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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 363 | Julho de 2007 | Campo Mourão - Paraná

Safra de Inverno

Ivaiporã com 30% a mais de trigo

Cooperado Eroni Sagrilo mantém a tradição familiar no cultivo do cereal e busca repetir o sucesso dos anos anteriores

Tradicionalmente a região de Ivaiporã (Vale do Ivaí) é uma das que mais produz trigo no Estado do Paraná. O clima extremamente favorável, a qualidade do solo associada ao pacote tecnológico e ao sistema de produção adotado pelos produtores favorecem o desenvolvimento do cereal, que responde muito bem aos investe-mentos. Nesta safra o trigo avançou em 30% da área cultivável da região, enquanto que na área de ação da Coamo o aumento foi de 11,5%, segundo o relatório divulgado na primeira quinzena deste mês pela supervisão de assistência técnica da cooperativa.  Os cooperados da Coamo estão cultivando neste inverno 566,5 mil alqueires de trigo contra 508,9 mil alqueires na safra passada.

Em Ivaiporã, buscando repetir o sucesso dos anos anteriores, o cooperado Eroni Sagrilo, plantou 110 alqueires de trigo neste ano. O cereal, para Sagrilo, é a principal opção de cultivo no inverno, porque além da produtividade o trigo também deixa um bom residual no solo para a cultura seguinte, no caso a soja.

Triticultor tradicional, o cooperado revela que nunca teve prejuízo com a cultura. Ele  comenta que cultiva trigo desde 1975, sempre com produtividades satisfatórias. Na safra passada, por exemplo, ele colheu 120 sacas por alqueire, apesar da geada. Neste ano, a expectativa de Sagrilo é colher acima de 140 sacas por alqueire, de média, uma vez que a lavoura está com um excelente desenvolvimento.

Para Sagrilo a boa palhada deixada pelo trigo já é lucro. “Mesmo sabendo que o preço pode não ajudar, o que vez ou outra ocorre, o residual deixado pela cultura no solo já compensa o investimento, uma vez que acabo ganhando depois com a soja”, explica.

Conforme o cooperado, não dá para deixar de plantar trigo, em função da série de benefícios que ele agrega ao sistema de produção da propriedade. “Por varias razões não deixo de plantar. A principal é o residual de adubo que o trigo deixa no solo, e também porque se não plantar trigo é preciso fazer uma cobertura, seja de aveia ou nabo. De alguma forma vou ter de investir. O que não dá mesmo é deixar o solo descoberto. Então, o melhor é plantar trigo. Assim eu cubro meu solo, faço uma boa palhada e ainda posso lucrar com a produção”, sugere Sagrilo, adiantando que novamente lançou mão de um bom pacote tecnológico para a cultura.

O benefício deixado pelo trigo, através do manejo adotado pelo cooperado, é tanto que a lavoura de soja nem de longe esconde que tira vantagem do sistema. Nesta safra de verão a média obtida com a oleaginosa foi de 150 sacas por alqueire. Sagrilo observa que onde ele planta soja sobre o trigo a oleaginosa sai no limpo e tem mais umidade por causa da palhada, consequentemente, com possibilidade de produzir mais, o que vem ocorrendo nas última safras.

Mas, o sucesso de Sagrilo não é o único bom exemplo naquela região. Conforme o agrônomo João Francisco Pazda Júnior, encarregado do Detec em Ivaiporã, é bastante comum encontrar história parecidas. “Temos muitos produtores do mesmo nível do ‘seo’ Eroni Sagrilo, que investem no trigo e acabam tendo bom rendimento no soja também”, esclarece. Ele explica que de fato a região de Ivaiporã é excelente para o cultivo do cereal em razão do seu clima, onde a altitude esta na casa dos 600 a 700 metros em média, bastante benéfico para o desenvolvimento do trigo.

A cultura do trigo ocupa o primeiro lugar em volume de produção mundial. No Brasil, a produção anual oscila entre 5 e 6 milhões de toneladas, sendo que praticamente 90% da produção está no Sul do Brasil.