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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 363 | Julho de 2007 | Campo Mourão - Paraná

Encontro de Pecuária

500 cooperados e um objetivo: saber mais da criação de bovinos

Dia de campo na Fazenda Experimental Coamo aponta bovinocultura como uma atividade altamente rentável, se conduzida profissionalmente

Seguindo a tradição de realizar grandes eventos para a ampliação do conhecimento técnico e econômico dos associados, a Fazenda Experimental foi palco, no dia 5 de julho, do Encontro de Pecuária 2007. O evento reuniu 500 cooperados, vindos de todas as regiões da área de atuação da cooperativa, e oportunizou a discussão as tecnologias que impulsionam o desenvolvimento da bovinocultura na atualidade, além de apontar a pecuária de leite ou corte como uma atividade altamente rentável, desde que conduzida profissionalmente.

Pastagem como cultura – Para o agrônomo Nei Leocádio Cesconetto, gerente Técnico da Coamo, o encontro trouxe informações importantes para os produtores, que, mais conscientes, estão ampliando os investimentos na verticalização da pecuária. “Nossa proposta, com o evento, foi propiciar a integração dos associados e promover a discussão sobre o tema, que vem avançando na região de atuação da cooperativa”, explica Cesconetto, esclarecendo que o pecuarista deve encarar a sua atividade como um projeto amplo, atento, principal-mente, para o manejo do solo e da pastagem. “É bom lembrar que a pastagem também é uma cultura e deve ser conduzida com profissionalismo, para garantir o re-torno desejado pelo produtor”, destaca o gerente da Coamo.

Leite ou carne – O diretor-presidente da Coamo, José Aroldo Gallassini, abriu o encontro enfatizando o volume de informações disponibilizado aos produtores. Ele destacou que a bovinocultura deu um grande salto para o desenvolvimento depois que os produtores passaram a ter uma maior consciência sobre a exploração do solo e o manejo das pastagens. “Não é difícil aumentar a nossa produtividade de carne com a adubação e recuperação das pastagens. Os animais precisam de um alimento de qualidade, mas para que a planta possa fornecer os nutrientes na quantidade correta ao plantel é preciso que o produtor lance mão de investimentos, sobretudo na melhoria da fertilidade do solo e manejo das pastagens”, orienta o presidente da Coamo.

Gallassini lembra que os investimentos na melhoria das pastagens possibilitam ao produtor a elevação da taxa de lotação nas pastagens, tanto no verão quanto no inverno. “São realidades que o pecuarista está começando a enxergar como oportunidades, já que a atividade, além de cultura principal, é, também, uma excelente combinação para ampliar a rentabilidade na agricultura, e vice-versa”, considera

Bandeira – Tratando a pastagem como uma cultura, a Coamo incentiva o seu cooperado trabalhar o solo para recolher o máximo do potencial das variedades usadas para o pastoreio do gado. Co-locando essas espécies em solos equilibrados em macro e micro elementos, o pecuarista adota uma postura de produtor de grãos. “É como se ele fosse plantar milho para produzir 500 sacas por alqueire, ou soja para uma produtividade média de 200 sacas por alqueire”, esclarece o agrônomo Joaquim Mariano Costa, responsável pela Fazenda Coamo e um dos organizadores do encontro.

Resultados em sete estações

Durante o encontro os cooperados visitaram sete estações. Elas foram montadas para validar o trabalho da pesquisa oficial e apresentar os resultados alcançados pela Fazenda Coamo com os ensaios de fertilização e manejo da pastagem, de inverno e verão, e do projeto de Integração Lavoura/Pecuária, que conta com dados de 7 anos de pesquisa. “É um consórcio que já provou que dá resultado, e bom”, diz o médico veterinário Hérico Alexandre Rossetto, que também coordenou o encontro. Segundo ele, na área de ação da cooperativa já são 120 mil hectares de área com o sistema de integração e mais de 200 mil cabeças de bovinos. “É um trabalho nobre e muito importante, que traz uma estabilidade de renda ao produtor rural”, salienta Rossetto.

Na parceria com o Iapar – Instituto Agronômico do Paraná, UEM – Universidade Estadual de Maringá; e UFPR – Universidade Federal do Paraná, outros temas apresentados nas estações foram: manejo de plantas daninhas em pastagens; rendimento de pastagens de verão e inverno sob diferentes manejos; produção e qualidade de silagens e cana de açúcar hidrolisada.
  Para conduzir as palestras a Coamo contou com profissionais do seu quadro técnico e com convidados, como os doutores Sérgio José Alves e Simony Marta Bernardo Lugão, do Iapar; e Jamil Constantin, da UEM.

