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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 363 | Julho de 2007 | Campo Mourão - Paraná

Tecnologia de Aplicação

Quando os bicos fazem a diferença

13% da dificuldade de controle químico das lavouras tem relação direta com problemas de má aplicação dos defensivos

Atingir o máximo de eficiência na aplicação de produtos químicos, evitando desperdícios e diminuindo os riscos para quem realiza o trabalho. Este é o principal objetivo do Programa Coamo de Tecnologia de Aplicação, lançado oficialmente pela cooperativa há três anos, durante Encontro de Cooperados na Fazenda Experimental. Pelos dados do programa, 13% da dificuldade de controle de ervas daninhas, na área de ação da cooperativa, tem relação direta com problemas de má aplicação dos defensivos.

Esta realidade chamou a atenção dos técnicos e produtores, que  passaram a dar maior importância à ações pouco desenvolvidas no dia-a-dia do trabalho no campo, como a manutenção e manuseio de implementos, por exemplo. São aspectos voltados para uma calibração correta do equipamento, identificação e substituição dos bicos ruins, eliminação de erros em espaçamento entre pontas e principalmente a utilização de bicos diferenciados e adequados para cada aplicação necessária, seja ela de herbicida, fungicida ou dessecação.

De lá para cá muitos cooperados entenderam o recado e resolveram investir no sistema sugerido pela Coamo, lançando mão da tecnologia disponibilizada no mercado. Eles buscaram informação e estão “acertando no alvo”. O produtor rural Mauro Celso Agulhó, cooperado da Coamo em Juranda (Centro-Oeste do Paraná, conta que foi no Encontro de Cooperados na Fazenda Experimental onde ele teve o primeiro contato com o Programa TA, e resolveu adotar. Ele revela que seu interesse foi despertado a partir dos resultados positivos que viu na Fazenda. Segundo Agulhó, na sua propriedade os resultados já são bastante visíveis, desde que passou a realizar as aplicações com mais profissionalismo. “Antes eu utiliza apenas um jogo de bico para a maioria das aplicações. Isso muitas vezes provocava um espalha-mento irregular do produto. Eu acabava perdendo tempo e dinheiro, já que o produto não agia como devia e a planta não correspondia como podia”, lamenta.

Custo/benefício – Para Agulhó, o investimento é muito baixo se comparado aos resultados positivos que a escolha e o uso do bico adequado proporciona. Conforme ele, “ganha-se muito mais em saca de soja, ou qualquer outra cultura, quando se trabalha de maneira correta. O investimento é mínimo”.

O engenheiro agrônomo Ulisses Rocha Neto, do Detec da Coamo em Juranda, explica que as vantagens que se obtém com a melhoria no controle do mato, pragas e principalmente de doenças são enormes, quando se compara ao preço de um jogo de bico, por exemplo. “Hoje um jogo de bico custa em torno de R$ 400,00 e uma aplicação de fungicida vai custar em torno de R$ 100,00 por alqueire. No caso do cooperado Mauro Agulhó seria necessário gastar em torno de 16 mil reais só de produto, já que a propriedade da família tem 160 alqueires. Se ele perder 1% ou 2% na aplicação já quase tira o custo do jogo de bico. E com um jogo de bico novo e bem calibrado com certeza ele vai ganhar muito mais que o valor do investimento, em produtividade”, compara.

Depois que passou a utilizar mais de um jogo de bico não há mais desperdício de produto no sítio de Agulhó. As aplicações estão mais uniformes, atingindo a planta por inteiro. “Até o controle da ferrugem da soja está mais eficaz, já que o produto chega com mais facilidade nas folhas mais baixas da planta”, confirma.

A satisfação do cooperado é tanta que ele faz uma sugestão. Ao invés de comprar, emprestar o jogo de bico do vizinho e fazer um teste e só depois adquirir. “Com certeza vai valer a pena”, conclui.