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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 363 | Julho de 2007 | Campo Mourão - Paraná

Editorial

Os desafios do mercado agrícola

Engenheiro agrônomo José Aroldo Gallassini, idealizador e diretor-presidente da Coamo Agroindustrial Cooperativa

Iniciamos com muito sucesso em julho as tradicionais Reuniões de Campo com a diretoria da Coamo nos entrepostos da área de ação da cooperativa. Esta é uma prática que promovemos desde o surgimento da Coamo há 37 anos com o objetivo de estar sempre ao lado dos cooperados e levar as informações necessárias para o planejamento eficaz da safra e apresentar as normas para o novo plantio, além das tendências do mercado agrícola. Dois assuntos importantes nas reuniões têm sido à prática da administração e do gerenciamento rural, e a necessidade de que os cooperados contratem os financiamentos junto às instituições financeiras através das várias modalidades anunciadas pelo governo com redução de taxas de juros.

Paralelo às reuniões da diretoria nos entrepostos, está muito movimentada a Copa Coamo de Co-operados com a expressiva participação e integração de atletas e dirigentes cooperados, familiares e comunidade. Estamos promovendo as últimas etapas classificatórias, antes da grande final programada para o próximo dia 1º de setembro em Campo Mourão, com a presença das 33 equipes campeãs regionais e de milhares de pessoas no coroamento deste grande evento cooperativista.

Praticamente todos os cooperados da Coamo já efetivaram seus planejamentos junto à assistência técnica visando a implantação da safra 2007/08 e aproveitaram as condições disponibilizadas pela cooperativa, resultando em importante benefício e em grande economia para os produtores.

Após o planejamento da safra, o desafio passa a ser o mercado agrícola que nem sempre tem os preços desejáveis para quem produz. Muitos fizeram vendas antecipadas de soja obtendo bons preços. A venda antecipada é uma modalidade importante que o cooperado pode fazer durante todo o ano, seja antes ou depois do plantio. É uma opção que precisa ser mais valorizada, já que precisamos ser cada vez mais profissionais na Agricultura. Neste sentido é preciso acompanhar mais de perto o mercado, considerando que colhemos duas safras anuais – a de verão entre os meses de fevereiro e abril, a de inverno de julho a outubro, em um curto espaço de tempo.

Desta maneira torna-se fundamental que o cooperado saiba qual é o custo de produção das suas lavouras, quanto custa uma saca de soja, uma saca de milho, enfim, necessita saber do custo para poder vender e aproveitar as oportunidades que o mercado oferece durante o ano para haja cobertura dos seus custos.

Se o custo de produção direto de uma saca de soja for de R$ 15,00 e o preço no patamar de R$ 30,10, sem dúvida alguma seria um preço satisfatório. Mas, na prática, a agricultura não tem um lucro de 100% se levarmos em consideração os produtores que estão descapitalizados e carregando sérios problemas oriundos de endividamento e financiamentos provocados pelas frustrações das últimas safras, cujos débitos foram prorrogados.

Recomendamos que a comercialização da produção seja feita de forma escalonada, em várias vezes durante o ano. Uma cultura que precisamos melhorar é a de que se vendemos, por exemplo, 20% da produção a um deter-minado valor e depois o preço sobe, não devemos ficar frustrados, mas sim otimistas já que o desejamos mesmo é a alta dos preços para garantir a rentabilidade esperada. Por isso, a importância de se fazer a venda da produção em várias vezes durante o ano.

O cenário mundial indica boas previsões de preços da soja e milho tendo em vista diversos fatores como a procura de milho pela Europa e o incremento do biodiesel e do etanol, que devem provocar aumentos nas demandas mundiais de soja e milho, e desta maneira, previsão de bons preços.

Por outro lado estamos acompanhando o desenvolvimento da política econômica do governo que valorizou demais o real e reduziu o valor do dólar provocando grandes prejuízos aos agricultores que adquiriram insumos com dólar em alta e venderam sua produção a dólar em patamares indesejáveis, reduzindo sobremaneira as margens de lucro da atividade.

A agricultura brasileira está vivendo uma nova fase tendo o governo aumentado os valores de subsídio para o seguro agrícola com a promessa para esta safra de um montante de R$ 99 milhões. Este valor não atende todas as necessidades dos produtores, mas representa um grande avanço. Diante desta realidade, esperamos que os produtores façam a cobertura das suas lavouras através do Proagro e do Seguro Rural, e assim, plantar a safra com mais segurança e menos riscos, para em caso de frustrações recuperar seus custos.

Estamos evoluindo nesta questão de comercialização, os cooperados estão aprimorando a cultura de comercializar, acompanhando as tendências do mercado e aproveitando as opções de venda da sua produção com o objetivo de cobrir os custos das suas lavouras e obter a melhor rentabilidade possível com a geração de lucro e satisfação na condução das suas atividades, a cada nova safra, atividades estas sabida-mente de risco.