FALA COOPERADO:

 

Alfredo Alves Miguel Júnior (Faxinal, Vale do Ivaí, no Paraná) – “A Coamo está de parabéns! Não é só apresentar as novas tecnologias, mas fazer com que nós possamos ter acesso a informações valiosas. Já trabalho bem com o sistema de integração lavoura/pecuária na propriedade. Ainda estamos adaptando a tecnologia à realidade da nossa propriedade, mas essas informações ajudam a desenvolver ainda mais o trabalho, trazendo maior renda para a propriedade, aumentando o lucro com a pecuária usando a área de agricultura, também”.
 
Dalva Medeiros (Mamborê, Centro-Oeste do Paraná) – “A agricultura e a pecuária faz parte da realidade da minha família. Para garantir uma boa rentabilidade com a bovinocultura, trabalhamos com as pastagens cultivadas e de qualidade no verão e a destinação dos animais para pastoreio na aveia, durante o inverno. Esse encontro, sem dúvida, acrescenta informações importantes para a condução do nosso negócio. Através da cooperativa temos todo o suporte para trabalhar melhor as nossas atividades. Também é fundamental a troca de experiências com outros produtores”.

Integração: até 70% a mais na receita

Apresentar os resultados de pesquisa de vários experimentos desenvolvidos desde 1999 com o sistema de integração lavoura/pecuária. Este foi o objetivo o engenheiro agrônomo Sérgio José Alves, pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), durante do Encontro de Pecuária, que aconteceu no dia 05 de julho, na fazenda experimental Coamo.

Nesses oito anos, explica Alves, são inúmeros os resultados positivos das medições de produção animal, de diferentes raças, como de soja e milho. “É um apanhado geral de uma série de resultados obtidos durante todos esses anos, que servem como base para o produtor poder decidir se faz ou não a integração e por quê”, esclarece o pesquisador, adiantando que os resultados na Fazenda Coamo sempre foram muito bons, seja em, ano de seca, geada ou de clima extremamente favorável.

Resultados – Conforme Sérgio Alves, a média da produção de soja dos últimos quatro anos passam de 164 sacas por alqueire. Já o milho foi fechado com média de 480 sacas por alqueire, na última safra. De acordo com o pesquisador, a intenção é mostrar para o produtor a importância em fazer a integração bem feita, da forma correta. Ele revela que ainda tem muita gente adotando a tecnologia pela metade. “Por exemplo: tem produtor que ao invés de plantar aveia e azevém, planta só aveia. Quer economizar e não faz adubação com nitrogênio e muitas vezes não maneja correta-mente o corte da aveia, deixado o gado rapar muito o pasto. Isto derruba a produtividade animal e ainda pode comprometer a lavoura de soja ou milho que será implantada naquela área”, alerta.

“Por outro lado – lembra Alves, quando a integração é feita de forma correta as produtividades de soja e milho são até maiores do que as médias encontradas na região”. O pesquisador observa que mesmo quando a integração não é feita exatamente como deve ser, as médias, ainda assim, são superiores às dos produtores que não aderiram, por enquanto, ao sistema. “Normalmente a integração supera as médias de quem só faz agricultura. Agora, quando ela é bem feita os números que temos mostram um incremento de receita de quase 70%, o que é muito bom”, avalia.

Nos últimos anos vem crescendo as áreas de integração lavoura-pecuária na área de ação da Coamo, bem como o uso de tecnologia em pastagens de verão. O pecuarista está investindo mais em adubação de pastagens, em animais de qualidade e numa logística melhor para a propriedade, como a implantação de cercas elétricas.

Um bilhão de reais – Sérgio Alves faz contas e chega a conclusão de que “se os quase um milhão de hectares de área de pastagens existentes na área de ação da Coamo, recebessem de 3 a 4 vezes mais bois no verão, o que é perfeitamente possível com a integração, e as áreas de inverno também fosse utilizadas para a produção animal, o impacto financeiro seria em torno de um bilhão de reais por ano. Este volume seria certamente benéfico para toda região, produtores, cooperativa e o comércio em geral. Toda a economia estaria sendo movimenta com a tecnologia agrícola que estaria contribuindo para impulsionar toda essa economia”, afirma.

