Rossetto, uma boa saída para contornar este problema de déficit nutricional sazonal, é o produtor lançarmos mão do uso da suplementação de misturas protéicas e energéticas, que possuam em suas formulações teores elevados de equivalência protéica. “Estes suplementos irão disponibilizar a necessidade mínima de proteína bruta exigida pelos microorganismos ruminais”, explica.

Massa por mineral – O veterinário indica que o produtor deve usar um suplemento protéico energético com alto teor de energia, e que sua formulação possua um teor de 30 a 45% de equivalência quanto a proteína bruta. Também é preciso que haja um consumo de, no mínimo, 1% do peso vivo dos animais, podendo os bovinos de grande porte chegar a consumir 500 gramas deste suplemento ao dia. “Para que a suplementação ocorra de forma correta deverá existir uma quantidade suficiente de cochos (10 centímetros lineares/cabeça), e boa palatabilidade da mistura mineral”, orienta.

† Deste modo, a recomendação do Detec da Coamo é que o pecuarista avalie com cuidado a disponibilidade de pastagem em sua propriedade, levando em conta a quantidade de bovinos existentes e a relação de caule e folhas desta forragem. “Quando necessário, o criador deve optar por um suplemento protéico-energético que supra a exigência de manutenção nutricional de determinadas categorias, viabilizando desta forma o ciclo de produção da atividade de pecuária de corte no período crítico do ano”, conclui Rossetto.

Silagem de milho grão úmido

A conservação de grãos úmidos de milho no Brasil teve início na região de Castro, Estado do Paraná, em 1981. O objetivo inicial foi à alimentação de suínos, e mais tarde passou a utilizar-se também na alimentação de bovinos.

A silagem de grãos úmidos pode ser definida como o produto de conservação em meio anaeróbio (sem a presença de oxigênio) de grãos de cereais, logo após a maturação fisiológica. Nesse momento cessa a translocação dos nutrientes da planta para os grãos, com teor de umidade de aproximadamente 30%, onde se encontra o maior teor de amido, proteínas e lipídeos.

O ponto de colheita é identificado pela presença de uma camada preta na base dos grãos, sendo que a partir dessa fase o processo de colheita é o mesmo realizado para o milho grão seco. É importante que logo em seguida os grãos sejam quebrados ou moídos e compactados, evitando o início da fermentação aeróbia.

O tamanho das partículas vai depender da espécie animal a ser tratada o teor de umidade do grão. Para suínos a moagem deve ser bem fina, e para bovinos pode ser mais grossa. À medida que há redução no teor de umidade, mais fina deve ser a moagem.

Na pratica, a melhor qualidade de silagem de grão úmido é conseguida com teor de umidade entre 32% a 35%, sendo que em uma umidade mais baixa pode ocorrer a caramelização da silagem, e uma umidade elevada indica perda, pois a maturação ainda não foi atingida.

A densidade de um silo de boa umidade e compactação vai ficar em torno de 1.100 a 1.200 kg/m3, o que equivale a 18 a 20 sacas/m3.

Outro ponto importante é o correto dimensionamento do silo, de forma que seja retirada uma fatia diária mínima de 15 cm, para evitar a penetração do ar e proliferação de bactérias e fungos. O tempo de estabilização da silagem de grão úmido é de 28 dias, podendo ser reduzido para 5 a 8 dias com a utilização de inoculante específico, também aumentando a estabilidade do silo após aberto.

Entre as vantagens da silagem de grão úmido estão a colheita antecipada do milho em 3 a 4 semanas; a redução de custos com transporte e armazenagem; evitar descontos de umidade, impurezas e grãos ardidos; menores perdas no campo por tombamento e ataque de pragas; e maior digestibilidade e desempenho animal.

Solano Alex Oldoni, médico-veterinário – Coamo Toledo, no Oeste do Paraná

Inverno também afeta bezerros

A principal causa do nascimento de bezerros fracos é a subnutrição da vaca gestante, normalmente nas épocas mais frias e secas do ano. A influência da alimentação antes do parto é constante, tanto para o crescimento do feto, quanto para a sobrevivência do bezerro durante as primeiras semanas de vida.

As deficiências de energia, minerais e vitaminas têm sido importantes no processo. As vacas devem ser conduzidas ao pasto maternidade 60 dias antes do parto. O local deve estar seco, limpo e localizado próximo ao estábulo, para permitir a alimentação diferenciada, observações freqüentes e assistência, caso ocorra algum problema por ocasião do parto. Não se deve esquecer que o maior crescimento do feto ocorre nos três últimos meses de gestação. Por esse motivo a vaca necessita de um período seco de seis a oito semanas.

Durante os primeiros seis meses de gestação, as vacas gordas podem perder peso. Já, as vacas em bom estado corporal devem manter o peso e as vacas magras, engordar. Ainda segundo ele, durante o último terço da gestação, todas as vacas devem ganhar em torno de 600 gramas a 800 gramas de peso corporal por dia, usando-se alimentação suplementar ou volumoso, se necessário. Caso não se tenha uma balança para medir o ganho de peso, pode-se fazer uma avaliação visual das condições corporais das vacas.