Na região da Coamo muitos produtores estão conseguindo bons resultados com a tecnologia. Para Alves, “fruto do trabalho desenvolvido pela cooperativa oferecendo técnicos treinados e mão de obra de qualidade, que estão à disposição do produtor. Fazer integração dá trabalho, mas dá lucro”, finaliza o agrônomo.

Manejo na pastagem de inverno

Para fazer o pasto de inverno render, com qualidade, o produtor tem que trabalhar o seu manejo com eficiência. E não é só cuidar do plantio, do piqueteamento e da distribuição dos animais na pastagem. É preciso, acima de tudo, estar atento à altura das plantas, condição que fará toda a diferença no rendimento da pastagem, na produtividade dos animais e no volume de massa que ficará sobre o solo, disponibilizado para a cultura seguinte, no caso, a soja ou o milho de verão.

O agrônomo Joaquim Mariano Costa, responsável pela Fazenda Experimental Coamo, lembra que a agricultura, no Sul do Brasil, é uma dádiva, “porque temos cerca de 700 mil hectares plantados com aveia preta no período de inverno para a produção de palha para o sistema de plantio direto; e nós podemos usar essa cultura, associada com o azevém, sem perder as suas características, para auxiliar a produção de bois”. E quanto mais rigoroso for o inverno, segundo ele, melhor para a pastagem, transformando uma decisão consciente em oportunidade, além de diversificar.

Diferentes alturas – No Encontro de Pecuária, uma das estações demonstrou o que acontece com a produção de grãos e de carne quando o produtor maneja os animais sobre diferentes alturas da pastagem de aveia/azevém. Os técnicos analisaram o pastoreio do gado em piquetes com 28, 21, 14 e sete centímetros de altura. “Mostramos que não é recomendado deixar os animais raparem de mais o pasto, para que não seja gerado um ciclo onde a planta não conseguirá absorver água e nutrientes. Portanto, entrar com os animais em um pasto muito baixo, além de não deixar palha para a cultura seguinte, o produtor não conseguirá obter o máximo do potencial nutricional da pastagem, reduzindo os índices de produção do gado”, explica Costa.

Segundo o técnico da Coamo, existe uma determinação técnica para o tamanho ideal para manejar a pastagem, para favorecer tanto a agricultura quanto a pecuária. “É bom não baixar de 12 centímetros”, orienta. Quando o produtor perceber que o pasto está muito baixo é recomendável tirar os animais e esperar que a pastagem se restabeleça para, depois, recolocar os animais. “E bom também não esquecer de colocar a quantidade adequada de animais para cada piquete, evitando uma alta lotação. Para isso, é preciso planejamento. E, ainda, ter consciência de que o pasto de inverno tem que ser vedado de 20 a 30 dias antes da aplicação do herbicida para dessecação e plantio da lavoura de verão. Isto, para que o azevém possa se restabelecer e criar uma condição de enraizamento capaz de anular o efeito da compactação proporcionado pelo pisoteio dos animais na área de cultivo”, completa Costa.

Fertilização e manejo da pastagem

Ao trabalhar corretamente a pastagem o produtor garante maior rentabilidade ao plantel com comida barata e de qualidade

“Pastagem degradada e de baixa qualidade é, definitivamente, coisa do passado”. A afirmação é da engenheira agrônoma Simony Marta Bernardo Lugão, pesquisadora da área de Produção Animal e Pastagem do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), em Paranavaí, Norte do Estado. Ela foi uma das convidadas para o Encontro de Pecuária, realizado no dia 5 de julho na Fazenda Experimental Coamo e explica que ao investir na fertilização e manejar a pastagem de forma correta, o cria-dor garante maior rentabilidade com a produção de carne ou leite, disponibilizando aos animais comida barata e de qualidade.

Para que o plantel aproveite melhor o potencial da pastagem, a técnica orienta que o produtor a trabalhar o pasto de forma adequada, lançando mão da fertilização do solo. “Sem uma nova postura não tem jeito”, diz ela, referindo-se à necessidade do pecuarista mudar o modo de enxergar a pastagem na propriedade. “Com um pasto degradado só é possível manter uma vaca por hectare. Por outro lado, se há uma preocupação do produtor em manter equilibrada a química e a física do solo, esse volume chega a 10 animais por hectare. Um incremento de produtividade muito grande e que se reverte em lucratividade para o criador”, afirma Lugão.

Benefícios – O custo da adubação da pastagem pode até passar despercebido pelo produtor, se ele levar em conta o benefício proporcionado pelo investimento. A pesquisadora do Iapar explica que um produtor de leite, por exemplo, que não aduba o pasto retira, em média, seis litros de leite por vaca/dia. “Como não investiu na qualidade da pastagem, ele teve uma sobra dos mesmos seis litros”, contabiliza. Mas se este mesmo produtor adubar adequadamente a pastagem da sua propriedade, pode ampliar em até 10 vezes a sua produção, levando em conta que o investimento representa cerca de 1/3 da produtividade final. “Isto significa que o incremento de produtividade, sozinho, paga o investimento na qualidade da pastagem e ainda proporciona uma rentabilidade bem acima do que o criador vinha atingindo com o seu plantel”, aponta a agrônoma.

Onde investir – Segundo Simony Lugão, nem todos os pastos podem ser adubados. “O produtor deve optar pelos que são mais produtivos e que tenham qualidade melhor, como o Tanzânia, o mombaça, a estrela roxa, a tifton 85 e o capim elefante, que quando adubados respondem muito bem”, revela a técnica, considerado que os manejos da fertilidade e do pastoreio estão associados. “Cada espécie tem o manejo correto, para dar qualidade à folha. No mombaça, por exemplo, para que os animais possam aproveitar 90% de folha eles devem entrar na pastagem quando o capim estiver com uma altura entre 80 a 90 centímetros. E no caso do Tanzânia, tem que ser ao redor de 70 centímetros”, explica. Ao entrar muito tarde com os animais, quando o capim estiver com um metro de altura, por exemplo, o produtor corre o risco de fornecer menos folhas e mais talo, que não tem qualidade. “E o boi tem que comer folha e de boca cheia”, destaca a pesquisadora.

“Pasto forte” contra a presença de plantas daninhas

“A pastagem é uma cultura como a soja ou o milho. E como não poderia ser diferente a planta daninha pode também derrubar a produtividade da forrageira de uma maneira significativa, fazendo com que ela não suporte a carga animal com eficiência”. Quem garante é o engenheiro agrônomo Jamil Constantin, professor em Plantas Daninhas, da Universidade Estadual de Maringá (UEM). Ele foi um dos palestrantes do Encontro de Pecuária, realizado pela Coamo na Fazenda Experimental.

Constantin abordou o manejo de plantas daninhas em pastagens e garantiu que se a pastagem for livre de ervas é possível até dobrar a capacidade animal da área. “O produtor poderá comprar uma fazenda a mais sem ter de desembolsar muito dinheiro. Se ele tiver uma cabeça de animal por hectare, em uma área com plantas invasoras, será perfeitamente possível dobrar essa capacidade em uma área bem manejada”, explica.

O agrônomo lembra que o melhor método de manejo contra a planta daninha é a própria pastagem. Conforme o pesquisador, em uma pastagem bem manejada, onde a lotação está correta, sem falhas, e com adubação e nutrição equilibrada, dificilmente a planta daninha vai entrar. Entretanto, se ela entrar, o controle químico é a forma mais eficiente e mais barata de combate-lá. “O segredo é pasto forte. Em pasto forte planta daninha não entra”, afirma.

Recuperação ou reforma – Está é uma questão bastante discutida entre técnicos e produtores. Para Constatin, a solução pode ser bem mais simples do que imaginamos. Ele orienta que a decisão deve ser tomada a partir do stand de capim encontrado na área. “Fazendo uma rápida avaliação, em uma área de grande fertilidade, se tiver uma planta de capim por metro quadrado é possível apenas recuperar. Se a área for de baixa fertilidade, mas tiver de quatro a cinco plantas por metro quadrado, também dá para recuperar. Contudo, se os números forem inferiores, significa que será preciso reformar a pastagem, que é bem mais caro e demora mais tempo”, avalia.

O pesquisador informa que o produtor tem melhorado bastante e seguido às regras quando o assunto é manejo da pastagem. Ele elogia o encontro promovido na Fazenda Experimental, afirmando que desta forma as informações chegam mais rápido ao produtor, que consequentemente adoram a tecnologia com mais facilidade. “Ninguém deixa a soja no mato, todo mundo controla. Com a pastagem não pode ser diferente. O que o criador tem que ver, na área, é boi e capim”, finaliza.

Produção de silagem, com qualidade

Criador pode suprir déficit de energia dos animais com alternativas que garantem boa alimentação do gado no inverno

A suplementação animal também foi tema de uma outra estação no Encontro de Pecuária da Coamo, realizado na Fazenda Experimental. Com destaque para a produção e qualidade da silagem, o médico veterinário Adriano Regiane Pereira, do Detec da Coamo em Mamborê (Centro-Oeste do Paraná), atendeu os produtores e repassou informações sobre o preparo e utilização de uma silagem de qualidade, orientando, inclusive, sobre os equipamentos que o produtor deve usar.

Pereira diz que o objetivo é despertar o produtor para a importância de buscar alternativas para a lacuna criada durante o inverno, quando o pasto fica escasso e deixa de produzir, derrubando assim a produção animal, seja de carne ou leite. “Estamos percebendo que existem ainda muitas dúvidas sobre a correta produção de silagem. Nossa idéia é sanar todos esses questionamentos e ajudar o produtor a ter mais eficiências com seu composto energético”, revela.

Uso de inoculastes - “Um dos grandes erros de quem faz silagem é a não utilização de inoculante”, alerta o veterinário. Segundo ele, existe um certo preconceito de que o inoculante não funciona na silagem. “Mostramos a importância do uso desses produtos para garantir a qualidade da silagem. O inoculante é fundamental no controle do pH, na colocação de bactérias específicas que vão garantir a correta fermentação do material e a conservação. Somente o uso adequado de inoculante vai garantir a qualidade da silagem, e isso estamos conseguido passar para o nosso cooperado”, revela.

O veterinário alerta que a utilização de silagem, seja ela qual for, é uma ótima alternativa para a suplementação animal, mas se não for preparada e consumida cor-retamente pode também se trans-formar em um problema. O conceito da silagem, diz ele, é conservação do alimento. É preciso manter a proteína e a energia da silagem. Se houver erros na preparação e não conservação desse material certamente a qualidade será afetada e as conseqüências rapidamente serão observadas. “A correta picagem, a inoculação com o produto específico, a boa compactação e vedação do silo é o que garante essa qualidade”, orienta o veterinário.

Pereira observa ainda que os produtores estão mais acessíveis a utilização de silagem, uma vez que o Paraná é um dos que mais produz milho no Brasil, o que facilita a produção do composto. “O capim e a cana entram como complemento na onda da silagem. A vantagem da cana sobre o milho é a quantidade produção. Ela chega a produzir 150 toneladas por hectare, e se fizer o manejo correto ela produz por durante sete anos, com um único plantio”, sugere Pereira, lembrando ainda que o capim deve ser considerado como alternativa para silagem estrategicamente quando existe excedente de forrageira, preferencialmente nos meses de dezembro, janeiro e fevereiro.

A pastagem sob diferentes pontos de vista

Quando o assunto é manejo nutricional o criador é quem decide se a pastagem dada aos seus animais será eficiente ou não

Na pecuária moderna é preciso levar em conta uma série fatores, que aliados, fazem a diferença no crescimento vertical da atividade. Além de uma boa genética dos animais, os produtores devem ter um bom controle sanitário e re-produtivo e, é claro, tratar bem do manejo nutricional dos animais, com pastagens de qualidade e bem manejadas. Juntos, estes fatores fazem o diferencial dentro da bovinocultura.

No encontro de pecuária realizado na Fazenda Experimental da Coamo, foi possível observar a eficiência, bem como a ineficiência das pastagens. “Mostramos exemplos de pastagens bem e mal manejas, através de pesquisas realizadas nos últimos três anos. Foram dez ensaios com variedades de forrageiras perenes de verão com manejos de corte adequado e inadequado, cada uma delas de acordo com o que se foi preconizado tecnicamente para a espécie forrageira”, explica o médico veterinário Hérico Alexandre Rossetto, do Detec da Coamo em Campo Mourão (Centro-Oeste do Paraná). Ele revela que objetivo da estação foi apresentar aos pecuaristas o quanto é possível produzir e também os prejuízos que se pode obter ao manejar inadequadamente a pastagem. “O que mostramos são resultados de pesquisa que identificam o quanto é prejudicial manejar a pastagem de forma incorreta. Perde-se muito tanto em quantidade de leite como de carne, quando não se trabalha com planejamento. A pastagem deve ser tratada como uma lavora comercial”, alerta o veterinário.

De acordo com dados obtidos nos últimos três anos, é possível aumentar em cerca de 400 a 500% a quantidade de massa da pastagem, apenas através de um bom manejo. É essencial respeitar a altura da forrageira quando ela está sendo pastejada. “Não é recomendado baixar demais, mas também não pode deixar passar do ponto para colocar o gado”, orienta Rossetto, que faz um comparativo entre a capacidade de um pasto manejado corretamente para outro inadequado. “Nos dias de hoje, com o manejo inadequado, o pecuarista trabalha com 1,2 unidades animal por hectare, no máximo. Quando o manejo é feito corretamente esta carga animal sobe para até 10 unidades por hectare. Uma grande diferença que pode ser equilibrada apenas com um bom manejo”, compara.

Custo benefício – Para se atingir níveis de produtividade compatíveis com a situação econômica de cada propriedade rural, é preciso planejamento. Se a pastagem utilizada já tiver um bom controle, sem ervas daninhas e com o solo equilibrado é mais fácil manejar. Caso a situação seja inversa, é preciso lançar mão de boa vontade e pouquíssimo investimento para equilibrar a área. Caneta, papel, trena e calculadora são os principais e fundamentais objetos que o criador vai ter de usar para acertar esse manejo.

“Ele vai ter de aprender a fazer o manejo, acompanhar o pastoreio, o crescimento vegetativo e avaliar a planta. Tudo deve ser anotado, acompanhado. O custo é irrisório. A maior demanda é observação, paciência e a vontade do produtor em querer mudar o seu conceito”, sugere o médico-veterinário da Coamo.

Feito todo esse processo, rapidamente é possível obter estabilidade a longo prazo para a pastagem, com alto valor nutritivo para a forrageira e alta conversão alimentar para o animal, que vai se beneficiar diretamente desses fatores agregados.

Cana-de-açúcar hidrolisada direto no cocho

Uma das novidades do Encontro de Pecuária, realizado na Fazenda Experimental Coamo, no dia 5 de julho, foi à estação que tratou da cana-de-açúcar hidrolisada. O tema chamou a atenção dos co-operados por ser uma alternativa eficaz para o pecuarista alimentar o rebanho.

O médico veterinário Sandro Colaço Vaz, do Detec da Coamo em Engenheiro Beltrão (Vale do Ivaí, no Paraná), explica que para chegar à cana hidrolisada o produtor deve, depois de moer o produto e adicionar uma cal apropriada para cana. A mistura, segundo ele, deverá ser consumida em até quatro dias, “o que é uma grande vantagem em relação à cana in-natura”, afirma Vaz. Outra vantagem, segundo ele, é a fácil digestão pelos animais, com uma melhora em torno de 30%. A cana hidrolisada não atrai abelhas, que incomoda bastante os bovinos.

Técnica antiga – Na avaliação do técnico da Coamo, a cana-de-açúcar hidrolisada é uma boa alternativa para suplementação dos animais no período de maior escassez de pastagem no ano, o inverno, quando existe pouca disponibilidade das forrageiras e com menor qualidade. Ele lembra que o processo de produção da cana hidrolisada não é uma técnica tão nova. “Antigamente a hidrólise de cana era feita com soda cáustica, o que causava alguns inconvenientes, já que ela é muito corrosiva para o maquinário, além de outros riscos para a saúde dos animais”, comenta.

Alimento barato e nutritivo – Hidrolisar a cana é uma boa opção para todos os tipos de propriedades. É, também, é uma forma barata e nutritiva de alimentar o gado. Uma das grandes vantagens da cana-de-açúcar é sua alta produção por área. “Em pequenas áreas é possível produzir muita cana. Sem contar que não é necessário plantá-la todo ano”, comenta Sandro.

Preparo – Para cada 100 quilos de cana moída, o veterinário re-comenda a utilização de 500 gramas de cal micro pulverizado, que é próprio para o preparo. O produtor deve diluir a cal em 2 litros de água e aplicar a solução com o regador sobre a cana triturada. Depois, ele deve deixar a mistura descansar por 24 horas e, então, oferecer aos animais.

“Para melhorar o nível protéico o produtor pode, ainda, adicionar uréia, na proporção de 1% da matéria seca de cana utilizada, além de enxofre, na proporção de 10% da uréia utilizada. Enquanto a cana in-natura possui 2,5% de proteína, a adição de uréia e enxofre eleva esse volume para 6 a 7%, que é considerado ideal”, destaca Vaz.